12 de Maio de 2017 — Vida

Este artigo é parte da série “Como é tentar se matar e falhar”. Comece por ali, caso ainda não tenha lido.


Jane Burnham: And what do you see?
Ricky Fitts: Beauty.

Sexta-feira, Dia D + 35
Alta

Acordei cedo. Tomei banho. Arrumei minhas coisas. É dia de deixar a clínica psiquiátrica. Estou pronto.

Me despeço de quem posso. Dos amigos, dos que conheço, dos que não conheço.

Alguma burocracia acontece. Pertences são devolvidos. Uma checagem rápida. Pra ver se tudo que é meu e entrou está saindo. Nem mais nem menos.

Recebo de volta minha carteira de identidade e meu cartão do convênio médico. Meu iPhone já estava com a minha família. Tenho medo de pegá-lo de volta. Penso em nunca mais ligá-lo. É melhor eu não saber o que tem ali. Passei tanto tempo sem. Que mal fará continuar?

Abraço minha família. Esta é a última vez que eles vêm aqui. Os portões azuis são pesados, mas estão abertos. O carro se move em direção à saída.

Estou fora. E como eu esperava, é tudo diferente. A brisa, os cheiros e, claro, o sol. Naquele exato momento, desafiando todos os meus heróis da ciência, ele brilha diferente. Brilha mais gostoso. Brilha pra mim.

Vida, aqui vou eu. Muito prazer. Meu nome é Rodrigo. Seja gentil.


Este foi o último post dessa sére. Vou adorar ver o seu comentário aqui.