Ju Do Vale
Apr 12, 2017 · 6 min read

O trânsito não é formado apenas por motoristas e motoqueiros, é também por pedestres, ciclistas e qualquer outro tipo de coisa que esteja pelas ruas.

Reprodução.

Desde que tirei a minha carteira de motorista, à 8 anos atrás, tenho sentido na pele a dificuldade que motoristas responsáveis sofrem todos os dias. E, hoje, vim aqui falar sobre um assunto que anda me incomodando muito, a responsabildiade no trânsito.

É cada vez mais visível o aumento de carros e motos nas ruas e com isso, inevitavelmente, também se observa o número de acidentes acrescendo sem parar. O que as pessoas muitas vezes esquecem é que o trânsito não é formado apenas por motoristas e motoqueiros, mas também por pedestres, ciclistas e qualquer outro tipo de coisa que esteja pelas ruas. Ou seja, a segurança DEVERIA ser responsabilidade de todos, mas quando acontece qualquer probleminha a culpa sempre vai para o motorista.

Deixa eu contar uma historinha antes de continuar…

Há um ano atrás estava eu saindo com minha família de Blumenau-SC, era um final de tarde de uma sexta-feira muito chuvosa. Quem tem o costume de viajar pra esse lado do país sabe que organização e sinalização não é forte das ruas de qualquer cidade e muito menos das rodovias. Pois bem, nessas condições, a saída da cidade de Blumenau (que já é ruim) fica um caos e estávamos enfrentando um engarrafamento, onde a pista que chegava na cidade estava completamente parada e o lado que saía (o que eu estava) andava a 40km/h ou nem isso.

Quando chove a visibilidade de uma pista fica muito ruim, pois as luzes dos carros refletem no asfalto e o que já é complicado de enxergar no escuro, piora ainda mais. Então, eu sempre ando com muita atenção e depois de um tempo no engarrafamento, eis que surge um pedestre no parabrisas do meu carro. SURGE mesmo, do além. Eu não o vi, não tinha como eu ver quele ser.

Meu marido desceu correndo do carro e, enquanto eu parava no acostamento, foi dar socorro ao moço sem noção que atravessou a rodovia. O que mais nos assustou foi o fato de a pessoa estar embaixo de outro carro, mas graças a Deus, segundo relatos, o outro carro não passou por cima dele e haviam visto que a culpa não era minha pois o pedestre simplesmente saiu correndo e não parou em nenhum momento.

Chamamos o socorro e foi diagnosticado que o pedestre estava embrigado, mas estava bem, porém sem documentos e foi identificado por moradores da região como andarilho.

Eu nunca havia me envolvido em um acidente e não sabia o que fazer, só fui informada de que não podia sair dali enquanto a polícia rodoviária não liberasse meu carro e enquanto isso, liguei para o seguro ir nos buscar.

Quando o policial chegou perguntei como seria o procedimento e ele me disse que a minha parte eu diz e me deu 2 informações importantes: (1) dali um tempo eu seria chamada para depor na delegacia e (2) não era para eu ir atrás do pedestre, pois é comum que em situações como essas a pessoa ou a família tente tirar dinheiro do motorista.

O guincho chegou e voltei para casa em Blumenau, pois não podia seguir viagem naquele dia. Naquela noite eu não consegui dormir, chorei praticamente a noite toda pois estava me sentindo culpada e por meses eu fechava os olhos e via a cena do acidente.

Só sei que tenho medo de sair de casa todos os dias e não consigo mais andar de carona com ninguém, pode ser o melhor motorista do mundo, eu tenho uma crise muito louca de medo o trajeto todo é como se só existisse segurança quando eu estou dirigindo pois tenho o controle absoluto da situação, sabe?!

Com isso passei a, ao invés cuidar de mim, cuidar dos outros… cuidar do pedestre sem noção que acha que é certo atravessar metade da rua, parar no meio para esperar o carro do outro lado passar e só depois atravessar o resto; cuidar dos imbecis que querem me ultrapassar porque acham que andar a 60km/h em uma rua que a velocidade permitida é 60km/h é coisa de gente lerda e mal mudam de pista para começar a empurrar o meu carro e voltar para o lado direito; cuidar do ciclista idiota que tá vendo que a rua não tem espaço para manter a bosta do 1,5m de distância e mesmo assim acha que é o dono da rua; cuidar do motoqueiro retardado que acha que andar no corredor é correto e ainda buzina, chuta o carro e xinga o motorista.

Não tem um Santo dia que eu saia de casa e não veja uma cagada na rua. Me desculpe se você está achando esse texto muito cheio de palavrões, mas a burrada que as pessoas fazem é tão grande, mas tão grande que merece ser chamada de CA-GA-DA e não é só de motoristas não, tá?!

Queria saber em qual auto-escola essas pessoas estudaram, porque não é possível que não aprenderam nada, não é possível que não tenham medo de morrer…

Por isso eu volto a dizer: O TRÂNSITO É RESPONSABILIDADE DE TODOS. Não venha colocar culpa apenas em um personagem dessa historinha porque você pedestre que atravessa fora da faixa ou que atravessa na faixa, mas quando o seu sinal esta fechado, ESTÁ ERRADO e deveria ganhar multa também.

Aliás, eu acho que TODOS deveriam ser obrigados a frequentar aulas de trânsito que ensinassem coisas que, quem não está dentro de um carro ou quem nunca dirigiu, não tem noção que aconteçam como uma coisa chamada “ponto cego”, que dependendo da onde a donzela está parada no meio da rua para atravessar, não dá para vê-la.

Outra coisa é que deveriam ter placas por aí dizendo que é PROÍBIDO andar no corredor e que a moto tem que ocupar o espaço de um carro.

Ah, e outra coisa, 1,5m é balela! Afinal, temos pouquíssimas cidades preparadas para isso e, meu querido ciclista, tenha um pingo de noção e evite horários de pico para não ser atropelado, coloque refletores na sua bike, ande no sentido da via e quando o sinal fechar, PARE junto com os carros, porque eu mesma já fui quase atropelada umas 500x quando estava atravessando na faixa porque muitos acham que a regra não incluí bicicletas.

Aí inventam essas porcarias de campanhas do tipo "maio amarelo" toda voltada para motoristas como se só eles fossem os culpados. Aliás, meu acidente aconteceu exatamente no mês de maio e, na empresa em que eu trabalhava, teve um palestrinha ridícula de conscientização para os motoristas. A minha vontade era de dar na cara da pessoa que inventou essa droga de campanha. Espero, de coração, que a desse ano tenha um objetivo diferente e mais abrangente.

Mas ok, um dia teremos os carros inteligentes e não precisaremos mais dirigir. Enquanto isso, só nos resta conviver diariamente com esse bando de acéfalos que andam nas ruas.

Não gostou desse texto? Pare e pense nas suas atitudes, talvez você faça parte da galera sem noção.


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A Vida depois do Sim

Esta é uma coleção com dicas, inspirações e reflexões para vida a dois. — Por Ju do Vale

Ju Do Vale

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Formada em Design, especialista em UX, Primeira Dama do Jhony, mãe da Lily e criadora do canal Meu AUmigo Cão no Youtube.

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