Entrevista com Felipe Borges

Neste artigo batemos um papo com um aluno do nosso bootcamp Master Interface Design (MID) Felipe Borges. Ele nos contou em detalhes sua jornada de migrar do Design Gráfico para o Digital, e principalmente, como ele conseguiu sua primeira oportunidade de trabalho como UI/UX Designer em cerca de 1 mês.

UI para case study do aluno Felipe Borges

Olá Felipe, antes de tudo, nos conte um pouco da sua jornada até agora.

Bom voltando lá atrás, eu me formei em desenho industrial, em 2006. No último ano a gente escolhia uma especialização, e eu acabei seguindo para Design Gráfico, muito mais por questão de mercado de trabalho, na época.

Depois que eu me formei, eu segui o fluxo da maioria, que era ir trabalhar em Agências de Publicidade.

Meu trabalho, em Agências, era exclusivamente com Design Gráfico mesmo, campanhas, branding, folder, este tipo de coisa. Somente offline não tinha nada de digital na época.

Passei por algumas Agências, e em 2012 eu acabei me cansando desse mundo e aí resolvi seguir carreira solo. Comecei como freelancer e acabei abrindo um escritório pequeno de design, com mais uma pessoa. Foi nessa época, que eu comecei a ter contato com o digital, com web, aplicativos.

Confesso que antes eu tinha até um certo preconceito, eu achava que não gostava da parte digital. Mas começou a surgir demanda em minha Agência para essa área, e não tinha como fugir disso, pois precisava ganhar dinheiro. Então, eu precisava aceitar essas demandas, não dava mais para ficar só offline.

Foi aí que comecei a tentar estudar por conta própria e tomei gosto. Aliás, comecei a gostar tanto que acho que hoje o cenário inverteu, eu praticamente não faço mais nada de design gráfico, e nem gosto muito mais de fazer. E já a parte digital, acabei me apaixonando.

Quais foram, e ainda são, os maiores desafios dessa mudança do Gráfico para o Digital?

Eu acredito que existe um desafio técnico, já que são conhecimentos diferentes. Mas, em num sentido mais abrangente, você tem, sim, conceitos que são os mesmos, como tipografia, cor.

Já em um sentido mais específico, os conceitos técnicos são bem distintos, por exemplo: preparar o arquivo para impressão, formato de papéis, tipos de papéis, e do lado do digital temos os formatos de telas, os tipos de dispositivos diferentes.

Minha maior dificuldade foi principalmente na parte de UX. O UI não foi tão complicado porque eu já tinha uma certa vivência, através das coisas que eu desenvolvia na minha agência. Porém, a parte de pesquisa, de fazer o Discovery, isso eu não tinha muito claro na minha cabeça. Então, essa foi minha grande barreira, ainda hoje estou estudando e caminhando nessa parte, mas estou gostando muito dos desafios.

Sketches para case study do aluno Felipe Borges

Como foi sua experiência na busca da primeira oportunidade de trabalho como UX/UI designer?

O processo de busca desse trabalho foi muito louco, porque eu comecei a fazer o bootcamp Master Interface Design em Dezembro de 2017, e ao mesmo tempo comecei a ouvir os podcasts da Aela, os vídeos, palestras. Enfim, tudo o que vocês postavam, e fui tomando gosto. Segui todas as dicas, e comecei atualizando meu LinkedIn, passando meu currículo para inglês, resumindo, tudo o que o Felipe e o Jônatas falavam eu fiz.

E dai eu falei, “ah, vou fazer um teste”, foi muito sem pretensão alguma. Comecei a procurar algumas vagas pelo LinkedIn para ver o que rolava. Eu não tinha pretensão de conseguir nada naquela hora, eu achava que iria conseguir uma oportunidade somente quando estivesse lá em meados do nível 3 ou 4 do curso.

Porém, para minha surpresa, começou a dar muito certo. Eu até falei assim: “não é possível, tá dando muito certo”. Realmente, como o Felipe e o Jônatas sempre falam, essa área nossa está mega aquecida. Ainda era Janeiro (2018), uma época que ninguém contrata, época de festas, férias. Porém, eu comecei a receber ligações para entrevistas.

Eu passei por cinco processos seletivos ao mesmo tempo. Um na Quinto Andar, que é um startup que terceiriza todo o processo de aluguel de imóveis, fiador, etc. Na Fjord, que é um braço digital da Accenture. Outro na FTD, que é uma editora da área de educação, e agora eles estão abrindo um braço digital para transformar todos os livros em apps. Na Catho, uma empresa de vagas de emprego, e também na DogHero.

Todos os processos foram bem semelhantes, todas elas, com exceção da Catho, eu consegui pelo LinkedIn. Isso é bem legal, pois eu não tenho LinkedIn Premium, nada disso, mas eu segui todas as dicas dadas à risca.

Em todas as entrevistas, mostrei 2 cases que montei fictícios, porque eu não tinha muito no portfólio. Esses cases mostravam justamente essa questão do processo UX, desde a ideação, passando por persona, pesquisa, brainstorming.

Fiz esses cases seguindo o que o curso falava, apesar de não estar muito avançado nos níveis ainda. Eu fui dando uma olhada em algumas aulas para frente e também pesquisei bastante na internet e livros.

