Fonte: Mike Jupp

A ULTIMA GOTA — ARCO 1: A ESPERANÇA PODE SER TEIMOSA

A.1.Capítulo XI: Descompressão

Brasil, Litoral Paulista, Cidade de Águas Rasas. Tempos atuais.

Este é um romance de ficção com elementos de fantasia, para maiores de 18 anos. Pode conter cenas fortes. Clique para: ir ao índice; ou introdução da obra.

Mandou um e-mail para o Renato. Tudo que ele precisava para comparar o desempenho do comércio da cidade neste ano com o do ano passado estava ali. Bastava revisar e publicar a matéria no portal online.

Desligou seu computador e saiu, despedindo-se dos demais colegas da redação com um aceno tímido.

Pela primeira vez em duas semanas o estágio foi menos torturante. Na verdade, foi ligeiramente prazeroso. Lucia ainda estava sob o efeito da maravilhosa sensação de estapear o rosto de Pedro. Era como sobreviver após um terrível confronto com um dragão colossal… Não, aquilo não era uma das histórias fantasiosas que seus irmãos (e ela) tanto adoravam.

Mas ainda assim, não podia deixar de saborear a sensação de liberdade. A sensação de despedaçar grilhões invisíveis.

Claro que nem tudo eram flores. Ainda temia se deparar com Pedro ao virar uma esquina. Mas fazia um esforço constante de se convencer de que o rapaz poderia ser muita coisa, menos burro. Pedro sabia que Rodrigo era um dos melhores advogados da região, uma fama conquistada por esforço próprio e em menos de um ano. Pedro também sabia que Rodrigo tinha sido da polícia militar. Lucia apostava que o rapaz faria a acertada suposição de que Rodrigo ainda mantinha muitos contatos, tanto na corporação quanto no exército.

Ela saiu do elevador, indo para o bicicletário com um sorriso suave nos lábios. A tranquilidade parecia voltar a fazer parte de sua rotina. Estava ciente do fato de ter escolhido acreditar nas palavras de Pedro. Acreditar que não fora, efetivamente, violentada… Apesar de a situação toda não deixar de ser absurda e revoltante. Uma falta de respeito completo. E sim, uma violência. Mas uma violência um pouco mais suportável…

No entanto, ainda havia um desconforto. Como uma gripe forte que demora para passar. Após a pior fase, a febre e a dor no corpo partem, mas deixam um nariz entupido ou uma garganta inflamada para trás. Era assim que se sentia, com uma sensação latente de serviço inacabado. A vergonha que passou estava marcada na sua mente com a mesma eficiência com que o ferro em brasa marca a pele. Sentia vergonha por ter precisado (novamente) da ajuda de Rodrigo. Mas, acima de tudo, tinha raiva de si mesma. Deveria ter sido mais forte. Deveria ter enfrentado Pedro. Deveria ter feito um boletim de ocorrência.

Esse arrependimento ainda devorava sua alma.

Seu celular apitou, indicando mais uma mensagem. Lembrou de que tinha muitas mensagens não lidas e, antes de subir na bicicleta, conferiu o celular.

(13:30) Rodrigo: Lu, o que acha de você convidar seus amigos para comer pizza e assistir um filme lá em casa?

(13:32) Luana: Juro que se n receber notícias suas hj, n precisa mais falar comigo!!! 😬 😬 😬 Estou preocupada com vc e vc n tem a decência de dar um sinal de vida… 😭 😭 😭

(14:32) Vitor (Grupo da Faculdade): Pessoal, onde vcs vão passar a virada do ano? É semana que vem, já!!! Por opção do meu bolso, ficarei na cidade. Quem ficar avisa ae, vamos marcar de nos encontrar na praia, em frente ao Marina’s Bar.

(16:00) Flavia (Grupo da Faculdade): Vou passar a virada aqui tb, com o meu gato (claro né!). 😉 E vcs meninas?

(16:01) Flavia: Lucia, está melhor? Qria combinar algo com vc e a Luana. Uma noite das meninas!!! Vitor vai jogar aqle campeonato estúpido de Fifa aqui com o meu irmão e uns amigos deles. Não qro estar presente pra ver o lado infantil do meu namorado. Então, topa?

