Duas abordagens para gerir o conhecimento em projetos

Demis Marques
May 16 · 4 min read

Neste artigo são apresentadas as duas abordagens para conhecimento em projetos, também válidas para conhecimento organizacional como um todo.

Na primeira parte são apresentadas as epistemologias do conhecimento, na segunda parte as definições das duas abordagens e por último um resumo das principais diferenças.

Boa leitura!

Começando do começo

Começo dizendo que não há uma única definição para conhecimento, isso porque o conhecimento é resultante de pesquisas da totalidade de disciplinas existentes e pode ser conhecimento científico (criado no âmbito da ciência), tecnológico (no âmbito da tecnologia) além de outros como o conhecimento popular, tradicional, cultural e etc. [1][2].

Uma busca pela definição de conhecimento perpassa por três epistemologias principais: cognitivista, autopoiética e conexionista [3][4][2][1].

As diferenças sociais existentes nas entre as diferentes culturas sociais afetam as três epistemologias e a natureza dos processos cognitivos. A visão cognitivista percebe o conhecimento como baseado em regras (rule-based), conhecimento capaz de ser transferido; a visão autopoiética traz a percepção do conhecimento individualista, a partir de uma interpretação individual do conhecimento, e a conexionista a visão do conhecimento de grupo (team-based), como propriedade de um grupo [5][4] (Figura 5).

Figura 5: Epistemologias do Conhecimento

Fonte: Adaptado de [5].

A duas faces do conhecimento organizacional: conhecimento como produto e conhecimento como processo ajudam a entender o conhecimento organizacional, seu uso, seus objetivos e como gerencia-lo dentro das organizações adotando diferentes perspectivas sobre o conhecimento e sua função estratégica dentro da organização.

As duas abordagens: produto e processo

Bom, vamos entender então as duas abordagens do conhecimento.

O conhecimento como produto traz a percepção de o conhecimento é algo, uma coisa, que pode ser identificado, manipulado e armazenado como um objeto.

Nesta abordagem é possível que o conhecimento seja medido, capturado, distribuído e gerenciado, centrando-se em artefatos que representem o conhecimento, como documentos, banco de dados, taxonomias e estruturas de conhecimento etc. É uma abordagem que trata da codificação ou centrada em conteúdo [6].

Outra abordagem é a do conhecimento como processo.

Esta abordagem suprime a ideia de manipulação, distribuição e armazenagem do conhecimento, ela tem como foco as formas de promover, incentivar, motivar, alimentar e orientar o processo de conhecer [6].

Nesta percepção a gestão do conhecimento esá como um processo relacionado a comunicação social, com ferramentas que podem colaborar com cooperação e colaboração entre os indivíduos, estando o conhecimento intrinsecamente ligado ao indivíduo, pessoa, que desenvolveu determinado conhecimento e seu compartilhamento se dá de pessoa-a-pessoa [6].

As tecnologias da informação e comunicação neste caso, servem para auxiliar as pessoas a comunicarem seus conhecimentos, mas não para armazená-los [6].

Conhecimento como processo é uma abordagem focada em colaboração e personalização [6].

O quadro seguinte da uma resumida nestas diferenças.

Quadro 1: Diferenças entre as abordagens do conhecimento como produto ou processo.

Fonte: Adaptado de [6].

É isso, espero que tenha contribuido para seu entendimento!

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Referências

[1] PACHECO, Roberto Carlos; TOSTA, Kelly Cristina Benetti Tonani; FREIRE, Patrícia de Sá. Interdisciplinaridade vista como um processo complexo de construção do conhecimento: uma análise do Programa de Pós-Graduação EGC/UFSC. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 7, n. 12, 2010.

[2] FREIRE, Patrícia de Sá; SPANHOL, Fernando José. O conhecimento organizacional: Produto ou processo?. Perspectivas em Gestão & Conhecimento, v. 4, n. 1, p. 3–21, 2014.

[3] VENZIN, Markus; VON KROGH, Georg; ROOS, Johan. Future research into knowledge management. Knowing in firms: Understanding, managing and measuring knowledge, p. 26–66, 1998.

[4] JELAVIC, Matthew. Socio-technical knowledge management and epistemological paradigms: Theoretical connections at the individual and organisational level. Interdisciplinary Journal of Information, Knowledge, and Management, v. 6, n. 1, p. 1–16, 2011.

[5] MARR, Bernard; GRAY, Dina; NEELY, Andy. Why do firms measure their intellectual capital?. Journal of intellectual capital, v. 4, n. 4, p. 441–464, 2003.

[6] MENTZAS, G. The two faces of knowledge management. International Consultant’s Guide, p. 10–11, 2000.

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Demis Marques

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Professor e consultor em gestão, atuando +10 anos com agilidade, atualmente desenvolvendo uma tese de doutorado sobre o tema, disseminando conhecimento e etc.

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