Ninguém pode comprar o futuro de ninguém

CARA OU COROA?
GENTE OU COISA?
VALOR OU PREÇO?
USA OU DESCARTA?
VENDE OU USA DE NOVO?
SUBORNA OU ESCONDE?

Parece trocadilho bobo, mas são questões que fazem parte do dia a dia de quem trabalha com tráfico.

Tráfico de gente.

Gente como eu e você.

Gente como o seu filho.

A sua mãe.

Aquela sobrinha que tem um sorriso lindo.

É #TráficoHumano.

O tráfico que carrega “humano” no nome, mas está na lista das coisas mais desumanas que se pode ver.

São pessoas.

Mas são tratadas como objetos de consumo.

Não deveriam ser mercadorias.

Mas viraram números.

Moedas.

Trocas.

Com alto preço. Ou baixo.

E nada de valor.

Na real, é o cúmulo da desvalorização humana.

Ou melhor, é o cúmulo de tentar atribuir preço a alguém a quem deveria ser atribuído valor.

O que eles chamam de tráfico humano nós podemos chamar de escravidão moderna. A prova de que algumas pessoas estão regredindo no processo que seria de natural avanço.

Vamos falar de escravidão?

Sob a dureza dos chicotes escravos construíram a Mesopotâmia e os grandes impérios e forças políticas da antiguidade como a Índia, China, Egito, Grécia e Roma. Um pouco mais próximo das terras tupiniquins, escravos foram o impulso que registrou os astecas, incas e os maias na história da humanidade.

Parece válido se for para um bem maior, não?

Que tipo de bem maior é esse que estamos falando?

Com escravos, muitos homens e nações enriqueceram a custo da exploração humana. Só da África, é estimado que cerca de 6 milhões de escravos foram trazidos para o Brasil. O número é grande. Assusta. E pode ser ainda maior se considerarmos outros registros históricos.

Mas se nós disséssemos que em 2016, 21 milhões de pessoas foram traficadas e vendidas como escravas, você acreditaria? Acreditando ou não, é a realidade. Sim, esse número é real.

Isso deveria irritar você ao ponto de se mover.

Deveria gerar um turbilhão de sentimentos no teu interior.

Você estudou na escola sobre uma escravidão de muitos anos atrás e isso já era um assunto difícil de aceitar.

Continua a acontecer.

Mas por que parou de incomodar?

Ninguém pode comprar o futuro de ninguém.

Ou pelo menos não deveria.

Você não pode mudar o passado.

Mas pode transformar o futuro.

E alguém tem que começar.

Que não seja o próximo, mas você!