Fica pra próxima!

Você já viajou com aquele sentimento de que é a sua última vez naquele lugar? Que tem que fazer tudo o que a cidade tem a oferecer no período que decidiu ficar por ali? Então, nós também. E esse texto é sobre isso, sobre a urgência em completar um check-list pulando de um lugar para o outro, correndo e olhando o relógio. E ainda, quando você não consegue completar a tal lista de pontos turísticos a visitar, vem a decepção.

Ao longo das nossas viagens e das trocas que temos com outros viajantes, sejam eles nômades, turistas, intercambistas ou viajantes de volta ao mundo, o maior aprendizado é saber que cada pessoa viaja do seu jeito e no seu tempo. Cada pessoa tem suas preferências e através delas escolhem como querem interagir com o destino escolhido.

Esse foi um dos principais motivos que nos fez deixar de viajar com pacotes fechados, em que você tem “dias livres“, quando na verdade todos os dias deveriam ser livres. Porque viajar é um grito de liberdade, você se liberta de preconceitos, ou ao menos deveria, e do que deixou pra trás quando entrou em um avião ou ônibus. Pelo menos por um breve momento, sua vida é ali, no lugar que escolheu.

Claro que é mais fácil quando você já tem tudo certo, e pessoas vão no seu hotel, te buscam, te mimam e fazem com que sua experiência seja perfeita. Mas onde está a liberdade em viver em um ambiente controlado? E se ao invés de ir para a Torre Eiffel, eu decidir ir no menor museu de Paris, porque lá tem obras de um artista desconhecido que só eu e mais 20 pessoas conhecem, estou perdendo meu tempo? E se ao invés de montar um roteiro com 5 ou 6 coisas para fazer no dia, eu decidir que hoje eu só quero sentar em um parque e ver o movimento passar, até que eu me canse ou que a fome chegue?

Visitamos lugares inspirados pelos seus cartões postais, mas mesmo em um cartão postal existe vida ao redor e é essa vida que tornou um lugar atrativo aos visitantes. Claro que temos lugares ou pontos específicos que queremos visitar por algum motivo pessoal ou por ser um sonho. Então, coloque esses como prioridade em sua visita a um certo destino. Faça desses pontos, momentos únicos, fique o tempo que precisar, tire fotos, faça selfies, vídeos, e se o lugar permitir, quem sabe até um piquenique. Mas viaje em busca desse momento de conexão.

É difícil falar “Fique calmo, um dia você volta!”, afinal, isso nem sempre acontece. Mas, na minha vida nômade, isso já aconteceu diversas vezes. Voltamos e repetimos lugares que eu nem imaginava que voltaria alguma vez na vida, ou pelo menos não voltaria tão cedo. Mas lá estava eu, de novo naquele lugar que passei com pressa em alguma outra viagem. E no nosso caso, em alguns desses lugares chegamos a ficar um longo período de tempo.

Mas para você que não tem esse privilégio — e digo isso com a maior humildade e consciência de que somos sim privilegiados por ter essa oportunidade e sabendo que não é para todos — e quer ter essa mesma experiência que nós temos, tente intensificar os bons momentos ao invés de zerar a cidade e seus pontos turísticos.

Muitos vão te perguntar quando você voltar da viagem: — E ai, você foi no….. ? E no….? Fique tranquilo e responda a todos com um “não”, sem sentir que perdeu algo. Mas quando você falar daquele lugar especial que visitou e se dedicou a ele, vai parecer grandiosa a sua experiência, e será só sua.

Já percebeu que existem lugares no mundo que nós lembramos de texturas, cores, cheiros e sabores? Isso só acontece com os lugares que visitamos com paciência e atentos.


Originally published at A Path to Somewhere.