Sonhos recorrentes.

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Tenho sonhos recorrentes. Sonhos ruins. Apaixonar-se para um LGBT que convive com uma família que trata sua sexualidade como comportamento é estar em um divisor de águas. Como se o LGBT não pudesse ter sua felicidade por completo. Nunca.

Para um LBGT tudo o que envolve relacionamentos é pautado por escolhas, duras escolhas, entre família e um ser humano do qual o LGBT está a conhecer. Meus sonhos recorrentes são sempre de conflitos com meus pais, de brigas e não aceitação e da exaustidão em explicar e tentar fazer entender que apenas estou amando.

Medo. Esse sentimento cerca o início do relacionamento e é ele que começa a dar diretrizes para um relacionamento acontecer ou não. Muito por causa do medo que não assumo meus sentimentos publicamente até ter total certeza que a outra pessoa corresponderá. Por causa do medo meus encontros são sempre camuflados, por causa dele minha família não pode saber até que tudo esteja mesmo firmado.

Eu sei que o medo ás vezes é excessivo, mas tento não deixá-lo me dominar nas coisas mais sutis e simples, é por isso que não me nego a possibilidade de postar uma foto em rede social ou de andar de mãos dadas com quem estou aprendendo a me relacionar, mas sou privado involuntariamente de algumas coisas que não precisaria de fato ser.

Não posso contar para minha mãe de como estou me apaixonando por um rapaz, e todos os bons sentimentos que ele me trás, preciso esconder que ganhei chocolates dele dizendo que os comprei, preciso dizer que fui dormir na casa de uma amiga quando na verdade eu achava aconchego nos braços dele. Eu só posso ser objetivo e claro quando estiver oficialmente com status de “Namorando”.

É por conta do medo, da insegurança e do preconceito que vivo em meu lar que meu subconsciente trabalha árduo em produzir sonhos ruins, e foi assim desde que me assumi a mim mesmo, os sonhos antes recorrentes de contar a eles que sou gay deu espaço para sonhos em que eu tento fazê-los entender que nasci assim e hoje os sonhos que me atormentam é sobre ter um relacionamento com um homem, decretando de uma vez por todas que sou gay sim.

Mesmo com todos esses sentimentos eu tenho certeza de que se essa relação se tornar um relacionamento eu não vou colocar ele no armário, afinal: armário não é lugar de gente. As consequências eles vão ter que aprender a lidar, eu vou ter apoio do namorado e amigos mas prometi a mim mesmo que não vou me dobrar a preconceito e religiosidade, vou ser livre, mesmo que isso me custe feridas e rompimento como meus pais. Não posso viver eternamente refém dos meus sonhos.

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