Toda forma me provoca.
Assim, após começar a conhecer Fayga, Hilst, Bethânia, Gal, o ventre, o caldo, de mulheres que me fiz mundano. Com Bukowski, Almodovar, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Nelson Rodrigues e Leminsky fiz me libertino.
Prata e Duvivier me tornaram jovem, poeta. Trivial, como um bom conto que sempre pede um contraponto. Ha , Vinícius, como pude me esquecer de você?
Lembrei-me de um estudante de publicidade que topou comigo numa instituição de ensino (e meias-verdades) superior. Seu nome era Olindo. Olindo era de uma feiúra indescritível, que de tão feio tornava-se especial. Olindo não era lindo. Era somente Olindo. Condenado a carregar este peso, do nome, sem direito de escolha, de ser Olindo. Olindo era um cara feliz.
Não acredito em contratos. Acredito em pessoas que faliram. Pessoas que faliram são confiáveis, tem histórias, experiências e ensinamentos para compartilhar.
Quem nunca acertou?
Ok, eu também não acredito no Beatles. Não acredito que Paul morreu, que Lennon era cool e os outros mal me lembro do nome. Mentira, Ringo e George. Ringo era Olindo.
As instituições não passam de convenções falidas. Estado, Igreja, Sociedade. Norma, não te sigo, #sdv? Assim como o meu coração, minha cama e minha vida. Nesta luta meritocrática, fiz da derrota o meu porto seguro. Descobri a imperfeição em você, meu torto. Um contrato que nunca irá se firmar. Uma instituição que já nasceu falida. Um pedaço de vida entre a Progresso e a Anchieta. Paralelas que nunca se cruzam.
Libertino sem pauta
prostituo-me
entre palavras
e lençóis
Nesta miscigenação entre os malditos, imperfeitos e anti-heróis, encontrei um caminho para viver da desilusão. Antropófago de mim mesmo. Na sina de Olindo descobri a verdadeira beleza da vida. Não concluo, porque a vida não merece terminar em um único ponto.
