Eu recordo do peso da aliança dourada na mão esquerda. Eu havia sonhado tanto com aquele momento que nunca duvidei que esse fosse “o” caminho. Foi o maior passo de independência que eu já havia dado na vida, e com ele, veio uma bagagem enorme que incluía família, marido, casamento, casa nova, gatos, móveis e o a construção de um legado familiar. Eu não aguentei.
Lembro dos segundos antes de abrirem as cortinas e eu adentrar no salão, com todas as pessoas que amo presentes. O meu primeiro olhar foi para você. Você sempre foi meu foco de segurança. Eu me acalmei ali. Engraçado pensar que meu porto seguro já não são seus olhos.
Em todas as fotos do casamento eu estou dando um largo sorriso. Eu acho que ali foi meu primeiro auge da vida. Eu nunca tinha sido tão feliz como no dia 04/09/16 e quero guardar esse dia na lembrança. Por mais que não tenhamos dado certo, aquele dia foi todo nosso e espero nunca apagar da memória. Tudo ali foi honesto e bom — pelo menos para mim.
Hoje, estou consciente que foi demais para você e para mim. Não estávamos preparados para viver isso. Acho que conversamos pouco antes de tomarmos uma decisão tão profunda. Não alinhamos as expectativas. Errei em jogar um casamento no teu colo e você errou em não ter negado. O nosso encontro com a realidade dura de um casamento não foi feliz; o nosso amor não resistiu.
É tão triste analisar o nosso fim. Não porque me machuque, mas porque era de verdade, desde o começo foi. Eu me doei a você, mas não foi o suficiente. Eu amei você ou amei a versão que criei de você, mas eu não menti quando disse que “meu amor foi teu”. Eu tenho a plena certeza que durou o tempo que deveria durar, o sentimento só mudou e está tudo bem. Bem melhor do que viver uma falsa verdade.
Eu culpei você pelo fim. Culpei por não ter lutado pela gente. Culpei por não ter me dado um plano de vida para seguir. Quando um coração está ferido a única maneira de se sentir melhor é culpar alguém. Mas quando bate a consciência e tiramos a nuvem de mágoa dos olhos, conseguimos reconhecer os nossos próprios erros e eu os reconheço. Reconheço que eu também desisti da gente. Eu me cansei dos meus planos, da rotina e não concordei com a vida que você propunha para mim. E no fim, estávamos abatidos, infelizes e sem perspectivas. Que bom que tivemos maturidade de mudar — eu me orgulho muito disso. Doeu muito, mas para qualquer dor, existe a cura, a paz e o perdão.
Ciclos chegam ao fim e chegamos ao nosso fim. Sei que nesses 8 anos um homem e uma mulher nasceram, mais maduros, mais sensatos e mais fortes. Eu não sei o que o futuro me reserva, mas sei que fiz um bom passado; a minha história é incrível. Obrigada, Renan, por ter feito parte dela.
P.s.: a marca da aliança, finalmente, saiu do meu dedo. Meu dedo se curou, assim como meu coração.
