Faculdade, certificação e cursos para UX/UI Designers

Qual caminho a escolher? Tema polêmico, que sempre gera pedradas nas opiniões opostas.

Eu mesmo já me deparei em meio a discussões intermináveis a respeito do assunto.

“Sunset over a winding countryside road in Castleton” by Rob Bates on Unsplash

Neste artigo, vou me ater somente à minha percepção baseado em minha história (e de alguns amigos da área) dentro e fora do Brasil — não se esqueça disto quando bater aquela vontadezinha de jogar uma pedra! 😬

Uma das perguntas que mais recebemos na Aela a respeito deste assunto é: devo ou não fazer uma faculdade?

A resposta que sempre damos é: depende. O que você não pode, é parar de estudar.

Mas depende do que? Depende do seu momento e seus objetivos.

Minha história de faculdade, em breves palavras

É um grande peso você sair do colegial e decidir, com toda a certeza, o que deve fazer pelo resto de sua vida. Porém, é uma verdade ainda maior que você não precisa se apegar de forma tão fatalista a isto.

Em 2003, entrei em uma faculdade na área de Marketing, por pura pressão dos meus pais (que queriam que eu fizesse qualquer faculdade que fosse… acho que muitos de vocês também passaram por isso), e eu tinha uma vaga idéia do que aquilo significava.

Quando eu comecei na área, eu não pretendia me tornar um designer, na verdade eu nem sabia o que era isso.

Na época, eu trabalhava com edição de vídeo e manipulação de fotos na empresa de meus pais e tinha um conhecimento dos softwares da Adobe, dentre eles o Photoshop, por conta disto. Além do mais, eu sempre estudei programação por conta própria, pois isto me fascinava desde criança (se quiser saber mais sobre esta história, veja aqui).

Por conta dessas 2 skills, conheci e me dei bem com o (falecido) Flash, que estava em seu auge na época, e passei a fazer trabalhos dentro da faculdade, e posteriormente isto me levou a trabalhar no mercado de web, que me levou a ao design da forma que faço hoje (Senior UI Designer na Aiimi em Londres, Senior UX/UI Designer e Mentor na Toptal São Francisco).

Em relação ao conhecimento em si que adquiri na faculdade, digo que foi bem superficial, mas aprendi algumas categorias de conhecimento que me direcionaram posteriormente para o que estudar.

Quero dizer que, não aprendi nada significativamente prático, mas as experiências adquiridas me apontaram o caminho (isto se deve ao mix "qualidade da instituição e falta de maturidade", pois não se deve esperar que uma pessoa com 18–23 anos entenda profundamente as nuances de uma profissão ou do mercado).

Por que estou te contando isto? Apenas para exemplificar que, apesar de eu NUNCA ter utilizado meu diploma universitário para algo (com apenas uma exceção, falarei mais à frente), a faculdade me expôs a um contexto e um mundo ao qual eu ainda não fazia parte: publicitários, empresários e outras pessoas confusas, também procurando por respostas.

Esta exposição não somente abriu minha mente, como me deu bons contatos na área — meu primeiro estágio em uma agência de nome (http://www.ogilvy.com.br/) veio por conta de um ex-professor que me convidou.

Ok, então devo fazer uma faculdade?

Como disse no início, depende….Eu tinha 18 anos, tempo livre, nenhuma experiência, e além disso, meus pais estava me obrigando a estudar algo, então fez sentido para meu caso.

No meu momento atual, seria um tanto impensável, e apesar de tudo o que eu disse acima, não vivi em minha carreira nenhum benefício prático por ter um diploma em mãos.

Nunca me perguntaram sobre meu diploma. Nunca. Nem no Brasil, nem fora. E olha que já trabalhei para grandes agências no Brasil, para grandes empresas no exterior e para diversas startups.

Como eu disse anteriormente, existiu apenas uma exceção, que foi quando apliquei para ser Residente Permanente do Canadá, pois tive que enviar uma cópia do meu diploma em meio aos outros documentos, porém não sei dizer o peso que isto teve (só sei que fui aprovado).

Já para meu processo de Talento Excepcional aqui em UK, nem mesmo citaram a necessidade de um diploma (porém haviam duas rotas — experiência profissional ou acadêmica, não preciso falar por qual eu fui, né?).

Vantagens e desvantagens de se fazer uma faculdade

Seguem alguns pontos para você considerar quando pensar em uma faculdade:

  • 👍 Você vai ter uma formação, e isto é importante (mesmo que não seja necessário na prática, em algumas vertentes de nossa área);
  • 👍 Você vai conhecer gente, e isto é muito importante para seu desenvolvimento pessoal e seu network;
  • 👍 Você pode descobrir que leva jeito para a área acadêmica e tocar adiante. Para algumas áreas mais voltadas a research, por exemplo, não é fator de exclusão, mas conta muito ter um background mais acadêmico;
  • 👍 Você pode achar que tem jeito para ser auto-didata, mas não ser de fato. A faculdade pode te ensinar muito (na melhor das hipóteses) ou te apontar a direção (na pior das hipóteses);
  • 👎 Um diploma não vai contar para a maioria das vagas de trabalho que você vai aplicar;
  • 👎 Se torna uma carga horária pesada ou até inconciliável para quem precisa trabalhar ao mesmo tempo. No exterior é quase impossível, pois a grande maioria das faculdades são tempo integral;
  • 👎 Pode ser um investimento muito alto para se estudar nas melhores faculdades.

