Empreendedorismo e diversidade: como fortalecer negócios para além das bolhas

Por Juliana Lima

A vida acontece lá fora. Precisamos acordar para os cenários que vão bastante além das verdades hegemônicas que circundam as bolhas de privilégio da elite brasileira, detentora do alto poder aquisitivo e fácil acesso a grandes oportunidades de negócios. Para alcançar um futuro de equidade de gênero que compreende variáveis como classe social, etnia e idade entre homens e mulheres, precisamos enxergar e impulsionar empreendedorismos conectados à realidade de mulheres diversas: mulheres da terceira idade, mulheres de comunidades periféricas, mulheres trans, afroempreendedorismo feminino. Várias iniciativas têm mostrado a que vieram e o resultado é um novo cenário, com olhares plurais e produtos diversos — mais próximo do mundo que a gente quer.

Empreender, para as mulheres, especialmente no Brasil, é muito mais complicado do que ter uma boa ideia.

É conseguir capacitação, mentoria, recursos e experiência para atrair o investimento. Com esse panorama, é fundamental uma constatação da realidade do cenário do empreendedorismo feminino no país. O imperativo moral e econômico ultrapassa o que muitos pensam se tratar apenas de justiça social: o machismo ainda está enraizado em muitas sociedades a nível global e, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, as mulheres terão que esperar 217 anos para ganhar um salário compatível com a renda dos homens e para conquistarem o mesmo nível de representatividade no mercado de trabalho.

Apesar de alguns avanços, vivemos um retrocesso em relação à paridade de gêneros porque a distância entre homens e mulheres só aumenta em muitas áreas, principalmente nas oportunidades econômicas, no poder político, na educação e na saúde. No empreendedorismo não seria diferente: na fase inicial do negócio, o percentual que representa a atividade empreendedora masculina é praticamente igual à feminina, porém, quando focamos na taxa de empreendedores estabelecidos, os homens predominam devido à grande desistência das mulheres após a abertura do empreendimento — já que muitas vezes a rotina doméstica pesada não permite que ela se ausente nem mesmo para sustentar sua própria família.

Entretanto, mesmo nesse cenário desfavorável, muitas mulheres estão quebrando paradigmas e somam mais de 7,9 milhões no grupo das empreendedoras brasileiras, representando 8% da população feminina e 44% dos negócios no país; nesse universo, 59% das empreendedoras são donas da própria empresa (pequeno e médio portes) e, na categoria, apenas 11% delas pertencem à elite brasileira (30+, alto padrão de vida e escolaridade); 73% são sócias de micro ou pequenas empresas, alcançando o percentual de 98,5% quando consideramos os Microempreendedores Individuais (MEI), que totalizam 1,3 milhão de mulheres no Brasil conquistando sua independência financeira e impactando a economia nacional.

Foto de nappy.co

O racismo é outro problema estrutural institucionalizado na sociedade, e indo de acordo com a conclusão da ONU de que a democracia racial é um mito no país, uma grande parte da sociedade nega a existência do racismo. No âmbito econômico, os negros, presença representativa de 53,6% na população de 206 milhões de habitantes, são responsáveis por minúsculos 17,4% no PIB, segundo dados do IBGE, contra 79% de brancos, o restante sendo amarelos e indígenas. No segmento empreendedorismo, as empresárias negras são 32% do total em empresas informais e MEIs, reduzindo o número para 20% em micro e pequenas empresas.

Um levantamento feito pelo Sebrae mostrou, ainda, que metade dos microempreendedores brasileiros são afrodescendentes, porcentagem que não para de crescer desde 2002, englobando também um aumento na renda mensal e no nível escolar dos afrodescendentes.

