Olá Medium, aqui estou.

Comecei a escrever em meados de 2010, quando ainda adolescente, entre 16 e 17 anos. Eu via na tevê e lia a respeito de blogs, o quanto eles poderiam ajudar uma pessoa a se entender melhor, a organizar os pensamentos, etc e tal. Eu estava vivendo um emaranhado de novas situações das quais eu me sentia totalmente despreparado, como uma sexualidade, que muito mais tarde foi aflorada.

No auge dos 17, finalizando o ensino médio eu me dividia entre escola, primeiro emprego e igreja. Aquilo de ser gay não poderia estar acontecendo comigo, era como se eu estivesse mesmo infligindo uma regra. “Não posso desejar os meninos de minha classe”. Será que minha autoestima era tão baixa ao ponto de eu achar um rapaz bonito? Era essa a explicação que eu me dava. Era esse o meu segredo.

Eu ia à igreja, e adorava participar do grupo de jovens, nunca me senti acolhido em lugar algum, a escola me marcou por muito tempo, desde muito novinho com o bullying, e isso me trazia um total sentimento de deslocamento, onde quer que eu estivesse, mas dentro da igreja eu sentia como não estivesse sendo julgado.

Morria vergonha de me expressar e alguém suspeitar ou duvidar de minha sexualidade, já chorei várias vezes ajoelhado, implorando para que Deus mudasse meu jeito e me desse forças para continuar tentando.

Eu fixei minha amizade com uma garota da igreja e transformei ela em uma paixão, aquilo poderia ser a minha salvação, eu acreditava que tinha o poder de escolher sim com quem eu estaria, e que seria feliz um dia com essa “escolha”.

Anos se passaram e eu mantinha em mim o segredo de que eu olhava de forma diferente para homens. Mudei de empregos, de igrejas, mas dentro de mim nada acontecia, eu perdurava dentro de minhas prisões. Isso sempre foi muito torturante. Isso sempre me fez muito mal.

Cheguei a escrever sobre esses sentimentos diversas vezes. Nunca consegui publicá-los. Era segredo. Alguém poderia ler meu blog. E depois que eu contasse não teria como voltar a trás.

Medo. Angústia. Sofrimento. Depressão. Ansiedade. Tristeza.

Solidão.

Eu me sentia só, não podia falar, e nem mesmo utilizar o blog, ferramenta da qual eu criei para me ajudar e que não estava ajudando de forma completa. Passei por tudo isso sozinho.

Vi vídeos, e filmes sobre o assunto, aprendi com o youtube com o “Canal das Bee, Põe na Roda, Enrique Coimbra, Eduardo Bressanim” e todo youtuber que falava sobre aceitação e descoberta, me lembro de ver o Federico Devitto se assumindo com o vídeo “Gay sim, e daí”, abordando o tema como algo tão natural, ele, um puta rapaz bonito e midiático, era gay, simplesmente porque era.

Tive um percurso conturbado para me tornar quem sou. Tive apoio de muitos amigos, de todos inclusive. Mesmo aqueles que demorei pra contar. Hoje eu não vou desistir da minha felicidade. Ainda não me assumi para minha família, então aqui vou relatar o que passei, o que tenho passado, vou fazer daqui uma válvula de escape mas também um lugar para ajuda mútua. Quero ajudar e preciso ser ajudado.

Ninguém mais vai dizer quem eu sou. Eu mesmo direi.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.