Entrevista com ELLAS

Dupla de DJs de São Paulo: ELLAS

Elas chegam atrás das pickups de máscaras e figurino negros, olhos e lantejoulas brilhando com as luzes da pista e de lanternas. O visual é um complemento à discotecagem impecável das DJs do ELLAS, que se valem de variantes da house music e do bom gosto para injetar energia em qualquer festa.

O look desobediente e feminino do ELLAS aparece em um momento de intenso debate sobre os avanços e os limites alcançados pelas mulheres na sociedade até hoje. E não é coincidência. Leia a entrevista que fizemos com a querida DJ Reggie do ELLAS, logo após o debut no Rex Club em São Paulo em Julho passado. Para ouvir um set do ELLAS veja o link do Mixcloud no rodapé.

“ELLAS é, acima de qualquer coisa, sobre o empoderamento musical e artístico feminino” — DJ Reggie

allbands —Quais são as principais referências musicais do ELLAS?

Reggie — Nossas principais referencias vem do house, disco, nu disco, tech e deep house além, é claro, do techno, uma vertente que sempre tem algo presente em nossos sets e que possuem timbres de maior ‘viagem musical’, além de uma performance um pouco mais acelerada para os momentos de ápice da pista de dança.

allbands — E para quem já conhece o seu trabalho como DJ Reggie, vai ouvir diferenças na pegada musical do ELLAS?

Reggie — O universo da DJ Reggie é um pouco mais amplo e free style do que o do ELLAS, por conta do meu longo percurso musical, que vem da atuação em diferentes tipos de eventos, festas, além de edições de trilhas para desfile e lojas. Na pista de dança, musicalmente falando, o ELLAS não se distancia muito das influências da DJ Reggie; a diferença se dá nas performances e o universo que engloba a apresentação de ELLAS: as máscaras e roupas, os instrumentos musicais e o conjunto da dupla.

allbands — Adoramos a ideia dos trajes e das máscaras, de onde veio a inspiração?

Reggie — A Salete, minha parceira no ELLAS tem uma base no teatro, dança e agora música. Eu sou muito da moda e da música. Logo, ELLAS é totalmente teatro x musica, e com isso toda a ideia do figurino tem base nos movimentos teatrais, artísticos e do comportamento feminino.

Para amarrar o conceito convidamos um amigo, o produtor de moda Alexandre Moreirah e, juntos, trabalhamos essas duas influências em conjunto com um olhar e leitura de moda (outra grande paixão nossa). Buscamos transportar isso para o universo lúdico de artistas e estilistas que amamos, como Alexander McQueen e Gareth Pugh e, partindo dai, começamos a construção da áurea de ELLAS, o figurino e máscaras.

O macacão é inspirado no Zentai, que é uma manifestação artística que surgiu nos teatros do Japão, onde a ideia é se libertar do seu eu particular e se tornar um indivíduo qualquer, sem identidade.

Já as mascaras são inspiradas nas mulheres muçulmanas, que durante toda a sua vida são levadas a cobrir seus rostos.

ELLAS é, acima de qualquer coisa, sobre o empoderamento musical e artístico feminino.

allbands — Quero falar sobre esse empoderamento, mas antes: quem assina o figurino?

Reggie — O figurino conta com a assinatura de alguns estilistas. O macacão é desenvolvimento do Walerio Araújo. Usamos máscaras do Walerio, do Marcos Manzutti e algumas do Lucas Anderi, que tem sido nosso maior apoiador no desenvolvimento das máscaras.

allbands — O seu interesse pela moda é antigo né?

Reggie — Sim. Trabalhei como modelo por 10 anos e comecei minha vida profissional em loja de moda e showrooms. Também passei por redações de revistas de moda ao longo da minha estrada. Hoje trabalho em diferentes áreas da moda, seja no desenvolvimento de trilhas para desfile e lojas, produção ou comercial de moda.

allbands — E como você conheceu a Salete, em que contexto vocês decidiram trabalhar juntas?

Reggie — Eu e a Salete nos conhecemos há alguns anos, através de amigos em comum e conexões de trabalho.

