8 a 10 de Julho — Branda da Aveleira

Finalmente um fim de semana de céu limpo e sem compromissos. Que fome de voltar! Saímos do Porto no início da tarde de 6ª feira. Eu a Diana e o José, estreante nestas viagens à Branda, combinamos encontrar-nos no Pingo Doce junto à N101 em Monção. Às 16h30m seguimos juntos em direcção à Branda via Melgaço e depois pela N202 em direcção a Lamas de Mouro. A paisagem é fantástica, especialmente a partir de Melgaço em direcção à serra, e a viagem foi muito agradável. Chegámos à Branda eram 17h30m e encontramos o portão da Casa da Fonte do Carvalhinho aberto e as chaves na porta, cortesia do Sr. Agostinho. Arrumámos a tralha rapidamente e montámos o equipamento no largo em frente ao portão. O Nuno chegou um pouco mais tarde. A Diana levou um dobsoniano de 8" f/6, o José um newtoniano de 6" f/5 em montagem Losmandy GM8, eu levei um C8 em montagem Vixen GP-DX com CCD Starlight Xpress SXV-H9 e, finalmente, o Nuno levou um Ritchey-Chrétien 8" f/8 numa montagem HEQ5 e CCD Starlight Xpress Trius SX964.

A Diana presenteou-nos com uma bela sopa quente. Entretanto escurecia e o céu estava perfeito, de um azul eléctrico imaculado. A primeira noite foi complicada para mim. A montagem teve um comportamento menos fiável do que o habitual. Descobri depois que me tinha esquecido de fazer um aperto final da cabeça da montagem depois do alinhamento polar. Ainda assim deu para fazer umas imagens de galáxias, supernovas e quasares distantes. O Nuno investiu em aprender novas ferramentas de software para automatizar a aquisição de imagens entre sessões. A Diana tornou-se autónoma, encontrando objectos da sua wish list durante a noite toda. O José seguiu o exemplo da Diana e ainda teve tempo para umas fotos com a sua Canon 550D em piggyback no telescópio. As noites ainda são curtas nesta altura do ano. Quando demos por ela, por volta das 4h30m, estava já a clarear como as Pleiades, as Híades e Aldebaran junto ao horizonte nordeste. Arrumamos o material, desmontando o mínimo possível, e fomos dormir.

Panorama do vale da Branda visto da “Casa da Fonte do Carvalhinho”.

Acordámos por volta do meio-dia. Estivemos em amena cavaqueira até ao almoço — uma salada russa — e descansámos após um café suave. Durante a tarde a Diana e o José estudaram atlas e livros para escolher alvos para a noite seguinte. O espectáculo à nossa volta prendia a minha atenção — prados luxuriantes nas parcelas de terra em redor das casas, muitos pássaros e borboletas em constante movimento, o som da água a cair da fonte e nos rápidos no rio, umas centenas de metros mais abaixo. A Diana deu uma volta pelas redondezas e voltou com mais 2 pedras para a sua colecção.

A “Casa da Fonte do Carvalhinho”, o nosso quartel general habitual na Branda.

Para jantar tivemos uma deliciosa massa com guisado de legumes, uma peça de fruta e um café. Estávamos preparados para mais uma noitada, e desta feita as coisas correram muito bem. Fiz várias imagens que podem ver mais abaixo. A Diana teve uma noite em cheio tendo conseguido encontrar e observar muitos objectos de céu profundo.

Estaminés prontos para uma noite de observação. O dobsoniano da Diana em primeiro plano e o meu, o do Nuno e o do José, atrás, da esquerda para a direita.

Dormimos até tarde na manhã de Domingo. Depois de um acordar preguiçoso, tomámos o pequeno almoço enquanto aproveitámos os ares da Branda e a paisagem deslumbrante. Em seguida, arrumámos o material e fomos ao Brandense acertar contas. Voltámos para o Porto depois do almoço, uma viagem tranquila.

Messier 16, a nebulosa da águia.
A galáxia espiral Messier 74.
A galáxia espiral NGC7331 no “Grupo Deer Lick”.
Supernova na galáxia elíptica NGC4125.
A galáxia espiral NGC6503 e o quasar S4 1749+70.
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