Sobre praticar o feminismo no dia a dia.

Font: Unsplash

Esqueçam as flores, os chocolates e cartões emotivos.

É sempre bom lembrarmos dos motivos para se comemorar o dia das mulheres. Histórico, emotivo e carregado de luta de mulheres que deram seu sangue — literalmente — para que tivéssemos um mundo mais justo.

Meu desejo mais profundo era comemorar. Poder dizer que está tudo bem, que a luta não foi em vão. Mas seria hipócrita, ou pior. Seria desrespeitoso com o sangue das nossas heroínas.

Não quero ignorar os avanços que já conseguimos. Pelo contrário, os celebro por ter tido a chance de me tornar uma cidadã votante, trabalhadora e com oportunidades.

No entanto, por ter tido essas chances, ainda há muito que dói. A mim, fere saber da quantidade de mulheres que são assassinadas, violentadas e assediadas pelo simples fato de serem mulheres. E não há como não se condolecer com isso.

Vivemos em um mundo dito igualitário, justo e feliz. Mas me permita acabar com sua ilusão: O mundo não é cor de rosa para nós. Diariamente, somos julgadas pelo gênero.

Os inúmeros casos de cyber bullying vêm a tona com cada vez mais força.

Recentemente, tornou-se passível à ameaças de morte criticar o machismo. Mulheres que expõe as diferenças e preconceitos no mundo tecnológico estão sendo cassadas e assediadas psicologicamente.

A violência contra a mulher precisa ser discutida seriamente.

Mas o que mais me incomoda é o tratamento especial. Por diversas vezes, ser uma mulher está acima de ser uma profissional. Por alguns somos tratadas com agressividade — talvez o medo de serem subordinados à uma mulher no ambiente de trabalho seja muito hostil a um homem. Por outros, somos tratadas como objetos sexuais.

Se torna comum convidar uma mulher à um evento pensando na ideia de conseguir algo da mesma. Se dão oportunidades maiores devido ao seu órgão sexual ou a sua mera presença.

Não adianta lutarmos por igualdade se o mundo ainda pensa que somos troféus. Não somos.

Somos milhares de profissionais, competentes e éticas — pasme: capazes. Não queremos tratamentos diferenciados. Queremos respeito, igualdade e empatia.

É triste pensar que, mesmo seu conhecimento sendo notório, em alguns pares de vezes, você será reconhecida pelo batom vermelho. Que será comentada pelo belo par de pernas.

Queremos respeito. Queremos oportunidades iguais — não cotas. Queremos ser lembradas pelo caminho que trilhamos, não pelo perfume.

Esqueça o cavalheirismo — deixe-o para sua comédia romântica. Queremos relembrar o mundo de que para se haver igualdade, é necessário haver empatia.

Por um momento, se coloque no lugar dos que sofrem.

Critique idéias, não pessoas. Não use o seu gênero para ofender algo puramente ideológico.


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