Abalado

Finalmente contei aos meus pais que sou gay.

Eu contei! E foi difícil, eu não imaginava que isso estava mesmo acontecendo, aquelas palavras estavam saindo da minha boca, mesmo com a voz embargada de choro e sem lágrima nenhuma nos olhos.

Eu me justifiquei, e como me justifiquei, e cada palavra contrária, cada negação era como uma mina explodindo dentro do meu corpo. Eu já esperava por aquilo, eu esperava reação igual e até pior, mas estava acontecendo, não era mais sonho ou expectativa, eu estava falando, me libertando, me expondo, ferindo o coração de minha mãe, depois do meu pai e destruindo o meu.

Não foi aliviante, nem reconfortante, mas a dor é um processo transformador, me sinto forte para lutar pela minha felicidade, independente do quanto pior pode ser, porque se suportei essa, outras hei de suportar.

Já contei para algumas pessoas como foi, e isso ainda não me libertou, preciso chorar, desabar em mim mesmo, sozinho, mas sem pressões. Chega de pressões. Essa foi a última, esse foi o estágio máximo dessa história toda, um ponto final de um ciclo e um travessão para um novo.

Abalado, confuso, culpado mas ainda assim de pé. Como sempre permanecerei. Isso passará.

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