Sob a ótica do empreendedorismo feminino, é possível atentar-se para o fato de que a igualdade de gênero não é simplesmente um direito básico inerente ao ser humano, é um instrumento de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos que pode ser responsável pelo aumento de US$ 12 milhões no PIB mundial até 2010 (R$ 85 milhões só no Brasil); e ter mulheres liderando empreendimentos significa aquecer a economia para que seja mais próspera, estimular a produtividade, gerar engajamento e reverberar o senso de comunidade criativa.

Empreender é gerar movimento

Em 2016, mais da metade dos negócios que abriram suas portas no Brasil foi fundada por mulheres que decidiram desafiar a si mesmas, nadando contra a correnteza da hegemonia masculina para tentar quebrar a barreira existente entre gêneros, classes e raças. Os motivos para se arriscar no empreendedorismo são diversos, desde a necessidade financeira à realização de um sonho, passando pela conciliação com as tarefas domésticas e filhos. Do aumento da representatividade feminina no mercado surge a inovação nas formas de trabalho, acompanhada de inúmeras oportunidades de mercado que elas enxergam como potenciais a serem explorados — como, por exemplo, nos setores de serviços, alimentação, tecnologia e moda. Porque o que a sociedade precisa entender é que o desenvolvimento anda de mãos dadas com essas mulheres que colocam a mão na massa, lutam para oferecer uma educação melhor para suas famílias, contribuindo ainda para o desenvolvimento da comunidade na qual estão inseridas.

Mais do que isso, cada mulher empreendedora é impulsionada pelo motor da transformação: de suas próprias vidas, de seus filhos, da favela onde mora, de um país inteiro.

Voltando um pouco no tempo, conseguimos perceber o tanto que nós, mulheres, conquistamos até aqui. No final do século 19, travamos uma batalha para conquistar direito ao voto, divórcio, educação e trabalho; somente em 1962 (pasmem!) as mulheres ganharam um CPF e a chance de abrir uma conta no banco; nos anos 1970, demos início a uma batalha sindical para sermos reconhecidas como parte da classe trabalhadora e tratadas como sujeitos ativos, e também para desconstruir práticas excludentes na participação política; apenas em 2015 foi sancionada a Lei do Feminicídio nº 13.104, que combate a violência contra a mulher no Brasil — o país tem a quinta maior taxa de feminicídio no mundo, com 13 mulheres assassinadas por dia. Nos dias de hoje, seguimos lutando por melhores cargos, melhores salários, por presença ativa na política e, tão importante quanto, por independência financeira como proprietárias dos nossos negócios — o que pode significar também um “sonho realizado”. Sim, abrir um negócio em um panorama nada favorável é uma grande conquista. Conquista de confiança em si mesma, de autonomia para tomar decisões, de autoestima e de merecimento para ocupar espaços antes entendidos como não sendo nossos.

E ampliando o olhar para além das bolhas privilegiadas, encontramos a pluralidade de uma população que vive nas favelas em todo o país, formada por 12,3 milhões de pessoas que, juntas, poderiam formar o quinto maior estado brasileiro — atrás de SP, MG, RJ e BA. Nesse número, temos 6,3 milhões de mulheres, 69% delas, negras. E qual a visão desse público sobre empreendedorismo? Primeiro, elas são protagonistas das mudanças em suas comunidades, chefiando quase metade dos lares; são presença efetiva nos 78% dos moradores otimistas que acreditam que a vida vai melhorar nos próximos anos; e dentre os 3,8 milhões de moradores — 4 em cada 10 — com vontade de abrir seu próprio negócio, elas lideram o perfil de futuros empreendedores que se jogam em novas oportunidades dentro e fora da favela, favorecendo a economia local e nacional.

