Em criatura

Pois que eu estava disposta a continuar por ali por mais dias e anos do que já havia passado, com ela no meu colo, meus braços, perto dos seios de onde não saía leite nenhum, mas dos quais ela nutria-se sem que eu soubesse como.

Aquele ser que não crescia, um bebê ininterrupto, um bebê para sempre, com braços e pernas tão curtos, mais um rosto enrugado de quem acaba de sair do ventre e está irritado com isso. A pele fina que dava para pinçá-la e soltá-la, feito estalo. Pinçá-la e soltá-la. Enquanto ela permanecia no meu colo e cansava e pesava nos meus músculos do braço. E eu não soltava. Estava estou bem disposta e continuar assim por um sempre, com esse sujeito que não sei se me refiro por ele ou ela, por alguém ou coisa, com esse calor no meu corpo que me afaga e me perturba no mesmo tempo e proporção; com esses olhos que olham para lugar nenhum, mas que teimo que me dizem algo, dizem muito de nós. Decidi que é meu, que assim poemos ficar por todo o tempo que ele não cresça mas esteja, mas exista. Ele ela.

Minha cria.

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