Esses 2 cases foram o que me salvaram nas entrevistas. Meu portfolio tinha bastante coisa digital, mas eles mostram basicamente o resultado final das telas, o design puramente e um texto explicativo, mas estava longe de ser um descritivo de todo processo.

Wireframe para case study do aluno Felipe Borges

Para a minha surpresa, fui avançando em todos os processos seletivos que estava participando. Acabei sendo aprovado em todas, menos na Quinto Andar.

Fiquei extremamente surpreso, pois tudo começou como uma brincadeira, sem grandes pretensões, e agora tinha chegado a hora de escolher para qual dessas excelentes empresas eu gostaria de trabalhar.

No fim das contas, acabei decidindo pela DogHero, justamente pela questão do UX. Acredito que o desafio e meu aprendizado serão muito maiores, por ser uma Startup, onde vou acabar fazendo um pouco de tudo, tanto UI quanto UX, vou ter que ir a campo, conversar com usuário, fazer testes e também prototipar.

Nos conte com está sendo até agora na DogHero.

A DogHero é uma Startup com cerca de 50 funcionários. Eles são como se fosse um Airbnb para pets. Aqui em São Paulo estão crescendo bastante, já passaram por algumas rodadas de investimento e estão evoluindo, se internacionalizando. Inclusive já começaram na Argentina, e estão expandindo também para o México, logo mais.

Comecei recentemente na empresa, menos de 1 mês, para mim a experiência está sendo bem diferente, pois fiquei cerca de 4, 5 anos trabalhando como autônomo, somente eu e mais uma pessoa, e agora estou em empresa com um monte de gente, vários departamentos, etc.

Algo muito interessante que percebi é que a cultura da empresa é algo muito forte, e os fundadores fazem questão de selecionar a dedo as pessoas, para que todas tenham uma mentalidade muito semelhante.

Eu estou gostando muito. A forma como todos parecem vestir a camisa da empresa, a maneira como todos me receberam muito bem. Inclusive, eles tem um processo de on boarding bem bacana, nos 2 primeiros dias eu só conversei com várias áreas, que me explicaram o funcionamento da empresa. Foi algo bem organizado.

O que na sua cabeça não era possível você fazer antes de começar o bootcamp MID e que hoje se tornou realidade?

Com certeza a parte de UX, pesquisa. Eu realmente não tinha a menor noção, mesmo sendo autodidata na parte de UI, minha parte de UX era zero. Não sabia nem o que era o conceito, basicamente.

Não só o MID me abriu muito a cabeça, mas também as dicas que o Felipe e o Jônatas dão o tempo todo nas redes sociais.

No meu ponto de vista, é importante também ficar atento aos diversos canais e redes sociais, ao podcast, as palestras que tem no YouTube, não só o curso em si. Você consegue pescar várias dicas nesses outros locais, como livros, eu mesmo comprei 5, 6 livros, que são básicos, mas eu não tinha. Além de dicas de outros canais, de quem seguir no Facebook, dicas de como agir no LinkedIn, como montar um currículo, etc. Eu lembro que eles deram exemplos de currículos bacanas, de portfólio.

Enfim, eu acho que tudo isso colaborou para eu ter conseguido minha primeira vaga na área de UI/UX design tão rapidamente.

Quais são seus planos profissionais para o futuro?

A minha ideia é finalizar o curso inteiro até o fim desse ano e começar a evoluir cada vez mais nessa área de UX.

Eu quero também me aprofundar em metodologias ágeis, estudar um pouco de Design Thinking, esse tipo de coisa. Sair um pouco puramente do visual. Acho que nessa área para você crescer precisa somar ao visual a parte mais de pesquisa, inteligência e planejamento.

Em relação a minha carreira, eu nem pensei muito nisso ainda, pois acabei de entrar na DogHero. Mas eu acho que uma evolução de onde eu estou seria virar um PO (Product Owner), um PM (Product Manager), algo desse tipo.

A Toptal é algo que quero tentar entrar daqui há alguns meses, pois pelo que o Felipe e o Jônatas falam é muito bom, e me interessa.

Se alguém quiser migrar hoje do Gráfico para o UX/UI, como você fez, quais seriam as dicas que daria para essa pessoa?

Hoje em dia na internet tem tudo, inclusive foi navegando que eu descobri o bootcamp Master Interface Design. Então, seguir os principais canais tanto YouTube, LinkedIn, tentar identificar quem são os principais influenciadores e seguir essas pessoas e absorver tudo o que eles falam.

Além disso, eu acho que livros são muito importantes, tem livros básicos que você tem que ler, como: O design do dia-a-dia, Não me faça pensar, enfim, vários livros que são obrigatórios.

E aí procurar um curso, mas algo que seja mais profundo, como o MID ou algo do tipo, nada básico que você faça rapidamente. Eu mesmo já penso em fazer outros cursos daqui alguns meses, talvez fazer algum curso da Interaction Design Foundation.

Mas o principal, é que você deve estar com muita vontade, paixão, eu acho que esse foi o principal. Você deve ser “faca nos dentes”, tem que ter uma mudança de mindset, tem que falar para você mesmo, “eu vou conseguir de alguma forma e vou fazer”, ai é se dedicar 24 horas a isso.

Desejo boa sorte a todos!


Se você também quer entrar para o mercado de UX/UI Design, não deixe de assistir nossa palestra sobre os 10 principais aprendizados da UX Conference da Nielsen Norman Group, em Londres: http://bit.ly/webinario-ux-conference

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