Abstinência

Teclo desfreadamente enquanto Mozart soa
O som palpita em meus ouvidos
Cada verso um sustenido entoa
E balanço como um doente
Para frente e para trás
O frio me estrala os dentes
E nem café eu tenho mais

Quanto mais rápido o violino
Mais balança meu corpo flácido
Mais danço em sonhos vespertinos
Tardiamente tidos pois são sonhos tácitos
Imagino uma valsa a dançar sortido
Por um salão medieval, passo a passo

O cantar dos trovadores soam pelas paredes
Ecoam secos e retornam ao som dos convidados
É o casamento de minha filha e rei eu sou
Pois como dono deste trecho, não me farei de criado
E nesta loucura semi-viva
Semi pois é colorida apenas aqui dentro
Um cavaleiro desposado enfurece-se, malvado
Saca a espada e retilíneo me acerta como um dardo

Salto da cama em susto, pois era
Irmão, amigo,
Um sonho inventado.

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