Empreender é transformar realidades

Transformação é palavra de ordem para mulheres de todas as idades que empreendem em todas as regiões do Brasil, e até mesmo do mundo, já que as jovens brasileiras com idade entre 25 e 35 anos têm mais vontade de empreender do que as inglesas, alemãs, russas, americanas, chinesas e espanholas. Mais do que ter o seu empreendimento, elas querem mais qualidade de vida, respeito e reconhecimento, liberdade para fazer escolhas, conhecimento para gerenciar seus negócios de forma estruturada, empoderamento econômico como ferramenta de crescimento, igualdade para ir além. Um novo olhar sobre o que realmente representa o poder para as mulheres pode nos levar a prestar mais atenção aos papéis que elas já assumiram, às experiências que estão vivendo e aos negócios transformadores que estão criando. Empreender é se arriscar, pular do alto e ter a certeza de que vai pousar em território firme.

O pouso certeiro das irmãs Antonia Joyce, Lucia e Maria Cristina Venâncio é um exemplo de afroempreendedorismo que pretende eliminar estereótipos desde cedo. A Preta Pretinha é uma loja especializada em bonecas negras criada para que as crianças negras se sintam representadas. Inspiradas pela boneca feita pela avó Maria Francisca e por seu discurso a favor da autoestima e do amor próprio, as irmãs trabalham em prol da valorização da identidade negra e da diversidade étnica com bonecas orientais, indígenas, indianas, muçulmanas e com síndrome de Down, em uma tentativa muito bem-sucedida de provar que não existe uma disputa entre as raças, e sim uma luta por direitos iguais para todos.

Boneca produzida pelo Preta Pretinha

Partindo de uma pesquisa de mercado e uma loja de 15m² na Vila Madalena/SP, as empreendedoras ocupam hoje um espaço maior, não só físico, mas também no impacto social fomentado pela iniciativa, que inclui o Instituto Preta Pretinha, uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de propor reflexões sobre a desigualdade racial, a inclusão e o bullying.

O Mulheres do Sul Global é um exemplo da quebra de uma barreira que limita o empreendedorismo feminino de avançar por entre as fronteiras. Idealizado por Emanuela Farias, uma carioca de 32 anos que nasceu em uma família de classe trabalhadora e decidiu romper com a carreira executiva para embarcar em uma viagem para Índia, esse projeto mudou para sempre a trajetória dela e das mulheres refugiadas angolanas e congolesas que desembarcaram no Rio de Janeiro em busca de uma vida nova. Através da costura, Emanuela está inserindo essas costureiras no mercado de trabalho, garantindo a elas a inclusão social e um futuro muito mais próspero e libertador. Acolhendo refugiadas em situação de vulnerabilidade, essa iniciativa — vencedora do Prêmio Shell Iniciativa Jovem e do Desafio de Moda Sustentável do ColaborAmerica 2017 — constrói uma rede feminina para alinhavar novas perspectivas e empoderá-las a partir do ofício e do talento que trazem de berço, do reconhecimento profissional, da capacitação técnica e da autonomia financeira.

Marineide Silva é também uma agente da transformação da sua história e da de muitas crianças: quando pequena, ela foi entregue para adoção, morou com três famílias diferentes que a faziam de empregada doméstica, sofreu abusos e violência sexual; na vida adulta, ficou viúva e um de seus filhos foi assassinado por um menor na comunidade onde mora em SP, no Capão Redondo. Sua guinada em uma nova direção teve início nessa periferia paulistana quando foi convidada para coordenar um grupo de corrida feminino como voluntária; em seguida, passou a treinar as crianças do local, o que a fez criar o projeto Vida Corrida. Marineide desembarcou na capital, vinda da Bahia, em 1967 e, desde 1999, ela promove a inclusão social, a saúde, a autoestima e a qualidade de vida dos moradores do Capão Redondo através do esporte, treinando e mudando a vida de várias crianças e adultos diariamente, além de realizar treinamentos, palestras e atendimento à comunidade.

