Existência

Houve tempos em que pensei estar vivo, quando na realidade estava morto, se decompondo por dentro.

É verdade que temos um lugar para ocupar, mas quando você está a ocupar um lugar que não é seu, o que se pode fazer? Nossa vida é um mistério, uma vastidão de caminhos que percorremos sem saber onde irão nos levar. A existência é muito mais que o solo em que piso, a existência é muito mais do que os olhos podem ver -a vida é um mistério.

Existe algo escondido no ser humano que os olhos alheios não conseguem enxergar, a não ser que olhemos com a alma para a insignificância que há dentro de si, daí se pode percorrer o caminho que conduza a relevância. Um caminho que leve ao nosso lugar, o qual é o nosso espaço no universo, onde a vida continua sendo um mistério, mesmo quando meus olhos estão abertos para a existência que já tenho diante de mim, diante de quem sou.

Como a vida, as pessoas também são um mistério, um ser singular que luta contra si próprio no interior da alma, onde o fluxo do fôlego de vida corre como água rio abaixo. É uma guerra, uma imensa complexidade, às vezes é choro, as vezes são risos, mas o sentido geral é que se não houver sacrifício jamais haverá vitória. Todos os dias são sacrifícios em si, lutas intermináveis no fundo do ser que sou.

É a complexidade da existência que nos tornas tão diferentes um dos outros, e, ao mesmo tempo tão semelhantes nos ares, desares e azares.

O amor é o ópio e a cicatriz, quando baixamos a guarda o amor pode ferir, o amor pode te destruir, mas outrora te levantar. No deserto presente, existir tem um sentido, tem uma direção, você já tomou ciência disso? Preciso que quem a vida me deu, sacuda-me na peneira da misericórdia, que me triture no punho da sua justiça, para que sobre em mim o melhor que posso ser, que é olhando para ti que mais do que simples existência posso ser.

Quebrem as costas, ou qualquer membro do meu corpo, guardado está o Messias na minha alma, eu o guardei e ali Ele estará. A solidão, e até mesmo a completude perdem o sentido quando volto meu carnal coração para a santidade de teu caráter, sou imundo como o pó da terra.

Autor: Jeferson Veiga