Crítica — As Viúvas

Novo filme de SteveMcQueen tem mais ação, adrenalina e atores famosos do que qualquer outro do premiado diretor de Doze Anos de Escravidão

Divulgação

Viola Davis, Michelle Rodriguez, Elizabeth Debicki, Colin Farrell, Carrie Coon, Liam Neeson, Daniel Kaluuya, Robert Duvall e Jon Bernthal. Essa é só parte do elenco de As Viúvas, novo filme de Steve McQueen, famoso diretor premiado por Doze Anos de Escravidão.

No filme roteirizado por McQueen e Gillian Flynn (autora de Garota Exemplar), três viúvas entram para o mundo do crime após os seus maridos morrerem durante uma tentativa de assalto da atualidade. Com dívidas e sem dinheiro, elas resolvem concluir uma das missões dos falecidos maridos e receber muito dinheiro por isso.

No papel de Veronica Rawlins, esposa do principal criminoso do grupo, Viola Davis entrega uma atuação interessante, mas não excepcional. Cabe a personagem de Viola recrutar todas outras viúvas para completar a missão. Essa parte da história remete muito ao, também desse ano, Oito mulheres e um segredo.

Copyright Twentieth Century Fox France

Diferente da comédia estrelada por Sandra Bullock, aqui em As Viúvas os tramas das personagens são mais pesados e complexos. Temos também uma questão política muito interessante: dois homens concorrem pelo cargo de vereador de um distrito de Chicago. Nenhum deles é do bem ou do mal. Neste filme, ninguém é.

Questões raciais também são levantadas ao longo das duas horas e dez minutos de história. Principalmente pelo fato da protagonista ser negra e mulher. Nesta questão de gênero, outro ponto positivo do filme. Em certo momento da trama, Veronica fala que para elas será mais fácil roubar, porque “ninguém acredita que mulheres seriam capaz de fazer isso”.

A atriz que mais se destaca no filme é Elizabeth Debicki. Ao interpretar a viúva Alice, Elizabeth consegue trazer um discurso de empoderamento muito importante para a contextualização do filme. Michelle Rodriguez (Avatar) também tem uma boa oportunidade de se destacar, mesmo que de maneira enxuta. No núcleo masculino, destaque para o personagem de Liam Neeson, que, em uma cena específica, consegue mostrar o porquê de ser conhecido como um dos melhores atores da sua época.

A fotografia do filme é bonita, apesar de muito escura. Algumas cenas, — não sei se foi por causa do cinema em que assisti — , tive que forçar os olhos para ver o que estava acontecendo. A música, de Hans Zimmer, deixa você aflito durante todas as cenas de ação, que são várias.

Somando-se os prós e os contras, o filme é bom. O roteiro, apesar de apresentar algumas reviravoltas previsíveis, é interessante. O maior acerto, sem dúvida, é conseguir tratar de questões raciais, sociais e políticas em um filme de ação.


Trailer do Filme