A Salete é empresaria, mas tem formação em teatro e dança, duas paixões que ela nem sempre pôde priorizar na vida. Mas ela tem família e amigos que trabalham no segmento de nightclubs e festas, e por isso sempre esteve inserida no mercado de entretenimento. Aos poucos ela foi entrando mais no universo da música, estudou técnicas de discotecagem e começou a idealizar um pocket show com essa linguagem voltada para a noite, para as grandes festas; um show com olhar de teatro, dança e música. Algo novo.

No começo do ano passado eu estava discotecando em uma festa e após o meu DJ set ela me falou um pouco da ideia e me convidou para fazer parte desse projeto. Eu adorei e topei na hora. Partindo daí começamos a nos encontrar para amarrar toda a ideia dentro de um conceito musical, e passamos a ensaiar e a tocar juntas.

luzes e sombras nas pickups do ELLAS

allbands — Agora conte um pouco mais sobre esse empoderamento das mulheres, e qual a relação com o ELLAS além de, é claro, vocês serem mulheres e… poderosas.

Reggie — Ainda são poucas as mulheres DJs, mundialmente falando, comparado ao volume de homens neste mercado. É comum vermos lineups de festas, grandes ou pequenas, sem nenhuma mulher, ou sei lá, com uma DJ entre cinco ou dez DJs homens. Somos bem-vindas nas pistas de dança usando mini vestidos, sensualizando, pois esse é o papel que a sociedade espera de nós. Já quando o assunto é estar no controle da pista, trazendo o som que faz os corações baterem ritmados, esse papel não se espera de nós. Isso nos cobra um posicionamento urgente, temos que nos mexer e tentar abrir esse espaço.

Então pensamos sim muito nessa transformação e temos essa causa forte dentro de nós porque, além de sermos mulheres já maduras e independentes, estamos fazendo algo novo e buscando um lugar em um mercado predominantemente masculino.

allbands — Como você vê o tratamento e a igualdade de oportunidades para a mulher no Brasil?

Reggie — Eu particularmente acho que ainda exista um caminho longo para se trilhar nesse tema no Brasil, não só no nosso segmento, mas evidentemente em vários outros. Somos tidas como física e psicologicamente fracas, e é comum achar que não somos capazes de aguentar o tranco.

Mas acho que a mudança tem que partir de nós mulheres. E essa é uma ambição do ELLAS: realizar-nos e inspirar outras mulheres. Mostrar que não tem questão de sexo ou idade para realizar um sonho, para correr atrás do seu lugar.

allbands — Go girls! E quais os planos para o futuro do ELLAS?

Reggie — O special launching foi para preparamos material promocional e apresentarmos o projeto para as pessoas, amigos e possíveis clientes. Estamos negociando algumas apresentações, ainda a confirmar, e também temos a intenção de transformar ELLAS em um projeto de festa itinerante bimestral, para sempre trazermos as novidades da dupla como vitrine, além de recebermos algumas amigos DJs para tocar.

A dupla ELLAS pode ser contratada no site allbands, visite a página: https://www.allbands.com.br/attractions/ellas

allbands — E vocês pretendem tocar nas passarelas?

Reggie — Claro, por que não? Estamos super abertas.

Esse foi o start para um caminho de muitas possibilidades. Estamos trabalhando neste projeto já há mais de um ano e temos muito carinho por ele. É uma fonte inesgotável de ideias e uma grande oportunidade para nós duas, integrantes do projeto, colocarmos em pratica tudo de mais conceitual e criativo que temos em nossas cabeças em termos de arte, música e performance. Ainda tem muito por vir!

allbands — Agora, para encerrar, você é DJ, produtora e mãe… como é que se faz tanta coisa e ainda mantém o sorriso e ótima energia?

Reggie — É puxado (risos)! Não é fácil dar conta de tudo e nem sempre estamos com um sorriso no rosto, mas eu penso que o importante e tentamos fazer o máximo de coisas possíveis das quais somos afim e tentamos dar o melhor de nós, porque não temos a vida toda, e ela é curta. O jeito é correr e se arriscar, tentando tirar fôlego e energia dos nossos valores de vida, da vontade de realizar algo e do apoio de quem está ao nosso lado.

allbands — Conte conosco e boa sorte!

Reggie — Obrigada!

equipe allbands
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