E sobre cursos (online/offline) e certificações?

Cursos são uma forma rápida de você adquirir conhecimento. Porém, em muitos destes não existe como comprovar que você realmente fez o curso com excelência ou que realizou todos os trabalhos.

Portanto, cursos são bons para você, para seu conhecimento. Se são bons para seu currículo, depende do quanto você vai conseguir mostrar, de forma relevante, que consegue aplicar o que aprendeu.

Certificações já são um passo a mais na carreira, mas as boas custam caro. Em geral, indico estas para profissionais que já estão no mercado, pois as melhores certificações tocam em pontos bem específicos, que podem não agregar muito a profissionais iniciantes.

Apenas para você ter uma base, 1 semana na conferência da NN/g aqui em Londres me custou mais de 3 mil libras. Para meu sócio Felipe Melo, custou ainda mais, pois ele mora em Praga e teve despesas de viagem.

Porém hoje, nós dois somos certificados pelo pelo Nielsen Norman Group (NN/g) ambos UXMC — UX Master Certificate— que é a certificação dada a quem concluiu 15 cursos e passou em cada com mais de 88% de êxito. O Felipe em UX Management e Interaction Design, e eu em Mobile Design e Interaction Design, e isso nos coloca num patamar diferenciado diante de vários concorrentes, pois quem conhece a NN/g sabe do impacto que eles tiveram na história do design de interação ao redor do mundo.

Se você quiser saber os 10 melhores aprendizados dessa Conferência, confira nossa palestra: http://bit.ly/webinario-ux-conference

Vantagens e desvantagens de cursos e certificações

  • 👍 Cursos são formas rápidas de você aprender algo novo. Muitas destas são, também, mais baratas se comparado com o valor investido em 4 anos de uma faculdade;
  • 👍 Cursos são melhores para conhecimento específico em uma área que você queira melhorar, pois eles são mais objetivos e atualizados do que, normalmente, o que você se encontra em algumas (cof, muitas, cof) faculdades;
  • 👍 Alguns cursos podem te ajudar a montar seu portfolio, caso você não tenha;
  • 👎 A grande parte das certificações não vai contar para seu currículo, apenas o conhecimento adquirido (portanto, veja bem o que é ensinado). As que contam, são bem caras;
  • 👎 Cursos online podem ter o problema do isolamento. É bom ter contato com gente, trocar experiências e fazer network.
https://aela.io/masterinterfacedesign

Em virtude dessas minhas experiências e juntando com as vivências do Felipe, nesse mercado de Design por mais de 10 anos, resolvemos criar um curso que solucionasse essas limitações de uma faculdade (horários, valores, conteúdo atualizado, praticidade), e a mesmo tempo fosse algo realmente de qualidade e que possibilitasse as pessoas a sairem realmente preparadas (portfolio e conhecimento) para ocuparem as melhores vagas no mercado de UX/UI design ou ainda atuarem como freelancers.

Na semana do dia 23/05 a 02/06 acontecerá o o Workshop Online e Gratuito “Migrando para UX”. Então, se você deseja migrar faça sua inscrição, participe e descubra os passos necessários para decolar sua carreira e conhecer as diversas oportunidades no mercado nacional e internacional.

O que eu devo fazer, então?

Quem conhece um pouco da minha história, sabe que eu saí do interior de São Paulo, virei Residente Permanente no Canadá e vim parar aqui em Londres, com um visto de Talento Excepcional, tudo sem passaporte europeu e, como citei acima, sem o peso de uma faculdade.

Já recrutei para empresas no Brasil e diversas vezes aqui em Londres, portanto vou mencionar alguns pontos que contam, ao meu ver:

  • Portfolio é o que mais importa, pois é sua vitrine. É onde você pode mostrar que sabe aplicar seus conhecimentos adquiridos através de faculdade, cursos livre, anos de mercado, etc. Portanto, caso faça um curso, procure um que te proporcione montar um portfolio (caso você não tenha) ou agregar algo ao seu;
  • É bom que você tenha uma formação formal, em especial para grandes corporações (pois pode ser fator de exclusão entre 2 candidatos), mas não é requisito. Com um bom portfolio, não vão se importar com sua formação;
  • Sua faculdade pode ter um peso positivo caso ela tenha um nome forte (no exterior, precisa ser uma faculdade do país em questão ou de renome global — ninguém conhece USP, UNESP, UFRJ, FAAP, FGV, etc).

Não pare de estudar

Deixo claro mais uma vez que esta é apenas uma visão limitada ao meu contexto e experiências, então sugiro que você não siga à risca o que eu falei, mas decida o que faz sentido para seu contexto.

Mas dito tudo isto, uma coisa é certa: nunca pare de estudar.

Seja com cursos, faculdades, conferências, certificações, palestras, podcasts artigos, sozinho…não importa. Nunca pare, pois o mercado não vai parar e você pode ficar para trás… muito rápido!