Moto X Force: tela inquebrável, desempenho de sobra — Review

Os smartphones possuem um defeito tão ruim, mas tão ruim, que muitos estão vulneráveis: uma quebra de tela. O mercado paralelo destas peças não para de crescer, e uma demada cada vez mais crescente tem feito muitas assistências surgirem no mercado. O uso do vidro, um material relativamente frágil, fez uma outra demanda também surgir: a de películas de vidro, que ficam acima da tela do smartphone.

Tudo isso se tornou um problema grande para o usuário: o custo dos acessórios (e da reposição da peça em si) é alto e o usuário acaba sofrendo no desmonte, no remonte, em várias situações da troca. Bem, até o ano passado, este era o principal problema. E a Lenovo, dona da Moto, chegou em um consenso ideal: o Moto X Force. Como o nome já remete, ele é mais “forte” que os demais.

Composto por uma tela ShatterShield contra quebras, riscos e outros, o smartphone da “companhia americana” inova ao trazer, finalmente, uma solução user friendly e menos estranha e que também não impacta muito no design do dispositivo. Este é o terceiro aparelho da linha Moto X, ficando acima do Moto X Style, que vira um “intermediário” na família X, sendo o X Play o modelo de entrada.

Testei o Moto X Force por algum tempo e você confere o review completo agora:

Design

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Olha o design! (foto: Lucas Silva)[/caption]

O design do Moto X Force é relativamente diferente dos seus irmãos mais baratos e “mais fracos”. A Moto eliminou a curvatura presente no X Style e deixou o X Force mais reto e com algumas fendas nas laterais do acabamento traseiro. Isso traz a tona um problema: segurar o X Force é desconfortável — e isso acaba incomodando bastante durante o uso, o que não ocorre no X Style e no X Play.

Seu peso é de 169g e sua espessura fica em 9,2 mm. Ao contrário do Moto X Play, a exemplo, o X Force é bem mais fino (em comparação aos 10,9 mm do modelo mais barato) e tem o mesmo peso, mesmo equipado com uma bateria levemente maior e abrigando um hardware relativamente mais parrudo. Ponto positivo nesse caso, já que ele não faz tanto volume no bolso.

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Botões. (foto: Lucas Silva)[/caption]

O posicionamento dos botões é exatamente o mesmo de todos os outros dispositivos da série Moto: na lateral direita, botões de volume e energia; no topo, conexão 3,5mm e gaveta para SIM card/microSD; no inferior do aparelho, conexão microUSB. Na traseira, microfone, flash duplo LED, câmera de 21MP. Na frente, mais um microfone, flash LED, câmera, tela e sensores infravermelho.

O Moto X Force tem um acabamento feito em nylon balístico. Não foi a primeira vez que a Moto usou este acabamento: o Moto Maxx possui o mesmo. E ele conta com um problema: tal como qualquer tecido, ele tende a desfiar. E é exatamente isso o que ocorre com o Moto X Force: o acabamento dele, depois de algum uso, tende a desfiar. Muitos eram os relatos no Maxx, e no X Force continuaram.

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Topo. (foto: Lucas Silva)[/caption]

Mas não pense que essa é sua única opção de acabamento: você também tem, à disposição, uma opção em plástico e, em alguns mercados, opções em couro Horween e couro Saffiano. Realmente são muito bonitos. O Moto X Force pode não ser o smartphone melhor acabado no mercado, mas ele é bonito e bem feito. Bem construído. A Moto acertou no acabamento, errou na ergonomia.

Tela

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Tela ShatterShield e tecnologia AMOLED. (foto: Lucas Silva)[/caption]

A tela do Moto X Force é um dos pontos a serem destacados. Com resolução QHD (2560x1440), a tela de 5.4 polegadas de tecnologia AMOLED é… Inquebrável. A tecnologia ShatterShield, divulgada amplamente pela Moto, é uma tecnologia que não permite o “vidro” estilhaçar. A durabilidade do smartphone aumenta, e a Moto também acredita nisso: são dois anos de garantia.

A tela AMOLED é um grande avanço frente a tela IPS utilizada nos modelos X Play e X Style. O motivo: pretos mais profundos, cores mais saturadas e outros avanços frente a IPS. Outro motivo é o Moto Tela: o preto usado no recurso realmente economiza bateria, pois os pixels ficam desativados. E, diferente dos outros modelos, não existe configuração de cor aplicável ao modelo.

