pretérito do futuro

eu queria então ter recebido um chamado só, nem dois, nem mais, um só, e ter ido ao seu encontro rápido, independente do absurdo que teria parecido esse contato tardio e incoerente, mas com propósito,

eu teria ido rápido, teria prometido que talvez não passasse, que talvez nunca passasse, que eu inclusive achava e acho acho bastante imoral e indecente que nos digam “vai passar” porque às vezes não passa, às vezes nunca passa, só se abrem uns novos horizontes e novas fés em algos. assim, nos plurais. porque é preciso que haja plurais, muitos, para fazer adormecer uma dor muito grande, uma dor que às vezes não passa nunca,

feito uma ferida de queimadura esperando a pele nova nascer por cima, uma pele que nunca se esticará até ali, só vai tentar um pouco, mas nunca um completo,

pois nessa incoerência absurda de qualquer chamado eu teria ido e teria evitado e abraçado todas as possibilidades de nos fazer crer em novos horizontes, que chegam sim, para ficar ao lado desse, desse horizonte que é parede escura e tá bem na nossa cara, sem frente, sem perspectiva, que só existe se for assim, mas eu nos faria crer em todos os outros,

eles demoram, demoram um tanto, mas aparecem, nos convidam para vivê-los sem que esqueçamos desse outro, a parede na cara, o escuro e o medo, mas existem.

e eu garantiria por muitos segundos, anos inteiros, que isso seria possível.

teria ido correndo, sem voltar, teria ficado.

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