Evento de Dia das Crianças, realizado pelo Projeto Vida Corrida

Empreender é liderar a sua própria revolução

O paradigma da beleza e a autoaceitação permeiam a vida das mulheres há muitas gerações, e para Vanessa Joda, esse foi o ponto de partida para desenvolver o seu empreendimento, o Yoga para Todos. Única mulher entre os cinco filhos de uma família conservadora, ela vem de uma história de insatisfação com o próprio corpo de mais de 100 kg e da atuação em uma profissão que não gostava por 20 anos, combinação essa que gerou uma verdadeira revolução em sua vida: experimentar a paz consigo e com os outros através da prática da yoga, junto com o propósito de ajudar mulheres gordas a aceitarem que são maravilhosas assim, como são por inteiro. O Yoga para Todos desconstrói o estereótipo de que só brancos, magros e ricos podem se exercitar para integrar corpo, mente e respiração; a prática é para quem quiser, sendo gordos, negros, trans, gays, lésbicas, idosos, jovens. Além da sua escola com preços acessíveis em São Paulo, Vanessa encabeça também a luta contra a gordofobia e o machismo.

Yoga Para Todos e Pop Plus ocupam a Paulista — foto de @robson_leandro

As mulheres transgêneras, transexuais e travestis veem as portas do mercado de trabalho se fecharem, mas para o Coletivo Trans Sol o momento é de ampliar os horizontes. Criado em 2016 por duas mulheres que experimentaram o preconceito na pele — Mavica Galarce tem um filho homoafetivo e Priscila Nunes foi casada com uma pessoa trans e é dona de um bar voltado para o público LGBTQI — , o projeto localizado em SP produz roupas para atender as necessidades específicas de trans e travestis por meio do acolhimento e da força de trabalho de mulheres que viviam no submundo da prostituição, do abandono e das drogas, mas agora procuram ocupar o lugar que merecem ao sol.

Ocupar espaços até então tidos como masculinos no âmbito profissional é causar uma grande revolução, caminho esse escolhido pela empreendedora Buh D’Angelo, jovem negra da periferia de SP que, desde seus 16 anos, acumula certificados em cursos da área de informática e hoje é formada em eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação (TI) e robótica. Ela encabeça a InfoPreta, uma empresa precursora da diversidade no mundo digital — a primeira a trabalhar com colaboradoras negras e pertencentes às minorias — que conserta computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade social por preços acessíveis ou gratuitamente. Após começar a oferecer esses serviços dentro do seu próprio quarto, Buh viu no aumento da demanda a chance de começar a empreender, junto com Fernanda Monteiro, que mesmo com sua experiência de 20 anos no mercado tecnológico, não conseguia se recolocar depois de sua transição de gênero. Escolhida para representar o Brasil no G20, em Berlim, como um projeto de tecnologia feito por mulheres, a InfoPreta não é o único negócio inovador de Buh, que também criou o Note Solidário da Preta para doar computadores a outras mulheres estudantes de baixo poder aquisitivo com boas notas no boletim escolar.

Nesse mesmo contexto de chutar as portas que se fecham para as mulheres nos cargos tradicionalmente reservados para os homens — no caso da computação, por exemplo, 92,1% dos profissionais são do sexo masculino contra 5,8% do sexo feminino — , nasceu a PrograMaria, uma iniciativa que oferece aulas de introdução à programação ministrada por e para mulheres, premiada pela Prefeitura de São Paulo (Vai Tec) e pelo Prêmio Mulheres Tech em Sampa (Rede Mulher Empreendedora + Google for Entrepreneurs). Criada pela jornalista Iana Chan junto com outras jornalistas e designers, a PrograMaria quer mostrar que as mulheres podem atuar em um ambiente hostil e preconceituoso como o da tecnologia. Elas atuam através da entrega de muito conhecimento e inspiração para mulheres de todas as idades e classes sociais, que vão se qualificar para ocupar as milhares de vagas disponíveis nessa área que desencoraja a atuação feminina por não ter exemplos que as inspirem e mostrem que programar é coisa de mulher sim.

