Before I Left | Antes de Partir

By Sergio Infante, CC’18

Leaving is hard, but telling others that you’re leaving is harder. A story about my parents’ departure from Colombia, and the drama and hilarity that ensued.

ORIGINAL

É uma vida confusa, essa de imigrante, uma vida de virgula e parêntesis. Fora do texto, escondido no roteiro, o pioneiro vive entre as peças que criam os seus mundos, sempre a caminho entre esses polos, na rota irresistível e onerosa entre a casa onde morava e a casa onde vai morar. A imigração é um limbo, caro leitor, um purgatório rico e complexo. Obviamente só posso falar com respeito às minhas experiências. A história da minha mudança para os Estados Unidos aos cinco anos é, naturalmente, dissimilar à história de um congolês que emigra para a Bélgica aos cinquenta. Porém, acredito que as duas histórias terão a mesma sensibilidade subterrânea — talvez uma afinidade clandestina, por assim dizer.

Naquela época, a situação política na Colômbia era grave — a situação econômica ainda pior — e a situação da equipe nacional de futebol colombiano quase fatal. Ainda me lembro do dia quando os meus pais decidiram ir para os Estados Unidos. Foi, afinal, um dos dias mais importantes da minha infância. Também me lembro do dia quando eles contaram a sua decisão para os meus avós. Foi um dos dias mais cômicos da minha vida. A cara do meu vovô, que era um comunista de primeira, ficou vermelha como a cor da bandeira chinesa quando a gente lhe contou. Ficou tão chateado, o velho comuna, ao saber que a familia ia para a capital do capitalismo.

– Camarada (a minha mãe sempre o chama de camarada na minha imaginação) nós tentamos ir para o Canadá, mas não tivemos sucesso! A única opção agora é ir para os EUA.

– A minha própria filha me apunhala! Que tragédia! Que traição! Enterrem o meu corpo ao lado do Trotsky e do Marx — bradava o pobre.

A minha vovó paterna foi muito mais pragmática quando a nós lhe fomos contar. Ela tinha vivido uma vida de cigana na sua juventude na Guiana Francesa. Isso a distinguia dos outros na família, lhe dava um ar misterioso e sagaz. Depois de tudo, num país onde as rodovias estão quase sempre sob controle paramilitar ou guerrilheiro, os viajantes são poucos e as férias são passadas geralmente em casa. Ela aproveitava dessa reputação, como toda boa colombiana, para passar os seus conselhos indecifráveis por a sabedoria do exterior.

– A vida peripatética é uma vida dura, meus filhos, ela disse adotando o seu tom habitual de oráculo. Tomem cuidado, porque lá vocês serão macacos sem conta bancária, coalas sem raquete de tênis.

Quase todo mundo tinha alguma advertência, alguma sugestão, algo o que dizer. Não adiantava. O dia chegou. Nós viémos embora. A vida mudou. Mas as reações dos meus parentes ficaram comigo — uma última lembrança do mundo simples e ingênuo da minha infância, uma lembrança do mundo antes da imigração.

TRANSLATION

It’s a complicated life, the life of an expat. An existence full of covert commas and hidden parentheses, a life lived in-between the lines. This narrative is often situated on the picturesque-yet-onerous route between the house where the migrant once lived and the home he or she will one day inhabit. On these matters, of course, I can only speak to my own experiences. But while my tale of relocation to the United States at the age of five is different from that of any other émigré, I sincerely believe that all of our stories share a subterranean sensibility — a clandestine correspondence, if you will.

At the time I left, the political situation in Colombia was fairly dire, the economic situation was even worse, and the situation of the national soccer team was downright lethal. I still remember the day when my parents decided to go to the United States. It was, after all, one of the most important (and convoluted) days of my childhood. I also remember the day when these same parents told their elders about this decision; that, I must admit, was one of the funniest days of my life. The face of my maternal grandfather, one of those first-rate communists of the old guard, was as red as the Chinese flag when they told him. He was so miffed, the old commie, that he could barely bear the fact that we were going to the capital of capitalism.

“Comrade,” my mother always calls him comrade in my imagination, “we tried to go to Canada but had no luck! Now the only option is to go to America.”

“How dare you do this to me,” cries the old war-horse. “The treachery! The treason! Bury my body next to Lenin and Marx!”

My paternal grandmother was far more pragmatic when we told her. She had led a nomadic existence ever since her childhood in the French Guiana. That distinguished her from the rest of the family, gave her a profoundly mystic air. In a country where roads and tolls were almost always under paramilitary or guerilla control, after all, tourists were few and vacations were generally passed at home. She made good use of her well-travelled reputation — like any good Colombian — to pass off her incomprehensible advice as worldly wisdom.

“A peripatetic life is a difficult one,” she hums in the oracular tone of a distant memory, “so watch your steps, my children, because abroad you will be apes without apples, koalas without conditioner.”

Almost everyone had a piece of their mind, some strange suggestion or warning, two random cents to add. Nothing doing. The day arrived. We left the country. Life changed. But the reactions of my relatives stayed with me — a last remembrance of a simple and naïve part of my childhood, a remembrance of the world as it was before I left.

Like what you read? Give *accent a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.