Sem talvez e nem metades

Odeio cabelos molhados grudados em copos ou pratos. Odeio quando saio na rua, depois de um banho impregnado de cheiros, e cruzo com fumaças, especificamente de cigarro. Esgano, com os olhos, o portador do mau odor. Odeio, por força do hábito, passos de lesma que me impedem a passagem. Ou zigue zague displicente na calçada, buzinaço no trânsito, a lentidão do garçom, homem de papete, comida com pimentão, milho, azeitona e ervilha.

Amo as flores, todas elas; o contraste com o real e como elas me fazem abrir um sorriso involuntário de canto de boca e me deixam em paz. Ouço repetidamente as músicas que gosto, até esgotar a vontade. Tenho fascínio por cães dóceis e eles também me fazem sorrir, assim como as crianças, apesar da não vocação pra mãe. Adoro perfumes suaves e o aroma que fica quando uma pessoa passa.

Adoro chuva e a odeio. Adoro família e amigos — na maioria da vezes. Prefiro cães à gatos, doce à salgado, seco à molhado, sol à nublado. Qual sua cor preferida?

Odeio o talvez assim como odeio metades. Metade de você não serve. Pode ser que você não entenda, mas quando teu olhar penetra em mim sinto um terrível conforto e falta de dúvidas. Falta-me as palavras e ainda assim digo tudo que jamais saiu de mim.

Não, não pretendo te propor casamento, mas o apresentaria aos meus amigos íntimos. Segurar tua mão enquanto ando não me incomoda e tenho saudade do teu toque enquanto você fala do outro lado da mesa. Não consigo segurar o olhar no teu por muito tempo, mas é que não consigo parar de mirar tua boca rosada e a covinha do teu rosto.

O teu sono permanente combina com a minha preguiça eterna, podemos ser e estar na mesma cama. Também adoro sushi, pode ser nossa senha secreta. Tenho pânico de filme de terror, mas se você prometer me cuidar, deito no teu peito e tremo de medo só pra te ter mais tempo por perto.