Ilustração de uma pessoa com dislexia, tentando ler. Seu rosto mostra que ela está com dificuldade na leitura, e talvez esteja triste / frustrada. Ao fundo, a simulação de como ela estaria enxergando as letras no papel. Ilustração retirada de ww2.kqed.org.

6 práticas ruins que prejudicam usuários disléxicos

Como designers, podemos ajudar usuários disléxicos a lerem com mais facilidade. Ver as coisas através dos olhos dos outros pode nos dar uma melhor perspectiva do porque o design acessível é tão importante.

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que compromete a capacidade de aprender a ler, escrever e de compreender um texto.

Quando usuários disléxicos leem um texto, às vezes experimentam efeitos de distorção visual. Esses efeitos variam em grau de pessoa para pessoa, mas podem tornar a leitura muito mais difícil.

Efeito do Rio (River Effect)

Às vezes disléxicos podem ver o efeito de um “rio” no texto. Isso acontece quando grande lacunas ocorrem dentro de linhas consecutiva, dando a impressão de um rio de espaço branco fluindo entre as palavras. Para combater esse efeito, evite as práticas #1 e #2:

Simulação de texto com efeito de rio, visto por usuários disléxicos.

Má prática #1 — Texto justificado

Texto justificado dificulta a leitura não apenas de usuários disléxicos, mas de não disléxicos também. Isso acontece porque são criados grandes espaços irregulares entre as palavras. Quando esses espaços se alinham um em cima do outro, um “rio” de espaço branco pode aparecer.

Essa prática pode fazer com que leitores disléxicos se percam repetidamente durante a leitura. Para evitar o efeito, use textos alinhados à esquerda.

Má prática #2 — Espaçamento duplo após pontos finais

A maioria de nós tem o hábito de dar um espaço duplo após o ponto final de uma frase. Essa prática se original da época da datilografia. Máquinas de escrever usavam fontes monospaced naquela época. Por causa disso, as pessoas pensavam que o espaçamento duplo após dos pontos finais tornaria mais distinto o fim das sentenças.

Hoje o espaçamento simples depois do ponto final já é o suficiente, pois a maioria dos sites usam fontes com espaçamento proporcional.

Efeito de borrão

É quando leitores disléxicos veem o texto borrado, rodopiando ou os dois juntos. Isso pode afetar significativamente a capacidade de leitura e torná-la cansativa para eles. Para combater esse efeito, evite as práticas #3 e #4:

Simulação de texto com efeito borrão, visto por disléxicos.

Má prática #3 — Texto preto puro em um fundo branco puro

Muitos usuários disléxicos são sensíveis ao brilho causado por cores de alto contraste, como preto puro (#000000) ou branco (#FFFFFF). Isso pode fazer com que as palavras se contorçam ou se desfoquem juntas.

Para evitar o efeito, use uma cor esbranquiçada no fundo — como cinza claro. Você também pode usar um cinza escuro no texto ao invés de preto puro, cortando o brilho.

Má prática #4 — Longos de parágrafos ininterruptos

Longos blocos de paragráficos são difíceis para todo mundo, mas pior ainda para disléxicos. É melhor usar pequenos parágrafos, expressando apenas uma ideia por vez.

Usuários disléxicos precisam de mais quebras entre os assuntos do que usuários não disléxicos. Quebrar o seu texto, exibindo uma ideia por parágrafo, torna a leitura muito mais fácil.

Efeito de lavagem

O efeito causa uma sensação de texto “fraco” e indistinto. Isso pode tornar a leitura mais devagar e fazer com o que leitores disléxicos tenham que adivinhar palavras, pela dificuldade de enxerga-las. Para combater esse efeito, evite as práticas #5 e #6:

Simulação de texto com efeito de lavagem, visto por disléxicos.

Má prática #5 — Fontes com serifa

As fontes com serifa tem ganchos nas extremidades dos traçados das letras. Podem parecer decorativos, mas costumam causar problemas de leitura. As serifas tendem a obscurecer o formato das letras, deixando-as mais juntas.

Uma fonte semi serifada permitiria aos usuários disléxicos ver o formato das letras mais claramente. A falta desses ganchos aumenta o espaçamento entre as letras e as tornam mais distinguíveis.

Má prática #6 — Texto em itálico

O itálico costuma ser usado para destacar o texto, mas não devemos usa-lo porque torna as letras difíceis de serem lidas. As letras em itálico possuem uma linha irregular em comparação às fontes não itálicas, além de se inclinarem — dificultando ainda mais a distinção das palavras.

Quando o tamanho da fonte é pequeno, o texto em itálico o torna ainda mais ilegível. Uma boa maneira de destacar a palavra é usar negrito, pois assim as letras ficam mais distintas entre si e possuem melhor contraste.

Finalizando

Muitos usuários que sofrem de dislexia e têm problemas na hora da leitura. Agora você viu alguns exemplos de como é a experiência deles na web, torne seu site acessível a todos corrigindo as más práticas citadas.

Não é fácil absorver informação quando você lê um texto com distorções visuais. Todos tem direito à informação, sejam eles disléxicos ou não.


Esse artigo foi traduzido e adaptado. Artigo original: http://uxmovement.com/content/6-surprising-bad-practices-that-hurt-dyslexic-users/