Relatos de um quase namoro hétero.

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Quando eu tinha meus 20/21 anos eu tentei namorar uma garota. Ela trabalhava na mesma loja que eu, e todo mundo botava a maior pilha para que isso acontecesse, enquanto eu relutava o fato de me atrair por homens, acreditava também que era possível me apaixonar por uma menina. Menti tanto pra mim que eu mesmo acreditava nisso.

Fui a convite dela no culto da igreja que ela congregava, diga-se de passagem que o estilo de igreja que ela frequentava era bem diferente do estilo do qual eu estava acostumado e eu não gostei. A verdade era que ela já estava de olhos em mim, afinal eu era um partidão. Embora fosse afeminado (não tanto quanto hoje) eu estava cursando faculdade, tinha certo status na loja e era um evangélico bem rigoroso. Tinha meus bons dotes, vamos definir assim haha.

Eu nunca tinha beijado de língua, nem ela, tinha dó dela (sei que é um sentimento nada nobre), a coitada era extremamente controlada pelas irmãs que a criaram e com 25 anos na vida não sabia nem o que era beijo de língua. Eu também tinha dó de mim, mas o que gritava mais forte era sem dúvidas a angústia que eu vivia em não entender muito bem minha sexualidade. Também me cobrava internamente por isso. Imagino a cabeça da coitada.

Ela era imatura e eu confuso. Qual a chance disso virar um relacionamento gente? ZERO. Uma vez fomos comer um lanche e conversamos sobre relacionamentos e coisas do tipo, combinamos que se namorássemos eu usaria aliança e ela não, porque trabalhávamos na mesma loja, e a política da empresa proibia casais na mesma unidade de loja (um deveria ser transferido se descobrissem).

Não chegamos a dar nem um beijo de língua, eu não sabia como chegar em alguém e beijar, nem ela a propósito e meu nível de atração física era zero. Tudo o que eu mais sentia era medo e ansiedade, mas mesmo assim me forçava acreditar que esse era o caminho da normalidade, da salvação e afins.

Meu primeiro beijo de língua foi com um garoto, eu enfiei mais dente do que língua, coitado.

Ela se mostrou preocupada com meus dentes no beijo (Allan você não vai me morder com esses dentes não né?), haha eu nem aparelho usava, tinha uns dentes tortos, graças a Deus o tempo ajuda algumas pessoas, e eu sou uma delas.

A última vez que a vi foi por acaso, ela descia a pé a mesma rua que eu descia de ônibus, tinha mudado um pouco o visual e quando a vi tudo veio a tona, inclusive minha certeza de que aquilo não daria mesmo certo, ela não merecia me ter como um namorado. Ia ser um péssimo relacionamento, juro pra vocês.

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