Of Wolves and Men

Desde que tatuei um desenho de lobos no meu antebraço, aproximadamente um ano atrás, minha vida anda sob bombardeio constante de questões sobre o que exatamente ela significa, ou o que ela é. Acho que seria no mínimo justo deixar um parecer escrito por mim em relação à isso, já que pessoas novas sempre terão esse dúvida e em certo ponto fica muito vago uma mera resposta breve, impaciente. Sei que pode parecer apenas mais uma daquelas tatuagens que você vê todos os dias, com belos traços e cor sólida, mas não é bem assim. Para mim, o caminho percorrido até tomar essa decisão foi ardiloso e reflexivo, levando mais de quatro anos até por fim decidir marcar aquilo na pele.

Eu sei que pode parecer estranho ler esse tipo de descrição vir de minha pessoa, mas ela é verídica: O desenho que escolhi é completamente irregular, subjetivo e propositalmente estranho ao olhar. Primeiro e real motivo dessa afirmação é que se trata de um desenho embasado em uma arte rupestre, ou seja, trata as formas com um caráter primitivo, talvez arcaico. Outro ponto importante é a forma peculiar de cada um dos quatro lobos em si, que portam diferenças importantes em suas composições. Muitos já me perguntaram se a tatuagem trata de uma alcateia ou de apenas um animal em movimento, e toda vez tive minhas dúvidas em responder. A verdade é que toda vez que eu a observo, tenho uma interpretação diferente daquela que se imagina, sempre baseada no meu temperamento atual, que foi um dos grandes motivos da decisão do desenho.

Fora as dúvidas que sempre parecem ser as mesmas, muitos se prendem a ideia do lobo em si. Alguns não entendem a admiração envolvida em apenas um animal, ou acham que esse sentimento advém de alguma história pessoal, mas na verdade pra mim funciona como uma filosofia sensorial e particular. Pode parecer uma ideia confusa, mas ao fim dessa leitura você vai ter mais facilidade em entender e até sentir essa presença que me refiro. Parece um grande cliché lembrar da essência do espírito animal desse jeito, mas é a verdade: Para mim, a vida e os comportamentos dos lobos sempre foi muito familiar. Saber quando se tornar um lobo solitário não é só uma questão de independência, mas também de procurar novos grupos quando necessário, crescer e sobreviver, e, quando se está instaurado, fortalecer-se como coletivo. Muito do animal pode ser visto em nosso dia a dia, e para mim, essa essência animal está longe de ser superada. Talvez o anseio predatorial que antes contemplava só a questão carnívora agora tenha novas facetas, mas isso está longe de ser superado, sendo que nesse período moderno acredito que os verdadeiros animais predam por oportunidades, luxo, e principalmente poder.

Mas claro, não só de instintos de sobrevivência somos constituídos. O que mais valorizo dessa semelhança compartilhada é o valor dado ao coletivo e os valores de parceria, principalmente àqueles que se referem ao que denominamos família, seja de sangue ou não. O ponto principal dessa reflexão rasa é: Muitas vezes esquecemos de nossa origem animal e comportamento discretamente instintivo, e como cada um de nós construímos uma imagem diferenciada que nos aproxime desse sentimento. Cada vez que ver alguém com certo fascínio com um animal, lembre-se disso e tente mentalizar o que isso transpassa para você. Mais que meros esboços, cada um desses lobos representa um pedaço do Gregório em si, eternizados em gotas de tinta em um braço qualquer. Garanto: Mais desenhos estamparão meu corpo, mas este em especial é o único merecedor desse texto longo e esmiudado.