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Moto Tela em ação. Note os pretos profundos! (foto: Lucas Silva)[/caption]

Porém, a tela do Moto X Force é feita de plástico e alumínio. A durabilidade aumenta, mas ela reflete mais e não é tão boa quanto a do Moto X Style. As cores, apesar de mais saturadas, parecem inferiores a dos irmãos menos poderosos. O ShatterShield é composto pela tela AMOLED, uma estrutura de metal e uma película externa. Caso risque, você pode trocar, da mesma forma como uma película.

Hardware

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Hardware. (foto: Lucas Silva)[/caption]

O Moto X Force é, no momento, o aparelho mais poderoso da linha Moto sendo vendido no Brasil. Como o Moto Z ainda não está disponível no país, o Moto X Force continua sendo seu flagship. Contendo um processador Qualcomm Snapdragon 810, octa-core, 3GB de RAM e GPU Adreno 430, ele se torna um grande aparelho em termos de desempenho. Porém, o Moto X Force vai na contramão de um problema.

A mídia especializada criticou duramente o processador Snapdragon 810 por um motivo muito evidente: ele estava aquecendo demasiadamente. Isso reduzia o desempenho do dispositivo — já que a temperatura atingia a temperatura de junção do processador — que é a maior que o mesmo aguenta. Isso leva a um efeito chamado Thermal Throttling, quando é necessário reduzir o número de núcleos usado e o clock no momento.

Diversos aparelhos– tais como o HTC One M9 e o Sony XPERIA Z3+ — sofrem desse grave problema. O Z3+, por exemplo, suporta pouquíssimo tempo de gravação em 4K. O M9, por exemplo, atinge a temperatura de junção muito rapidamente, e o desempenho é agravado em pouquíssimo tempo.

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Snapdragon 810. (foto: Lucas Silva)[/caption]

Com o Moto X Force, isso não acontece. A Moto conseguiu reduzir o Thermal Throttling do modelo e, em poucas vezes, ele aqueceu durante meus testes. E, mesmo quando aqueceu, poucas foram as quedas de desempenho. O modelo é um dos poucos que realmente usam o Snapdragon 810 corretamente.

Como falamos de um smartphone flagship, ele tem desempenho impecável. Tudo roda leve e sem qualquer tipo de lag ou travamento. A aplicação do hardware com o sistema foi bem feita e poucos são os problemas enfrentados pelo modelo. O único recurso que faltou foi o sensor biométrico, que só veio a aparecer na linha 2016.

Nas conexões, temos WiFi 802.11 a/b/g/n/ac MIMO e 5GHz, Bluetooth 4.1 LE, 4G LTE nas bandas 7 e 28, dual chip “inteligente, USB OTG. No armazenamento, são 64GB, com cerca de 55GB livres ao usuário. Existe a opção de expandir o armazenamento, porém, o usuário deve escolher entre a expansão e o uso de um segundo SIM card.

Sistema

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Sistema. (foto: Lucas Silva)[/caption]

O sistema utilizado no Moto X Force é o Android 5.1.1, Lollipop. De praxe, o aparelho já roda o Android 6.0, Marshmallow. Poucas são as modificações empregadas pela Moto: a maioria são os aplicativos Moto e alguns ícones diferenciados. No restante, todo o Android é o mesmo usado pelo Google, com mesmo esquema de cores e ícones.

Dentre os aplicativos instalados, destaco o Moto, que permite configurar o Moto Tela e outros recursos. O Moto Tela é um mostrador de notificações e display Always-On que acompanha a linha desde 2013, no Moto X original. Ele mostra notificações e permite comandos por meio de gestos na tela.

O aplicativo de Câmera é básico, não há modo manual correto e faltam controles. Ainda assim, o aplicativo de câmera do novo Moto G4 Plus — com modo de câmera bem desenvolvido e modo manual — parece funcionar muito bem no dispositivo, sem qualquer tipo de problema ou travamento.

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Moto. (foto: Lucas Silva)[/caption]

A Moto não embutiu recursos novos da linha 2016 no modelo mais antigo, e isso é relativamente um problema, já que está tirando o mérito de um ex-topo de linha que já foi consagrado no mercado. É com total certeza que todos os recursos novos, de software, teriam ótimo uso no aparelho de 2015.

A Moto também embute outros recursos legais — como o Moto Voz, que permite controlar o smartphone com comandos de voz, tais como — “Olá, Moto X, novidades?” — e como a abertura da câmera apenas agitando o smartphone. São poucos recursos que realmente colocam a usabilidade lá em cima.

