Embalagens inteligentes e suas aplicações no mercado

No artigo anterior, você conheceu as embalagens ativas, capazes de prolongar o shelf life de um alimento para que ele seja consumido mais fresco. Enquanto elas interagem com os produtos, um outro tipo de embalagem conversa diretamente com o consumidor: as inteligentes.

Mas o que elas são exatamente e como funcionam na prática? Entenda no texto desta semana.

Por que inteligentes?

De forma resumida, as embalagens inteligentes são tecnologias que interagem com o usuário, podendo comunicar alterações químicas, oscilações de temperatura e informações sobre a qualidade de um produto. Dessa maneira, consumidores não precisam confiar apenas no prazo de validade e no visual de um alimento para ter mais segurança na hora de comprá-lo e consumi-lo.

As embalagens inteligentes estão em contato direto com o produto e contém sensores que monitoram diversos fatores, como o pH e a temperatura da central de distribuição até os supermercados e as casas das pessoas. Por isso, elas são ferramentas simples que conseguem apresentar as condições reais de um alimento antes de seu consumo.

Embora essa tecnologia ainda não seja uma realidade para a produção em larga escala no Brasil, ela já existe em países como Estados Unidos e Japão. Um bom exemplo de embalagem inteligente é esta que mostra os diferentes estágios de maturação de uma pêra. Um indicador aplicado nela muda de cor ao reagir com o gás etileno liberado pela fruta com o passar do tempo. Assim, a pessoa pode escolher o melhor momento para consumir a pêra: quando ela está crocante e dura (vermelho), firme e com um sabor mais frutado (laranja) ou suculenta e macia (amarelo).

Embalagens inteligentes ajudam os consumidores a terem um controle maior de seus alimentos. Com isso, combatem o desperdício e incentivam um consumo mais consciente.

Outro bom exemplo de aplicação dessa tecnologia é o selo Bump Mark, desenvolvido pela designer norueguesa Solveiga Pakštaitė. Ele é feito com uma espécie de gelatina que degrada na mesma velocidade que o alimento dentro da embalagem. Quando o produto fica impróprio para o consumo, a superfície lisa do selo passa a ter relevos, alertando a pessoa.

É importante destacar que as embalagens inteligentes são úteis para o consumidor final, mas beneficiam a indústria como um todo. Nos pontos de venda, por exemplo, essa tecnologia ajuda a ter um controle maior sobre o momento mais indicado de reabastecer o estoque. Ela também informa quais produtos são mais indicados para aparecerem nas gôndolas (as frutas que já estão mais maduras, por exemplo). Dessa forma, o processo todo é simplificado e torna-se mais previsível, evitando as perdas de alimento.

As embalagens inteligentes são mais que uma interessante novidade. Elas oferecerem um valor real ao consumidor e é nisso que as indústrias e as marcas podem investir: informação precisa e experiência positiva para os clientes.