Austeridade a qualquer preço?

O assunto em discussão do momento é austeridade. Será que ela é a solução em tempo de crise? Dizer que precisa fazer mais com menos é muito bonito, mas qual é a real efetividade disto? Enfim, “de onde menos se espera, não sai nada mesmo”, já dizia o Barão de Itararé. Então, qual as consequências de uma decisão precipitada e emotiva? Como sabemos se as decisões de cortes são realmente importantes? Onde posso reduzir sem impactar os meus negócios?

Esse discurso de austeridade tem suas fragilidades e expõe um problema clássico das pessoas, principalmente dos profissionais que lidam com decisões diárias. Muitas decisões, sejam do meio rural ou não, buscam resolver as pendências do momento e se esquecem da tendência. Este ponto é primordial para não cair em uma cilada atraente e sedutora, porque “nem tudo que reluz é ouro”.

Antes de qualquer decisão é importante pensar nas consequências. Toda ação tem uma reação, por isso, analisar as tendências das iniciativas de cortes e/ou investimentos é muito importante para não se arrepender no médio e longo prazo. Quando se leva este assunto de austeridade para o meio rural, fica ainda mais sério. O produtor que tem no agro seu único negócio, já possui diversos fatores incontroláveis e impactantes inerentes à atividade, o clima é um bom exemplo. Além da variação de preços dos insumos e fertilizantes. Outro fator importante está no valor recebido por sua produção no final da safra, que é imposto pelo mercado e não pelo produtor.

Tudo isso pesa para a necessidade de analisar com zelo todas as tendências das ações tomadas durante o processo produtivo. O cuidado para não tomar atitudes impulsivas e influenciadas pela onda de pessimismo tem que ser ainda maior neste momento de crédito mais escasso. Pois é muito tentador deixar de fazer investimentos de melhorias na propriedade, diminuir a qualidade dos produtos usados e até mesmo reduzir a área de plantio.

A chave para vencer qualquer animosidade econômica não é a austeridade, mas sim o bom planejamento e inovação. Com essas duas atitudes é possível reverter a situação e enxergar o mundo agro de outro ângulo, além de ter uma visão mais ampla e de longo alcance. Faça um exercício, quando for tomar a próxima decisão, lembre-se de duas palavrinhas: pendência e tendência.

Texto publicado na edição 293 do Jornal Nova Notícia, mês de Março 2016, na coluna AGRO É NEGÓCIO.