Lucia notou que sorria, e que estava parada no meio da calçada. Subiu na bicicleta, ainda fitando a tela do celular.

Digitou rapidamente:

(18:10) Lucia: Luanaaaaa!!! Desculpa, prometo pagar com juros a minha rebeldia! (Rsrsrsrs). O q acha de eu e a Fla irmos no seu ap, hj a noite? Vamos pedir pizza (de chocolate, de preferência). Vamos beber muito. Vamos falar muita merda. O q acha?

(18:11) Lucia: Responde logo! Acabei de sair do estágio…

Deixou tocar um reggae e começou a pedalar vagarosamente.

Seu celular apitou momentos depois.

(18:13) Luana: Topo!!!! EEEEEEEEEEBBA!!!!! Pensei que ia ter q te pedir “risque meu nome da sua agenda! Esqueça meu telefone, não me ligue maaais!!” Hahahahahahaha. Vou avisar a Flavia agora mesmo. Noite das meninas!!! Girl Power!!! Já vem pra cá!

Lucia riu (quase gargalhou), com a referência da música sertaneja. Típico da Luana, que não perdia oportunidades (até mesmo criava oportunidades) para mostrar o orgulho que tinha de Goiás. Aproveitou o semáforo vermelho na ciclovia e escreveu a última mensagem do dia.

(18:18) Lucia: Oi Rô, as meninas combinaram de se encontrar no ap da Luana. Estou indo pra lá agora (vou dormir lá). Mas adorei a sua ideia, podemos deixar pra amanhã? Bjos!!! (E obrigada, por tudo!!!)

- Meu, lembram daquele vídeo que o Pedro nos mostrou?

- Flavia! Você vem falar de Pedro? Sério mesmo?

- Ai! Desculpa! Desculpa Luana — Flavia derramou um olhar triste para Lucia — Foi mal. Foi sem querer… Você acabou de falar do fim do seu namoro e eu aqui, já citando o infeliz.

- Pois é — resmungou Luana — Ela acabou de falar disso…

- Tudo bem — Lucia tranquilizou as meninas. Seu relato sobre o término do namoro foi bastante evasivo, disse apenas que Pedro foi um estúpido naquela noite e que discutiram feio. Não entrou em maiores detalhes. — Tudo bem, de verdade. Além do mais, a Flavia ia falar do vídeo, certo?, e não propriamente do Pedro. Continua aí, Fla.

Flavia passou as garrafas de cerveja para as outras duas e deu uma mordida generosa no seu pedaço de pizza.

- Hum… Essa de calabresa e catupiry está sensacional… Mas então… Vocês viram a doideira que está acontecendo por causa daquele vídeo? Já faz duas semanas e todo mundo ainda discuti se é falso ou não.

- É, eu vi no programa Sessenta Segundos, do Portal 3A.

- O que significa Portal 3A, Lucia?

- Ai Luana, eu esqueço que você não faz jornalismo! Foi mal… Significa Agenda de Águas Rasas.

- Ué… Mas… Onde está o terceiro A?

- Então, é uma história ridícula… — começou Flavia, mastigando outro pedaço de pizza — Parece que foi um repórter que cometeu um vacilo, anos atrás. Ele fazia a cobertura da greve dos funcionários públicos da cidade… Puta merda!, que pizza gostosa, vou engordar muito desse jeito…

- Então — continuou Lucia. — Ele chamou o pessoal do estúdio, no programa Jornal Águas Rasas, dizendo algo do tipo: Aqui é Bruno Sei-lá-o-quê, sempre esqueço o nome dele…

- Agarelli — corrigiu Flavia.

- Isso. Aqui é o Bruno Agarelli, para a TV 3A. É com vocês aí no estúdio.

- Mas como assim: 3A? — Luana virou um longo gole de cerveja.

- Então, alguns professores que nos contaram essa história disseram que esse Bruno Agarelli sempre foi bem… Como os professores chamavam, Flavia?

- Espirituoso! — ajudou Flavia, mastigando. — Bruno Agarelli sempre foi bastante espirituoso. Um fanfarrão de primeira. Ele era colunista do jornal impresso, Agenda de Águas Rasas, mas também virou repórter do Jornal Águas Rasas, depois de seus vídeos de entrevistas fazerem sucesso na internet.

