O alívio

Uma sombra que desperta a ambição

Vivemos com mil ambições na cabeça. Ambições prazerosas, ousadas, impensáveis, inimagináveis e inconsistentes. Tudo é uma vontade, tudo é um desejo, tudo é um querer: eu quero. E quem quer, tudo alcança, ou quase.

No meio da nossa ambição, do nosso sonho, há uma pedra inesperada, que alguém botou, não sei quem, nem como, ou de onde, mas lá está ela, firme e forte. O próprio alguém que o fez desconhece a sua existência e não sabe por quê fez o que fez. 
Mas então por quê ela existe? Realmente, continuo sem saber. Mas ela é real. E é uma pedra. Uma droga de pedra que atrapalha tudo o que estávamos idealizando.

Uns diriam que essa pedra é o medo, que ela é o seu reflexo, ou a vida, o destino, que é um chamado talvez. Meio cliché.

Eu conheci essa pedra aos meus 4 anos de idade, quando olhei para o chão e vi uma sombra.

E ela me segue desde então. E como me segue! A safada faz absolutamente tudo comigo, me ama mais do que os meus pais e não desgruda de mim por nada. Parece namorado, ou amante, também ciumenta e inconstante. Sempre fico fascinada como ela se adapta a qualquer luz, mas na escuridão, ela é forçada a me abandonar.

Quem é ela? De onde veio? Por quê me segue? 
De amiga, ela nada tem. Ela é o inverso e o controverso daquilo que sou. Ela assopra no meu ouvido, ondula na minha cabeça e serpentina nos meus pensamentos.

E ela vê. Ela vê claramente as minhas ambições. Ela observa e rastreja até aquele lugar de auto-confiança e te segue, te sufoca, te aperta, te penetra. Te aperta. Te penetra. E recomeça.

Eis a pedra. Eis o obstáculo.
Do tropeçar, vem a determinação. Da determinação, vem a esperança. Da esperança, vem a ambição.

A questão final é: quem permanece? A pedra ou o sonho?

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