Estrangeiros escolhem Maringá

Três estrangeiros que moram em Maringá contam como é viver longe de casa.

Estudo, trabalho, melhores oportunidades de vida são alguns motivos que levam milhões de pessoas a saírem de seus países de origem para fixar residência em outro lugar. Segundo o último Censo do IBGE, o número de imigrantes no Brasil quase dobrou em relação a 2000 sendo, agora, de 268.201. O Paraná aparece em segundo lugar com 39.120 estrangeiros residentes, ficando atrás apenas de São Paulo.

Para entender como é a vida dos que se arriscam a viver longe da sua terra natal, conversamos com três estrangeiros que escolheram morar em Maringá e nos contaram quais as dificuldades, o que há de bom aqui e quais percepções sobre o Brasil mudaram ou se fortaleceram com a permanência no país.

Carolina Silva

Carolina Silva, portuguesa que trabalha em um restaurante no Brasil.

Carolina Silva veio ao Brasil para estudar. Portuguesa formada em Arqueologia pela Universidade de Coimbra, teve a oportunidade de fazer mestrado na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Não tinha pretensões de sair de Portugal, entretanto a crise a impediu de continuar por lá. Hoje ela trabalha e desenvolve projetos no restaurante japonês Rock and Honda, mas também pensa em voltar a Portugal. Há um ano e meio vivendo em Maringá ainda não se adaptou ao calor e à falta de segurança. “Lá é super normal tu ires a um bar e se for preciso voltar às quatro, cinco da manhã a pé sem qualquer problema. Aqui já é mais perigoso”, afirma. Lidar com o povo brasileiro não foi um empecilho, já que em Portugal trabalhava em um bar universitário em que a presença de brasileiros era frequente, além do fato de ser casada com um brasileiro, que conheceu ainda na Europa.

Osires Adriano

Osires Adriano, de Guiné Bissau veio para Maringá motivado pelos estudos.

Osires Adriano, de Guiné-Bissau, chegou no Brasil em fevereiro de 2009. Sua vinda foi motivada por uma oportunidade de estudo na Faculdade Maringá, onde formou-se em Administração com ênfase em análise de sistemas e cursou a pós graduação em Gestão e Tecnologia da Informação.

A escolha do Brasil não foi por acaso. Segundo ele, seu país “consome muita informação do Brasil, em relação a tudo” e isso despertou a vontade de conhecer o país. Osires disse que “o Brasil é muito rico em cultura”, porém decepcionou-se com a falta de informação do povo brasileiro em relação a Guiné- Bissau, acreditava que aqui sabia-se tanto de seu país quanto os guineenses sabem de nós. Sobre as dificuldades de adaptação, sem hesitar respondeu que a falta da família é bem intensa e que pretende voltar a Guiné-Bissau no futuro, porém que agora está aproveitando as oportunidades que o Brasil tem proporcionado.

Michele Perius

Michele Perius, libanesa que já morou na França e hoje vive no Brasil.

Michele Perius nasceu no Líbano e mudou-se com a família para a França quando ainda era pequena. Não pretendia sair de lá até que conheceu seu atual marido, brasileiro, que estudava em Paris. Deciriram, então, morar no Brasil.

Maringá foi a cidade escolhida pelo fato do marido ser professor da UEM. Hoje, ela dá aulas de francês e atua como psicóloga em uma clínica particular. Ao contrário dos outros entrevistados, Michele não pretende voltar a morar na França, mas a saudade dos amigos e familiares a faz querer visitar seu país. Michele diz que o que mais a surpreendeu no Brasil foi o fato de sermos um “país europeizado”. A imagem que tinha de um lugar bastante arborizado, cheio de natureza, foi trocada pelas cidades grandes, com muitos prédios, o que ajudou na adaptação. A facilidade em aprender novos idiomas e o povo amigável também contribuíram. O que ela mais gosta do Brasil, assim como Osires, é a cultura, muito rica segundo ela.

Independente dos motivos que trouxeram os três ao Brasil, o apreço pelo país escolhido é unânime e todos são gratos pelo acolhimento e a receptividade do povo brasileiro. A única coisa que os impedem de aproveitar completamente a vida nova é aquele sentimento universal que só o idioma português resume em uma palavra: a saudade da família e dos amigos que ficaram em seus países de origem.

Escrito por Bárbara Pessoa
Fotografias por Camila Kadowaki, André Neri


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