24 de abril de 2017 — Bad Cop

Este artigo é parte da série “Como é tentar se matar e falhar”. Comece por ali, caso ainda não tenha lido.

Terça, Dia D + 17

Acordei com a missão de continuar o dia anterior e formalizar meu pedido de alta da clínica. Antes disso, entretanto, precisava correr pra não perder o café. Perdi. Ou quase.

Chegando ao refeitório a Maíra, nutricionista, que é bonita e popular, fechava as portas da esperança. O Rafa, que é um cara legal e cheio de gingado, foi lá e mandou um “pô, Maíra, deixa o cara tomar café”. Maíra cedeu e tive acesso a duas broas de fubá. Mágico. Valeu, Rafa.

Mais uma palestra do Dr. Juan. Desta vez falando das fases oral, anal e sexual. Perdi parte da palestra, oral.

Em um determinado momento ele mencionou a TV como grande fonte de informação que a gente tem ao nosso dispor. Imediatamente perguntei, “o que é TV”?

Num belo momento do dia fui chamado ao escritório de um dos dos psicólogos, o casca grossa, o “tiro na testa” como já me descreveram alguns. Lá vou eu.

Na sala de espera encontro uma paciente aguardava muito aflita. Ela é um dos casos mais severos que vi aqui. Quase não fala com ninguém (ou ninguém fala com ela). “Eles ouvem tudo o que a gente fala”, me informou com olhos paranóicos. “Imagino que sim”, especulei eu, que também venho aderindo à paranoia,

Sou chamado e começa meu papo com o psicólogo. O assunto não tinha a ver com meus problemas da caixola. Ou tinha, pra ele. Mas o cerne da coisa era meu pedido para sair da clínica. Ele é o Bad Cop dos psicólogos, mas um cara que imagino possa gostar em breve. Vamos ver.

Eu fiz uma lista de exigências que teria para ficar mais um tempo. Ele ficou de analisar e me dar um retorno no dia seguinte.

Uma das minhas exigências era a medição imediata do eu lítio, que ele pediu para eu ver no dia seguinte com o coordenador.

No final do meu caderno anotei: “Will I find you?”.


Amanhã tem mais. Eu criei uma lista de músicas que tenho ouvido enquanto estou internado. Para ouvir, assine minha playlist do Spotify “After Death”. Ela é colaborativa. Significa que, além de assinar, você pode contribuir com músicas que goste.

Se quiser falar comigo, escreva para rodrigo@bressane.com.

Seja gentil,
Rodrigo Bressane