Te quero ver campeão
Não gostamos de ver finais pela televisão

Mudei o tom de azul que estava nas minhas unhas, porque o antigo era escuro demais. Assim como o Godoy Cruz, eles eram azuis, mas não azuis como nós. Talvez porque mais do que alma celeste e copeira, somos tricolores. Na beira do precipício estava Mano Menezes, cujos olhos, de um azul que nunca muda, tinha o mesmo semblante de dez anos atrás, e só sei disso porque reconheci o olhar. Mano, que escalou as montanhas do futebol e perdeu altura tantas vezes este ano.
Assim como anos atrás, naquela Libertadores, ele deixou que tivéssemos esperança e que acreditássemos para, no fim, trazer decepção. Mano estava lá e também estava ali no campo na noite de ontem. A tristeza nos nossos rostos lembra um pouco aquela da década passada, a alegria dele também lembra alegria do título que conquistou em 2008, com o Corinthians. E só digo isso porque reconheci o olhar.
Aliás, Corinthians se tornou o nome que não queremos ouvir. De certa forma, não queríamos ver e a vontade era tão grande que agora estão dez pontos distantes de nós. Fomos juntos nessa trilha que deu errado, agora chega. Não gostamos de ver finais pela televisão, me recuso a carregar tristeza e sentir decepção tendo um time formidável como esse.
Essa semana a crítica veio de todos os cantos, com a mesma conversa antiga de estar priorizando um título de “menos relevância”. Quem escreve assim, não entende o que sentimos, pode se aposentar, nunca deve ter torcido ou lhe falta alguma coisa na cabeça, talvez no coração. Definitivamente, não sabe de futebol. Mas se queriam tanto ver um Grêmio arrebatador no Campeonato Brasileiro e na Libertadores, peço apenas que aguardem um pouco. Até porque só o tempo pode escrever uma história da grandiosidade do Grêmio.
Estamos com o Grêmio na boa, e na ruim muito mais. Todos sabem, que todos lembrem e vamos fazer com que ninguém esqueça. Que gritem nos ouvidos o que não queremos ouvir e que a reação seja rápida, que deixem de virar o rosto na aparição do adversário e encarem-no de frente. Só assim poderemos ganhar e eu só te quero ver campeão. Mais que azuis somos azuis, pretos e brancos, somos o imortal tricolor, jamais nos matarão.

