Checagem nº 5: Ao contrário do que diz candidato, VLT não custou R$ 1 bilhão

O candidato da REDE, partido de Marina Silva, concedeu entrevista na sexta-feira (24) ao Jornal do Meio Dia, onde declarou que as obras paralisadas deveriam virar um ‘memorial’ para que o caso não fosse esquecido.

Arthur Nogueira durante entrevista ao Jornal do Meio Dia

Arthur Nogueira (REDE) é policial rodoviário federal e garante que, como candidato, tem experiência em administração pública para resolver definitivamente a questão do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). Em entrevista ao jornal do meio dia, o candidato focou no enorme problema que o modal se tornou e disse que não gastará mais nenhum centavo com as obras.


Já foi mais de R$ 1 bilhão nessa obra e tem a expectativa de se gastar mais R$ 1,5 bilhão em um sistema que já nasceu morto.

CHECADO COMO: FALSO

De acordo com dados do portal Mira Cidadão, o governo do estado já pagou um total de R$ 752,9 milhões pela obra. A maior parte deste valor, um total de R$ 112,7 milhões, se referem apenas a juros e outros encargos. Inicialmente, o valor orçado do VLT é maior: o projeto da obra necessita de R$ 1,4 bilhão para que o serviço seja executado.

Duas linhas de crédito viabilizaram o modal. Uma com a Caixa Econômica Federal pelo programa Pró-Transporte, no valor de R$ 423,7 milhões e a outra com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Programa de Financiamento de Contrapartidas do Plano de Aceleração do Crescimento (CPAC) no valor R$ 727,9 milhões. Lei mais aqui sobre o assunto.

Ainda não se sabe quanto o governo vai aplicar na obra para concluí-la. Um relatório feito pela KPMG Consultoria, contratada pelo governo, aponta que seria necessário mais R$ 600 milhões para concluir a obra, mas o Consórcio das empreiteiras responsáveis pedem R$ 1,2 bi para terminar tudo.


Foi comprovado antes de começar a construir que não era o melhor sistema indicado

CHECADO COMO: IMPRECISO

Antes e depois da escolha do VLT, uma série de entrevistas com especialistas em engenharia de transportes ‘pipocaram’ na imprensa local. Desde aquela época não havia consenso entre os especialistas, que divergiam sobre a viabilidade do Veículo Leve Sobre Trilhos. Defensores do Bus Rapid Transport (BRT) garantiam que ele era mais barato e mais fácil de construir.

Enquanto isso, os defensores do VLT diziam que o BRT precisaria de mais espaço nos canteiros centrais das avenidas o que forçaria o governo a realizar mais desapropriações. Outra crítica seria referente a durabilidade do BRT, que necessita ser substituído com maior frequência. O VLT, segundo os profissionais, teria uma durabilidade de até 30 anos e poderia ser construído em um espaço de somente 3 metros no canteiro central. Leia mais sobre isso aqui e aqui.


Foram gastos R$ 500 milhões com os vagões do VLT

CHECADO COMO: VERDADEIRO

Ao todo, os 40 vagões do novo modal custaram R$ 497.990.000,00 aos cofres públicos. Os vagões chegaram em Cuiabá em novembro de 2013. Cada vagão tem capacidade para levar 400 pessoas.


A reportagem tentou sem sucesso entrar em contato com a assessoria do candidato. O espaço está aberto para eventuais considerações.