Empreender é acelerar o ritmo da mudança

Impulsionar o empreendedorismo de mulheres diversas é se conectar com a realidade e com a força de cada uma delas, promovendo o associativismo e a colaboração para que elas sejam as protagonistas de uma história escrita a muitas mãos. Fomentar a sustentabilidade dos negócios e a inclusão social e produtiva das empreendedoras é valorizar o potencial de quem está construindo suas próprias oportunidades, em um cenário de não visibilidade, para transformá-lo em pluralidade. Essas e milhares de outras iniciativas estão sendo realizadas todos os dias por mulheres negras, brancas, pobres, idosas, trans. O que a gente precisa é olhar para elas de verdade com um olhar mais do que plural, um olhar atento, cúmplice, confiante. As mulheres empreendedoras precisam de financiamento e crédito para seus projetos, necessitam de conhecimento e capacitação, buscam apoio para não desistirem.

Quando favorecemos o crescimento de uma mulher empreendedora com equidade e igualdade de direitos, construímos pontes que encurtam distâncias entre realidades para que o país ganhe em inovação e qualidade, absorvendo o que a nossa estrutura social diversificada tem de melhor: as pessoas. Participar de forma plena na vida econômica do país em todos os setores e níveis de atividades é o tipo de empoderamento que as mulheres sonham em ter, em uma sociedade mais estável e justa para que elas se desenvolvam pessoal e profissionalmente.

Mas como podemos tornar esse desenvolvimento possível?

Para Emanuela Farias, do projeto Mulheres do Sul Global, a classe socioeconômica privilegiada da população pode impulsionar iniciativas como a dela com ações que propiciem a esses modelos de negócios perpetuarem de forma autossustentável, o que significa investir no valor do impacto que os projetos causam e na importância do propósito a longo prazo, não apenas em ações pontuais.

O empreendedorismo feminino que foge do convencional entrega valor em resultado social efetivo e verdadeiro, por isso não deve ser apoiado apenas para reforçar interesses de terceiros e da mídia.

O impulsionamento de projetos como o de Emanuela, Vanessa, Iana, Buh, Priscila, Mavica, Marineide, Antonia, Lucia e Maria acontece quando vem acompanhado por comprometimento denso para interligar redes e gerar novas conexões que constroem uma consciência social de apoio mútuo.

A Casa Tear surge em meio a essa nova realidade, na qual a diversidade é uma vantagem competitiva, para ser um espaço de troca. Queremos conectar essas mulheres com quem quer alavancar seus negócios, promovendo o encontro entre a vontade de fazer acontecer e a articulação de novos caminhos em uma só direção: vislumbrando um futuro coletivo, diverso e real. Na Tear, vamos acolher mulheres que já são empreendedoras e todas as que querem empreender para oferecer curadoria e mentoria, para ajudá-las na conciliação da rotina familiar com a vida de empresária, para fomentar ideias transformadoras coletivas tecidas por talentos individuais.

Quer fazer parte dessa jornada de revolução do empreendedorismo feminino, ajudando a eliminar gaps, investindo em aceleração, promovendo competências, criando novas possibilidades e estratégias acessíveis? Vem juntx!

E se você não é empreendedora e quer conversar e trocar sobre o mercado de trabalho e ajudar a transformá-lo, não se acanhe e seja bem-vindx, a Casa Tear é um lugar para chamar de nosso.

Fontes para ampliar a sua percepção sobre o tema:

Pesquisa Reuters

Levantamento GEM

Global Gender Gap Report 2017

Relatório Serasa Experian

Participação dos negros no PIB

Pesquisa Nova Favela Brasileira — Data Favela/Sebrae

Mulheres empreendedoras no Brasil

Think Olga: Mulheres inspiradoras


Juliana Lima é redatora publicitária e jornalista de moda que escreve na mesma proporção que fala: se encontra e se perde em meio às palavras, se arrisca, mergulha fundo, segue em busca de novos ares. Acredita que o futuro é feminino e, se você parar pra reparar, ele já começou.