Sobre estar no centro

Valéria Barros
Nov 7, 2014 · 2 min read

Sempre tive dificuldades em posicionamentos. Nunca me identifiquei com todos os pontos e por isso me sentia reclusa de todos os movimentos que participava.

Fui de esquerda e feminista até os 19 anos. Virei reaça e machista simbólica. E cá estou, refletindo sobre lados e posições — e tentando encontrar um ponto sadio.

Acredito muito em posicionamentos políticos e em como eles refletem uma grande parte de você. É claro que julgo um rapaz misógino como um idiota — e provavelmente ele me julgará como #feminazi (que diabos de termo é esse?).

É ótimo e ok se posicionar. Admiro quem consegue fazer isso diariamente e de cara limpa.

Quem não se posiciona se conforma.

O fato é que sou muito plural para me posicionar em apenas uma bandeira. Você pode chamar isso até de covardia , mas prefiro confusão.

Todas as vezes que quis estar por inteiro em um movimento social, me senti infeliz. Não consigo defender um lado só com unhas e dentes — minha visão é ampla demais para isso.

Temos grandes dificuldades para lidar com diferentes pontos de vista. Fico extremamente chateada com chorumes políticos e machistas na minha linha do tempo. Por vezes tento ignorar e não me posicionar, mas meu espírito polêmico se debate.

Não é só porque quero. Eu realmente PRECISO falar.

Temos uma responsabilidade social com a internet. Temos em mãos ferramentas que podem mudar visões e pensamentos — se usados da maneira correta.

Por favor, entenda uma coisa: Não é incoerência alguém acreditar em uma economia liberal e ser a favor de políticas assistenciais. Não é errado ser feminista , gostar de sexo e depilar as pernas. Não é errado duvidar de um deus e acreditar em centenas de outros.

Luto por uma liberdade muito mais ampla da que temos. Pela liberdade de pensar o que quiser e como quiser. Eu quero expressar minhas opiniões políticas sem me preocupar com julgamentos errôneos.

Incoerência é não aceitar opiniões múltiplas e diferentes da sua.

É ok acreditar no Batatismo. É ok ser quem você quiser. O que não é ok é acreditar que todos os simbolismos que você acredita e representa são verdades naturais e todos deveriam acreditar.

Não espere que defenda alguma bandeira veementemente. Sempre terei minhas ressalvas, pois nenhum movimento (até hoje) conseguiu ser amplo o suficiente.

Posso ficar no centro por muito tempo — e talvez seja meu lugar de comodismo. Mas assumo o que sou: geral demais para especifidades.

A Jornada

de dentro para fora.

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Valéria Barros

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A Jornada

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