- É… — retomou Lucia. — Vimos alguns vídeos dele, e algumas reportagens que fez pra TV. Ele era bom, mas…

- Mas o quê? — Luana esperava o desfecho da história.

- Como assim: mas o quê? — riu Lucia. — Mas ele não sabe contar, óbvio. Até porque, Jornal de Águas Rasas só tem um A. Ele se confundiu com Agenda de Águas Rasas.

- Que ainda assim não tem os três As — completou Flavia.

- Sério? É isso? E essa é a origem dessa gíria interna de vocês?

- A Flavia avisou que era uma história ridícula.

- É horrorosa! — revoltou-se Luana, rindo. — Nossa… É muito ruim! E qual foi o fim desse Agarelli? Voltou pra internet, suponho.

- Foi, mas não por isso… — explicou Lucia. — Um dos âncoras perguntou: Bruno, desculpe perguntar, mas por que você disse TV 3A? Mas o Bruno respondeu de imediato, descontraindo: Ora, Agarelli no Agenda de Águas Rasas. Então o âncora devolveu, também rindo: Certo, mas você sabe que está no Jornal Águas Rasas? Bruno, você sabe contar?

- Foi uma brincadeira tranquila — continuou Flavia — Mas a reação do Agarelli ao ser corrigido é que foi ótima, e que marcou. Ele esqueceu que estava no ar, soltou um: Ah, vai se foder! Disse isso sem ser ofensivo, sabe? Acostumado com a internet. Mas ele estava na TV né? E ao vivo. Os dois âncoras ficaram uns segundos em silêncio, constrangidos. Esse vídeo virou um meme entre os jornalistas, e agora chamamos Portal 3A tudo que for relacionado ao Grupo de Comunicação Águas Rasas, seja jornal impresso, site, canal de TV, enfim…

- Certo… — concordou Luana com a cabeça, tomando mais um gole de sua cerveja. — Que história merda, hein! Vocês jornalistas… tsc-tsc.

- Pois é… — Lucia deu de ombros, achando graça da decepção da amiga. — Mas o vídeo realmente virou febre.

- Pois é — imitou Flavia. — Agora voltando ao assunto do vídeo bizarro lá, aquele do cara com superforça. Meu irmão falou que estão preparando um programa com esse vídeo. Vão passar no canal do Youtube do Portal 3A.

- Vocês acreditam mesmo nisso? Vocês duas fazem jornalismo e acreditam em tudo o que veem? Credo! Esse vídeo é falso. Também desconfio daquela notícia ridícula de que a mulher matou o cara no motel e fez canibalismo.

- Ah… Sei lá, Luana… Tem cada maluco nesse mundo…

- Pelo amor, né Lucia! Não, isso é notícia inventada, só pode.

- Sei não… — disse Flavia, séria — Eu já quase passei por isso…

As outras duas olharam de lado para a amiga, ambas numa pergunta muda.

- Você ainda não sabe Lucia… Eu e Vitor ficamos sozinhos no fim de semana passada. A mãe dele viajou a trabalho… Então…

Luana engasgou com a cerveja.

- O que tá havendo? — perguntou Lucia, mudando de preocupada para cautelosa.

- Finalmente eu consegui gozar!

Luana cuspiu um pouco de cerveja, falhando em controlar a risada.

- Mas o que eu tenho a ver com isso? — soltou Lucia, incrédula. — E que porra isso tem a ver com a noticia de canibalismo?

- Caralho! Nunca fui tão bem comida!!!

As três caíram na risada.

- Tá, confesso que essa foi terrível.

- Nossa, foi uma escrotidão só! — apesar da revolta, Lucia ainda ria. — Você está andando demais com os amigos do Vitor.

- Claro, uma das minhas amigas sumiu, né? Mas era isso que eu queria contar pra vocês. Bem, a Luana já sabe, claro… Mas tomei coragem e testei fazer anal. E deu super certo!

- Mas… Porra Flavia, desde quando eu me interesso pela vida sexual de vocês?

- Ah, para com isso — provocou Luana. — Você finge que não gosta de falar disso, mas fica bem atenta quando surgi o assunto.

- Mas daí a dar detalhes, nesse nível…

- Confessa, Lu — Flavia ria abertamente. — Foi divertido. Você não esperava.

