Preciso escrever sobre coragem [LGBT]

Uma das minhas maiores “queixas” de quando comecei a terapia, em agosto de 2016 foi a “falta de coragem” que eu acreditava ter. Eu sempre me queixava para a terapeuta como eu me sentia mal em não conseguir falar da minha sexualidade para meus pais.

Eu tenho mesmo essa tendência de olhar e me focar nos meus “pontos a melhorar” e acabo esquecendo de me concentrar nas minhas qualidades, eu olhava a questão de me assumir para meus pais de um ângulo bem desfavorável, me sentia muito impotente por não conseguir verbalizar e por temer as consequências disso.

O aprendizado mais valioso que obtive em quatro meses de terapia foi sem dúvida aceitar que sou corajoso. Dentre todas as coisas que tive que aceitar em minha vida essa era uma coisa que não vinha clara em minha mente e com a ajuda da terapeuta eu descobri que me auto sabotava.

Descobri que era corajoso por ter buscado ajuda, que era corajoso por querer contar, enquanto muita gente não chega a cogitar essa hipótese. No dia que me assumi para minha mãe foi um dos piores dias da minha vida, me senti tão pequeno, tão humilhado, tão vulnerável e triste, muito triste. Hoje vejo como fui corajoso de enfrentar tudo isso, e eu sabia que não seria fácil, até cogitei hipóteses de cenários muito piores, como ser expulso, por exemplo, o que não aconteceu.

Ouvi várias indagações de meus pais, que tentavam (para meu bem), me mostrar o quanto eu estava errado em assumir minha sexualidade, o quão “perverso e promíscuo” é esse mundo e me encheram de julgamentos e questionamentos, como se eu já não os tivesse resolvido todos internamente, foi ideal o tempo de me aceitar e não contar a eles no período de descoberta, isso sem dúvidas poderia trazer muitas complicações.

Não faz um ano que me assumi pra eles, e dois meses que namoro um rapaz, a tensão de contar que eu estava compromissado era quase igual a de contar que sou gay, porque eles não aceitaram muito bem e não parecem se esforçar para entender.

Depois de muito julgamento e certa opressão eu vejo como a luta é diária e como eu tenho me nutrido de coragem nesse tempo. Inicialmente eu fui didático e tentei explicar como era e como funcionou minha auto aceitação, mas hoje em dia eu luto por respeito. Não me atenho mais para explicar minha sexualidade a eles, e nem como me sinto, não vejo interesse por parte deles em querer compreender e sim em querer me convencer a “voltar a trás”, dia desses minha mãe disse que estou com meu “psicológico confuso”, e eu resisti. Não demonstrei interesse em continuar esse tipo de conversa, ou discussão, que não vai convencê-la de que sou convicto da minha sexualidade.

Foi preciso coragem e me lembrar de que por mais que eu pareça frágil, eu sempre fui corajoso, apenas não enxergava isso em mim.

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