Contra maré

Você já ouviu sobre aquela história fofa das Estrelas-do-mar? Segue ela aí:

Era uma vez um escritor que morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele caminhava à beira do mar para se inspirar e à tarde ficava em casa escrevendo. Certo dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um jovem que recolhia estrelas-do-mar da areia para, uma por uma, jogá-las novamente de volta ao oceano.

“Por que está fazendo isso?”- perguntou o escritor.

“Você não vê?” — explicou o jovem — A maré está baixa e o sol está brilhando.

“Elas irão secar e morrer se ficarem aqui na areia”.

O escritor se espantou.

“Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo a fora e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma”.

O jovem pegou mais uma estrela na praia, jogou de volta ao oceano e olhou para o escritor.

“Para essa aqui eu fiz a diferença”.

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem, se uniu a ele e, juntos, começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

É de um autor desconhecido. Aliás, ter o nome reconhecido não tem a mínima importância quando você entende certas coisas.

Estamos nesse mês falando sobre Prostituição Infantil.

É tão cruel e tão real. Qualquer exploração humana é inaceitável, deveria ser.

Dá nojo, dá raiva, desespero, dor, angústia, a única coisa que não dá é para entender.

A corrupção interior de quem é capaz de consumir;

A frieza de quem é capaz de explorar;

Os “10 conto” de um programa que viola um corpinho;

Os “milhões de conto” para vistas grossas.

Enquanto houver demanda haverá oferta? Realmente não importa essa resposta. É o mesmo que analisar que enquanto houver maré haverá estrelas-do-mar mortas na praia.

Se o mundo tivesse problemas menores, seria mais fácil acreditar na transformação. É o mesmo que imaginar se o oceano fosse pequeno se tornaria viável a resolução da morte daquelas estrelas.

A culpa é do sol. Do governo. Dos pais. Do país. Da areia. Do dinheiro. Da onda. Do sistema. Da natureza. Não, vamos parar de procurar culpados. Há cenários com altas chances de reversão. Quem vai agir e transformar o destino de uma, apenas uma estrela do mar, sem achar que foi inválido, perda de tempo ou irrelevante diante da dimensão do problema?

E como explicar isso para quem está na praia com suas vidas cheias de preocupações, compromissos e sonhos? O tom do bronzeado, o tamanho do peito, a gordurinha da vizinha, o próximo final de semana, a dívida, o lucro, a próxima casa, a falta de um filho, o trânsito, a crise e a dor na coluna.

Bom, quanto à prostituição infantil a única certeza que temos é que enquanto houver conformismo e passividade vai piorar.

O que realmente importa é fazer algo a respeito, se mexer, se conectar, se mobilizar: pensando, falando, multiplicando, criando e fazendo.

Não despreze devolver uma estrela apenas de volta ao oceano. Impactar uma vida faz total diferença.

O A4K acredita no poder de ação de um, do poder de influência de dois, do poder de impacto de milhares e da transformação de milhões.

Não deixe de acreditar. No começo vai parecer coisa de doido mesmo.

Se você é uma estrela que foi resgatada, não deixe de contar sua história e continue a corrente, por gratidão, por prova viva de que dá certo.

… E se uma multidão se levantasse na praia para fazer junto?