A última coisa que eu quero é morrer agora
A vida passa muito rápido. Eu, coletivo de uma pessoa só, aos trinta e quatro anos, perto mas longe de casa. Decidi, pelo menos uma vez, ser passional na vida. Me lancei e pouco a pouco aprendo a voar. A cada voo trago um novo artefato para compor nosso ninho.
Sou menos,
nunca mais,
sempre em reforma,
nunca em construção
O ninho é um refúgio, não uma morada. A moradia é minha alma e o solo é o coração. Imaginava ser um terreno frágil, de origem incerta. Só que não. A cada dia que passa, a cada dia que você passa, solidificam-se as estruturas. Mesmo que de vez em quando apareçam algumas rachaduras, é gratificante pouco a pouco preenchê-las com você — hóspede da minha paixão.
Se não tem amor, a gente inventa. Se entro em órbita com você é porque sou um astronauta amor. Se afundo em esplendor, a culpa é da lua, que brilha em nome de nosso amor. Se me chamarem para sair, melhor não pedir, que eu não vou ir, não quero ir. Eu sou mais você.
Se não posso dormir em seus braços, basta ser acolhido por suas palavras. Um dia você vai. E deixará a casa pronta para outra pessoa habitar.
A última coisa que quero é que você vá embora hoje.