A falsa liberdade dos bloqueadores de anúncios

Está cada vez mais agressiva a investida dos chamados ad blockers contra a publicidade na internet.

Não nos referimos àqueles pop-ups e banners totalmente inúteis — por vezes, nocivos — que você vê por aí, mas à entrada de conteúdo pago nos diversos meios digitais aos quais estamos acostumados (Facebook, Google, Instagram, Snapchat, YouTube etc.).

Não é de hoje que algumas empresas vendem soluções para o “cansaço” dos usuários diante das inserções publicitárias na internet. O AdBlock Plus, mais popular entre essas soluções, tem mais de 300 milhões de downloads e te “salva” não somente do lixo digital — leia-se “Descubra uma solução milagrosa para emagrecer” — mas de todo o conteúdo que tentar estabelecer alguma relação entre uma empresa e você.

É perceptível a evolução na forma como as ferramentas de marketing digital viabilizaram essa conexão empresa — cliente nos últimos tempos.

Se 10 anos atrás, na primavera dos anúncios clicáveis, a “melhor” opção para atingir o público era espalhar banners “chamativos” e nada informativos por todos os portais possíveis, hoje a realidade é bem diferente.

Reforçamos, mais uma vez, que isso não inclui phishing e outros conteúdos “pega-bobo” que vemos por aí.

A realidade é que, com mais de uma década no mercado, empresas como Facebook e Google passaram a aprender com os clientes.

Você acha que eles não sabem que você detesta conteúdo inútil no seu feed, ou mesmo na sua pesquisa?

A mágica dos algoritmos, termo que tem se repetido à exaustão em grupos e portais de tecnologia e social media, reside na capacidade de assimilar comportamentos e entregar conteúdos cada vez mais próximos do que você realmente gosta.

Claro que isso também depende do fator humano (definição de segmentações, palavras-chave etc.), mas a tendência é ver cada vez mais o que te agrada na tela do seu dispositivo.

Identificação vale ouro na publicidade e nada melhor que se envolver com o público através de plataformas que já fazem parte de sua rotina, para criar um relacionamento próximo e duradouro.

E isso está acontecendo o tempo todo, no feed do Facebook, no conteúdo do seu youtuber favorito…

E é aí que encontramos o ponto deste artigo: não importa o quanto o público tente fugir da publicidade, as marcas estão cada vez mais próximas e encontrando novas formas de abordagem.

Elas estão patrocinando o vlog daquele canal que você adora e falando exatamente o que você quer ouvir.

O fato é que nós, da comunicação, não estamos poupando esforços para tornar a publicidade mais humana.

Mais do que nunca, o empoderamento do público vem à tona (poder, inclusive, de bloquear anúncios) e o desafio é ser muito mais que anunciante, um verdadeiro amigo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.