Saem os nudes, entra a nudez

A Playboy decidiu: Não manda nudes

Esse texto pode (ou não) possuir piadinhas de duplo sentido

Bang! Foi mais ou menos assim, como um tiro, que o mundo recebeu a notícia de que a Playboy, maior revista adulta há mais de 60 anos, vai parar de mostrar mulheres completamente nuas.

Eu cresci com um fascínio QUASE inexplicável pela revista. É óbvio que não era o plano quando ela foi criada — pelo menos eu espero que não — mas ela se tornou o primeiro contato de muita gente com a nudez. Quem nunca teve um primo sacana para fazer as honras dessa apresentação que atire a primeira pedra.

Foi por isso que a decisão não mexeu apenas com a minha versão publicitária, mexeu com a minha versão de jovem sonhador.

Mas a escolha dos diretores não é só um realinhamento de objetivos da empresa. Seguir por esse caminho é uma adaptação à essa coisa mágica chamada internet, que (in)felizmente tem sites pornográficos a cada 2 cm.

Num momento em que milhares de revistas e jornais estão fechando, "reinventar" parece ser a palavra da vez. O Update or Die falou sobre Darwin e sobre a sobrevivência dos mais adaptáveis e essa me parece a melhor metáfora possível para o momento.

“Você está a um clique grátis de qualquer ato sexual imaginável. Então a conjuntura mudou” — Scott Flanders, Vice Diretor Executivo da Playboy (The New York Times)

A revista decidiu que a sensualidade vende mais que a nudez. Embora as mulheres continuem (quase) sem roupas, o grande diferencial serão as poses provocantes que prometem mexer ainda mais com o imaginário de um povo que já é bem inventivo. Principalmente com aquele jovem sonhador que eu citei no início do texto.

Se você acha que a decisão é um tiro no pé, melhor repensar. O site da “Playboy” já baniu boa parte da nudez para conseguir mais acessos em suas plataformas de mídia social como Facebook e Twitter. A medida deu tão certo que quadruplicou o tráfego digital na revista. Afinal, fica quase discreto acessar essas plataformas sem pessoas peladas pulando na tela do celular. O ônibus já é um lugar apertado demais sem isso.

Caso ainda não tenha ficado claro, a gente explica: vivemos num mundo em que as marcas precisam oferecer bem mais que um produto.

Hoje em dia são as marcas que precisam ficar nuas, não as mulheres.

Marcas mais transparentes geram públicos mais fiéis e pessoas mais engajadas. Fica mais fácil se identificar quando você sabe onde está se metendo. Por exemplo: lembra lá no começo quando eu disse sobre piadinhas de duplo sentido? Você acabou de passar por uma.

Embora eu tenha uma série de ressalvas à decisão, foi o que eles puderam fazer. É o pouco que dá pra salvar num incêndio, e as novas mídias vieram como um fogo avassalador. O problema com isso é que o Instagram já possui muitos fotógrafos que realizam trabalhos parecidos com o que a Playboy deseja empregar. Quero dizer, pelo menos foi isso que me contaram. Não que eu siga alguns deles, sabe?

Se isso vai resolver ou não, só o tempo dirá.

Eita país de treta.

Como o Brasil é um país especial, vale ressaltar que a Abril, editora da Playboy no país, possui uma outra revista que se envolveu num escândalo virtual sobre envio de nudes.

Uma coisa é certa: ainda vai ter muita gente comprando a revista pelas entrevistas. Mas sério, elas são muito boas.