- Não esperava mesmo… Então finalmente resolveram esse problema?

- Ah, resolvemos sim, e como resolvemos! Eu tava angustiada, não tinha prazer quase nenhum!

- Vamos lá, agora que estamos as três aqui juntas, fala aê — pressionou Luana. — Foi de boa?

- Não… — começou Flavia. — No começo foi bem tenso… Até que lembrei do seu conselho. Aí… Puta merda… Puta merda…

- É ou não é uma delícia? E tem quem não goste… É cada uma…

- Oh… Sério, Lucia, você tem que experimentar.

Lucia, que se limitava a ouvir, calada, fingiu ter acordado de um sono profundo. Nunca ficava à vontade quando as amigas falavam de sexo — principalmente com aquelas duas. Depois do que houve com Pedro então, sexo, literalmente, era algo que não lhe trazia boas recordações…

- Não finja que não está ouvindo — disse Luana, rindo e virando sua garrafa de cerveja. — Nisso que dá, criada por um policial militar, tá vendo? Os tempos são outros, Lu!

- Dessa vez eu concordo com a Luana — completou Flavia. — Agora eu sei que eu e Vitor damos certo. Nossa… só de lembrar… Já me dá água na boca…

- Não consigo pensar nessas coisas… Ainda não… — Lucia deu um sorriso amarelo, como se pedisse desculpas. Mudou de posição no sofá, desconfortável. Aquele papo já tinha rendido mais que o suficiente.

- Ah, mas vai pensar — provocou Luana, mais um pouquinho.

- Como assim: vou pensar?

- Deus do céu, garota — Luana lançou as mãos para o alto, num gesto de reza. — Agora que você finalmente terminou com o lixo do Pedro… Com aquele Rodrigo morando com você…?

- Luana! — Lucia estava chocada, de verdade.

- É mesmo — corroborou Flavia. — Vai dizer que você nunca imaginou? Você e ele? Hein?

- Não! Claro que não… Ele era amigo do meu pai, me ajudou…

- Amiga, na boa — Luana sentou na ponta da sua poltrona, seus olhos verdes faiscando. — Dá pra ver a maneira que ele te olha. Ele pode ter sido amigo do seu pai, mas o cara tem o quê? Uns trinta-e-poucos, no máximo?

- Ele tem 29…

- Exato!, ele não é nada velho.

- E o mais importante — disse Flavia, contente por conseguir falar daquele assunto. — Ele é lindo e parece ter aquela pegada…

- Tá, ele é bonito, atencioso e educado, e blá-blá-blá… Mas não o vejo como homem — Lucia tentou uma última esquivada.

- Você é lésbica Lucia? — Luana perdeu a paciência.

- Eu? Não! Por quê?

- Não vejo problema nenhum nisso, você sabe… — Luana deu uma piscada marota pra ela. — Mas se você não é lésbica, então, pelo amor de Deus… PARA DE MENTIR PRA VOCÊ MESMA!

- É! — Flavia bateu palmas. — Admita que você se imagina transando com ele. Porra… EU me imagino transando com ele! — e aqui a expressão da Flavia ficou dura como aço. — E se uma das duas soltar isso pro Vitor, eu mato vocês hein!

- Não, não! Relaxa — disse Luana. — Eu também fico imaginando como deve ser a bunda dele…

- Só você mesma — provocou Flavia. — Que bunda dele o quê! Eu morro de curiosidade pra saber como é o p…

- Ei, ei, ei! — aquilo era demais pra Lucia. — Qual é, meninas, estou aqui!

- Sabemos! — responderam as duas, juntas.

- Um pouco mais de respeito então, né?

- Só se você admitir — retrucou Luana, séria.

- Admitir o quê?

- O óbvio, ué.

- Para com isso…

- As vezes eu imagino ele pelado…

- Puta merda, Flavia! — Lucia ficou em pé, sem se dar conta. De repente, tudo o que queria, era explodir. Desnudar-se para o mundo. — Tá bom, tá bom! É isso que vocês querem ouvir? Eu adoro o Rodrigo! Tá bom assim?

- Na verdade, não está não… — disse Luana, numa careta de nojo.

- Põe pra fora logo — pressionou Flavia.

- Eu… Eu… Eu morro de tesão por ele…

- Nã… Você é capaz de fazer mais que isso — disse Luana, abrindo outra garrafa de cerveja.

