Meu pensar

Eu sempre fico remoendo o que se foi… O passado me atrai e o futuro me dar medo.

Alí Nacif
Sep 1, 2018 · 5 min read

Sempre tive o dom de me apaixonar rápido/fácil por pessoas, cores, cidades, climas. O diferente e o ousado simplesmente me atrai, a mesmice apenas me controla, as mudanças e a falta dela também foi me envolvendo como uma teia de aranha, te pega sem saber e não te larga até te secar… assim fui seguindo, assim me deixei levar. Passei 4 anos vivendo uma utopia, daquelas que te tira do centro e te leva ao canto, ao meio e ao fundo. Passei pelo nordeste, centro oeste, sul e voltei ao nordeste, depois virou circuito — Belo horizonte, rio de janeiro, são paulo, belo horizonte, Uberlândia, belo horizonte, sul de minas, rio de janeiro, belo horizonte… sempre com a certeza/incerteza que aquilo me completava, não no todo, mas naqueles dias, meses e anos tudo se fazia interessante, tudo era novo, sempre desafiando meus limites e minha razão. Comi, bebi, me droguei, chorei, amei e sorri muito, tudo sempre num instante que passava no meu olhar e eu sempre TIVE A CORAGEM de agarrar e dizer que aquilo também era meu, minha luta agora fazia total sentido, auto reconhecimento no meio da multidão. Assim fui levando a vida e deixando que ela me levasse da melhor forma. Melhores experiências, devaneios, sorrisos, trampos, vivências antropológicas com todas somas e pesos…

Anos passaram e junto com ele veio as eternas e constantes mudanças de endereços, de cor de cabelo, amigos, números de telefones, novas redes e pontos, tatuagens e piersing… as coisas apenas foram acontecendo por si. Descobri a dor de ser quem sou, da luta por direitos e igualdades. Nossa como tudo foi dolorido e aliviador ao mesmo tempo, sentia tudo vindo como um golpe mortal, mas a dor não era solitária, sentia nos meus próximos que nunca estaria sozinho, digo isso com verdade, pois eles nunca me deixaram sozinho, da forma deles e das minhas cada um foi até onde pôde e foi feliz ❤

Em 2016 resolvi dar um novo passo, sai daquilo que até o momento me completava e resolvi bater perna sozinhoa, nossa que medo, quanta angústia guardada, quanto desejo oculto de gritar e dizer que sou meu! Foi dificil e gostoso, tudo foi acontecendo sem planejamento, sem busca, apenas o acaso me deixou ser livre e aberto. O tempo mais uma vez fez o seu papel, outras alegrias, pessoas, bairros, cidades e estados, novos desafios, tudo bem fresquinho e confortável, digo apenas pela forma que troquei de lutar, enquanto estava em conjunto pensando na militância como um todo eu agora estava dentro do sistema podendo entender, aprender e continuar a construir tudo que eu já havia lutado, desta vez com novas pessoas e um medo insano misturado com a vontade de transformar, juntando com a força de quem ta de fora (falo do sistema), unir forças que juntos vamos conseguir (acredito real nessa união).

Nessa hora eu me peguei pensando — “vai besha, sem medo se cair lembra que depois da queda tu vai poder levantar”.

Assim fechei 2016 e deixei o 2017 entrar! Louco, insano, delicioso, assustador… disso veio os primeiros desafios da selva, continuar ou parar?

Eu como um belo e original ariano resolvi arriscar, tentei e não consegui, depois o nosso velho amigo (o tempo) veio e fez o seu papel, foi passando e construindo.
2017 também foi o ano de abrir minha caixa preta e falar o que vejo no espelho — reconhecer além do que transparece. (continuação em meados de 2018).

Eu sinto la no fundo, fundo esse que nem eu consigo mensurar tamanho e nem local onde ele fica reservado, sei apenas que ele sempre tá ali, apenas no canto ou simplesmente resolver mergulhar vez ou outra. Não sinto medo da solidão, ela incomoda, lóooogico! Não sinto que sou egoísta, não mesmo, sinto que todo mundo tem uma lógica fria pela reprovação, pelo coletivo, igual… onde na verdade cada um tá apenas visualizando e focando no seu, no fundo é sim, não me venha com argumentações, conceitos e vale dizer DITADURA. Percebo, sinto e luto eternamente pela igualdade de ser, querer, agir e pensar, incluído de todas as plataformas, conceitos e preceitos que já tá bem escancarado — FORA Golpista.

Baby, somos apenas um pedaço que precisa se entender como tal, responsável por suas decisões, mas digo DECISÕES e não apenas devaneios de sanidade. Dizer que anda na lei é fácil, o difícil são as ações que vez ou outra estará sobre erro. Ser contra quem passa no sinal vermelho e fica apenas calado ou não percebe quando o motorista do ônibus passou no sinal ou parou em cima da faixa de pedestres e simplesmente se cala, deixar passar te torna tão culpado quanto quem fez, da mesma forma no táxi, no uber ou seja lá qual transporte e leis de transito que você burla sem nem perceber. Ou você nunca pegou carona ou deu depois de muitos goles de cerveja na balada? Huuum, acho que direção + álcool nunca foi boa ideia né mesmo?!

Enfim, no meio dessa confusão inteira eu vou apenas me reconhecendo, além da evolução mental e estrutural, falo de sentimento de posse, eu, meu, completo, incompleto, nu… Eu e eu, sentindo apenas uma bagunça louca lá dentro querendo sair e ao mesmo tempo tudo tá tão organizado que você passa despercebido.

Pulando de assunto. Isso é apenas um adendo no meio dos desvaneios. Sabe o que me faz feliz ao sair de casa? É encontrar na rua um desenho de amarelinha, uma calçada inclinada porque aí vem o lúdico, lindo, puro e feliz. Aíiii que delicia sair pulando ou tentando se equilibrar no meio do tumulto do centro, pessoas correndo, carros buzinando, uma zuada do cão, só que por um segundo eu só enxergo uma vontade insana de sair brincando, e vou saltitando, igual a uma gazela (isso que ouvi um dia de uma moça). Eitaa, como me divirto, acabo saindo na gargalhada, nossa, você sabe o que estou tentando expressar? É magiiiiia kirida, tenho certeza, nada, nada te atrapalha, só o motoqueiro que sempre quer te matar.

Corre viado, sai da frente bixona, eii maguelo, quer morrer porra?

Dou risadas e saiu de rua. Pronto, estou pronto para iniciar o dia, bora trabalhar.

Continua…

alinacif

Minha descargar de sentimentos, aqui expulso e impulsiono meus desejos, medos e anceios

    Alí Nacif

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    Construindo uma vida em cima de fatos.

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