Trabalhando em fuso-horários diferentes

Como nômades, durante nossas viagens, continuamos mantendo nossos trabalhos no Brasil, e para isso foi preciso nos adaptarmos a nova realidade em relação aos fuso-horários para não deixar nenhum cliente na mão. Nesse artigo, irei citar alguns fusos que já passamos e como lidamos com a diferença de horário em relação ao Brasil.

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Em 2014, nós vivemos 3 meses na Itália, durante a primavera europeia e foi a nossa primeira experiência prolongada trabalhando remotamente em outro fuso-horário. A diferença de +4h, era incrível, pois acordava, passeava, curtia a cidade, almoçava e o dia útil no Brasil só começava a partir das 13h de onde nós estávamos. Também era ótimo para adiantar entregas para que quando meus clientes acordassem, já estivesse tudo resolvido.

Em 2015 vivemos mais 9 meses na Europa, rodando diversos países, e novamente o fuso também ajudou. Nesse período o fuso variou entre +3h no fim do outono europeu, +5h durante o horário de verão europeu e inverno no Brasil, e +4h nos outros meses. O único problema era com clientes que tinham o costume de negociar projetos após às 20h do Brasil e madrugada na Europa, no meu caso tinham muitos. Mas nada que uma boa conversa e alguns limites não resolvessem.

Além disso, uma das coisas que sempre rondava meu dia-a-dia enquanto ainda morava no Brasil, era virar noites trabalhando para entregas urgentes para a manhã do dia seguinte. Vivendo no fuso europeu, eu conseguia dormia cedo e acordar cedo, sem pressa. Tomava meu café-da-manhã e podia fazer meu trabalho com qualidade e com o corpo descansado, e quando meu cliente acordava no Brasil, já estava tudo pronto!

Pra mim, foi o melhor fuso que experimentei em relação a trabalhar para o Brasil.

Em 2014 também vivemos 3 meses nos EUA, na região de Nova York, nesse caso a diferença era muito pequena, e eu estava “atrasado” em relação ao Brasil, mas em alguns casos essa diferença também ajudou.

Então minha rotina era de acordar quando no Brasil já estavam quase almoçando, e podemos dizer que eu começava a trabalhar quando todos já estavam pilhados. Já tinha passado a hora do café, e toda aquela enrolação que as empresas costumam ter até chegar a hora do almoço.

Foi um período mais intenso, mas também não precisei virar noites, pois eu tinha 3 horas extras no meu dia caso quisesse adiantar algo. Além disso, às 15h em Nova York acabava o horário comercial do Brasil, diminuindo o volume de demanda e deixando a noite mais tranquila.

Em 2016 vivi durante 1 mês em Los Angeles na Califórnia e a diferença de 6 horas a menos em relação ao Brasil, me permitia ter os finais da tarde e noites livres para aproveitar o pôr-do-sol, pegar uma praia ou aproveitar esse período para adiantar entregas para o dia seguinte.

Vivendo no Sudeste Asiático a adaptação foi bem mais difícil, ainda mais que agora além de trabalhar para o Brasil, também se intensificaram minhas relações em Los Angeles, então tenho que lidar com dois fusos diferentes.

A solução que consegui aqui é trabalhar e me relacionar nas pontas do dia, então, quando acordo, o Brasil ainda está no fim do dia anterior. Tenho a tarde toda tranquila para trabalhar e o Brasil acorda quando já estamos no fim da tarde.

A grande confusão é lembrar que geralmente estou 1 dia no futuro. Mas isso é bom caso eu decida fazer um passeio ou trocar de cidade durante o dia. Posso ir tranquilo, que somente no fim do dia precisarei estar disponível para os clientes no Brasil.

Já em relação a Los Angeles, quando acordo, é o fim do dia deles também, mas mais cedo que no Brasil então tenho esse período para resolver algumas questões. A noite, ainda consigo pegar eles acordando, porém já é um pouco tarde por aqui e é melhor aproveitar o começo da manhã para esses clientes.

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Vale lembrar que as informações que passei aqui variam conforme o horário de verão dos países, o que pode dar uma diferença de algumas horas dependendo onde você estiver e em qual época do ano.

O objetivo desse artigo, é ajudar você a entender que basta se organizar e repensar sua rotina para tornar o trabalho a distância possível.

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Para ajudar ainda mais, separei algumas dicas que independem do seu fuso e diferença de horário com seus clientes:

- Cuidado para não mandar mensagens para seus clientes de madrugada! As vezes esquecemos que estamos em horários diferentes e podemos ser inconvenientes.

- Monte em seu celular e/ou computador relógios com todos os fusos que se relaciona.

- Deixe claro com seus clientes seus novos horários para evitar desencontros.

- Tente negociar os primeiros dias em seu novo lugar, até se adaptar ao fuso. Assim não terá demandas com horário marcado ou reuniões.

- Cuidado para não viver a vida de mais de um fuso, aceite que você estará dormindo e vivendo em horários diferentes. Use o fuso a seu favor, e não contra.

- Separe seu dia em blocos de lazer, trabalho e sono. Rotina é fundamental para uma vida em um fuso e o cliente em outro.

- Não deixe para negociar prazos e novos horários com seus clientes quando chegar no seu novo destino, seu cliente tem o direito de decidir se quer trabalhar com um freelancer nômade. Meus clientes na grande maioria adoram!

- Se precisar virar a noite, ou acordar mais cedo, tudo bem. Mas não faça disso um hábito.

- Celular com conexão independente de onde esteja, parece uma maravilha, mas pode acabar com sua liberdade de curtir momentos. Durante os 9 meses na Europa, eu não peguei um chip de celular. Precisei apenas por 2 meses na Itália, quando a internet do nosso apartamento deu problema. Quando estiver curtindo a cidade, curta a cidade. E lá era fácil conseguir acesso em quase toda esquina. Aqui na Ásia estamos com conexão 24h, mas temos que nos policiar para não trabalhar nos momentos de lazer.

- A noite, configure a função não perturbe no seu celular. Seus amigos, familiares e clientes podem esquecer do seu fuso e mandar mensagens no calor do momento. Isso vai atrapalhar o seu sono e de quem dorme com você.


Originally published at A Path to Somewhere.