Setembro, 2015.

Nesta data querida

Para tudo na vida é preciso começar. Um ponto de referência, uma imagem. É preciso definir espaços, aparar arestas. Convergir ou divergir, é preciso viver.

Para viver basta muito. Muito sonhos, desejos, realizações, amigos, abraços. Basta dedicar-se, doar-se, viver com o relógio como uma arma apontada para a sua cabeça. Como uma roleta russa: tic, tac, tic, tac. Bang!

Faça por você o que você faria para qualquer um.

Sinceridade dói. Machuca. Mas dignifica. Insista até cansar em correr atrás dos seus sonhos. Desafie o status quo. Na busca da sua essência, no labirinto do seu ser.

Sentiu-se para baixo, Marcelo? Levante estes olhos e admire as estrelas. Contemple a infinitude que a vida lhe impõe, todo dia, quando você abre os olhos. Razão e emoção caminham lado-a-lado, como irmãos. Mas irmãos também brigam.

A vida não passa de antagonismos ao avesso. Assim como seu coração.


Aniversário. O melhor e o pior dos meus dias. Assim como os finais de domingo.

Eu sou daqueles que amam comemorar. Mas, que em todos os sentidos e formas, nunca deu certo. Desde criança, todas as crises financeiras, comerciais, políticas e morais da família (incluindo mortes, acidentes, barracos) aconteciam próximo ao meu aniversário.

Lembro-me que por anos, enquanto criança, que era muito difícil acertar no que eu queria: se eu sonhava em ser como o Esqueleto, me fantasiam de He-man. Se eu pedia o disco do Nirvana, me davam o do Simpsons. Se eu queria lasanha, era macarrão.

Era tudo muito simples mas sempre foi de coração.

Crescendo, minha sorte não mudou muito. Continuei a ganhar presentes que nunca couberam, cores que nunca combinavam, sapatos em números maiores. Cuecas de seda, meias sociais, pizza. Muita pizza.

Comecei a acreditar então que eu deveria produzir minhas comemorações. Vivi 364 dias do ano tentando aprimorar e descobrir como melhorar aqueles aniversários. Como fazer para a conta fechar certinha no ano: ok, sempre contava com a reserva de R$300 para não termos problemas com o dono do bar. Reservar mesas e esperar os convidados: um sofrimento para o mais simples mortal imperfeito, torto, ansioso. Com o digital então: ferrou. Até que decidi não mais comemorar em bares e restaurantes.

Vai, Marcelo! ser gauche na vida.

Sempre imaginei como seria chegar em casa e ter uma carta de parabéns, diferente daquelas enviadas pelos vereadores e deputados. Ou ser surpreendido no decorrer do dia com uma surpresa. Festas surpresas nunca aconteceram para mim. Ainda bem! Sou desses que choram com a menor demonstração de carinho.

Nos últimos anos não tem sido fácil. A cada dia que passa não tem sido fácil. Controlar todo esse desejo, essa vontade, inferno astral. A ressaca do dia seguinte. A ausência dos dias.

Não sei se ainda estou preparado para um dia de festa. Não sei.

Tenho certeza de que tenho poucos, mas bom amigos. Tenho pessoas que me ligarão com a boca cheia de felicitações (como amo ouvir sua voz mesmo que por telefone). E tem os abraços. Como é bom receber abraços apertados, rostos colados, beijos estalados na bochecha, olhos nos olhos. Vale mais que qualquer presente. Qualquer presença não se compara a nenhuma mensagem de facebook, fria, impessoal, parabéns! Próximo.

Tudo que planejei, tudo que sonhei para este ano foi por água abaixo. Para este dia que ainda insiste em chegar. Não será especial se for um script, um roteiro programado. Não. Este ano vou deixar rolar. Estarei aqui para aqueles que importam. E também para os que importam mas não tem tempo. E também para quem não se importa. O que importa mesmo é deixar a idade aportar e abrir minha casa para que celebremos, encher meus pulmões para que cantemos bem alto, por mais um ano de realizações, surpresas, aprendizado, superação, dificuldades, tristezas e felicidades. Porque se teve algo que não mudou nesse um ano foi o coração que, mesmo apertado, continua cheio de amor.

Adeus ano velho. Feliz ano novo, Marcelo.


Neste link, você pode ver a carta que eu escrevi no aniversário do último ano, 2015. De lá para cá, aconteceu: http://goo.gl/STmQ6R


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