- EU AMO O RODRIGO!!! — Lucia afundou no sofá em prantos.

- Eu amo o Rodrigo?

- Finalmente! — Luana sorria de orelha a orelha. Estava ajoelhada na frente do sofá, fazendo carinho nos joelhos de Lucia.

- Viu? Aposto que isso já resolve metade dos seus problemas — Flavia também a consolava, deitando a cabeça dela em seu ombro. — Mas, me responde uma coisa: pra quê tanto choro?

- Não sei… — Lucia fungou algumas vezes. Aceitar aquilo que já sabia (e que fugia há, pelo menos, dois anos) lhe deu uma sensação de torpor que se espalhou pelo corpo todo. Foi como uma explosão: rápida, intensa e desgastante. Fungou mais algumas vezes e secou as lágrimas. — Vocês sabiam?

- Todo mundo sabia! — Luana ainda sorria, feliz pela amiga.

- Pra você ter uma ideia — disse Flavia. — Até mesmo o Vitor, veja bem, o Vitor!, me perguntava quando vocês iam ficar juntos.

- Não conhecemos o Rodrigo — Luana foi até a geladeira e pegou cerveja para as outras duas. — Mas sempre que ele ia buscá-la na faculdade, ou quando nós íamos ver algum filme na sua casa, era impossível não notar. Ele só tem olhos pra você. Mesmo quando aquela loira está por perto.

- E, convenhamos — sussurrou Flavia. — Aquela tal de Carla consegue chamar bastante atenção. E ela sempre quer atenção.

- Pois é — concordou Luana. — E mesmo assim ele só tem olhos pra você. E você, mocinha — ela apontou um dedo acusatório para Lucia. — Sempre dá um jeito de olhá-lo quando ele não está prestando atenção. Fazendo charminho. Pensa que não reparamos? Ajeitando esses seus cachos que eu amo!

- É… — Flavia se divertia com a amiga. — Luana tem razão. Cruzava as pernas na hora que ele aparecia, só pra mostrar o que todo mundo já sabe: que você tem duas pilastras no lugar das coxas, e uma bunda que me irrita! Queria eu!, não ser toda magrela…

- Eu também.

- Cala a boca Luana, você é ruiva de olhos verdes. Eu sou a mais sem graça daqui, Ok?

Lucia, que do choro pulara para um sorriso aberto, agora gargalhava. Definitivamente, precisava passar um tempo com suas amigas.

- Pois é… — disse ela, ainda sorrindo. — Não sei explicar por que diabos neguei isso tudo. Portanto, agora eu tenho duas coisas pra pedir. Ou melhor, exigir!

- Pode dizer — Luana ficou na expectativa, já imaginava o que viria.

- Primeiro: nada de falar dele, na minha frente, como vocês fizeram agora à pouco. Ok?

- Como assim? — Flavia pois um dedo no queixo, pensativa. — Quando digo que tenho curiosidade em vê-lo pelado, não estou mentindo.

- Flavia? — Lucia apertou os olhos numa ameaça (quase) fingida.

- Brincadeira! Pode deixar. Isso é fácil.

- Qual a segunda exigência? — perguntou Luana.

- Pensar em como posso mostrar pro Rodrigo que eu gosto dele. Quer dizer, não quero ser uma vadia, ele namora a Carla, e eu tenho uma dívida com ela.

- COMO É QUE É? — gritaram as duas, juntas. — VOCÊ TEM UMA DÍVIDA COM A CARLA?

- É… — Lucia encolheu os ombros. — Uma longa história e, juro, não quero contar hoje. Só imaginem que, para eu sentir que tenho uma dívida com aquela mulher, coisa boa não é… Mas enfim… Posso contar com a ajuda de vocês?

- CLARO!!!

Nota do Autor: este projeto trata-se de uma obra de ficção, de modo que as opiniões das personagens não refletem, obrigatoriamente, a opinião do autor.
Fiquem a vontade para comentar sobre o trabalho (por favor, respeito!). Se preferir, mande e-mail para: contato.ultimagota@gmail.com.
A publicação é semanal, toda quinta-feira as 18:00 (sim, mudou), no entanto isso não é uma promessa (pode ocorrer atrasos).
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