Este approach da Moto tem um sentido grande na disponibilização de updates: os aparelhos da marca são sempre os primeiros a receber atualizações do Android, pois não usam um sistema modificado. Os desenvolvedores têm menos trabalho: é apenas compilar o sistema e adaptar um aplicativo ou outro.

Isso levanta uma questão muito interessante: qual o comprometimento da Moto em customizar o seu sistema? Quão importante é colocar pouquíssimas customizações? Seria os Motos… “os novos Nexus-só-que-não-Nexus”? Talvez. Agora, sob a tutela da Lenovo, tudo o que precisamos fazer é aguardar os próximos capítulos.

Multimídia

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Play Música. (foto: Lucas Silva)[/caption]

O multimídia do Moto X Force possui um problema: por ser um Android mais puro, esqueça aplicativos dedicados de vídeo e de música. O aplicativo de música que a Moto embutiu é unicamente o Play Música, serviço de streaming e música local da Google. A decisão parecia bem acertada, se não retornasse aos velhos tempos da empresa.

Há anos, a Motorola desenvolvia um player recheado de funções. Letras, avaliações, e outras funções muito interessantes populavam o dispositivo. O tempo passou, a Moto mudou e o resultado foi o Android totalmente puro. E isso levanta a questão que trouxe no sistema: até que ponto a falta de customizações é aceitável?

Por usar um player comum a todos os aparelhos celulares rodando Android, o Moto X Force não possui nada de especial neste quesito. Mas a Play Store está aí, à disposição do usuário, com uma imensidão de aplicativos disponíveis para o usuário. VLC, PowerAmp, a exemplo, são boas opções.

Um ponto relativamente decepcionante são os fones de ouvido. Apesar de terem sofrido uma evolução desde 2013, no primeiro modelo, eles machucam demasiadamente o ouvido, e seu som infelizmente não é dos melhores. Ainda assim, é um bom quebra-galho para muitos dos momentos. Eles se assemelham muito aos EarPods, da Apple.

Câmera

A câmera do Moto X Force ganha a mesma graça trazida no Moto X Style: contendo 21MP, abertura f/ 2.0, foco por detecção de fase (PDAF/FDF) e flash com tom duplo (âmbar e branco). O tamanho dos pixels fica em 1,4µm e o aparelho possui HDR automático. Para completar o kit, ele ainda grava em 4K a 30 fps.

O que falta aqui, porém, são recursos pontuais e que poderiam ser inclusos sem problemas. O primeiro recurso é a gravação em 60 fps. Mais um modelo da empresa sem a funcionalidade, e isso faz falta para alguns usuários. Falta modo manual, falta controle melhor de exposição e foco. Faltam recursos, e esses recursos vieram a ser inclusos neste ano.

Mesmo assim, não há o que reclamar da câmera do Moto X Force: as imagens são ótimas, o pós-processamento está bom e não há problemas de imagens borradas ou corrompidas. Existem recursos bons, como HDR automático, slow motion em 720 fps, temporizador, e abertura por gestos da câmera.

A câmera frontal representa uma grande evolução. São 5MP com flash LED frontal. Ao contrário dos Galaxys da linha J, a exemplo, ele só é ativado no momento da foto, e não enquanto a câmera estiver ativa. A câmera frontal tem ótima resolução e bom ângulo de visão. E, abaixo, você confere amostras:

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Bateria

A bateria do Moto X Force tem 3760mAh, pouco mais que os 3630mAh contidos no Moto X Play. O dispositivo tem, como enfoque, uma bateria duradoura e que pode durar um dia inteiro sem pestanejar. E isso é certo: o dispositivo consegue aguentar um dia inteiro fora da tomada em uso leve, moderado e intenso.

Ainda utilizando o microUSB com USB 2.0, a Moto embute na caixa o carregador TurboPower 25, que consegue suprir 100% da carga em menos de 1h30, um dos grandes benefícios do modelo. Neste modelo, o carregador envia 12V a cerca de 2A. Por ser um carregador potente, o cabo é embutido no mesmo.

Preço e conteúdo da caixa

O preço do Moto X Force foi um dos maiores da linha Moto: custando R$3.149,00 em seu lançamento, em novembro do ano passado, o modelo sofreu quedas bruscas de preço e pode ser encontrado por cerca de 2500 reais ou menos, devido a uma característica de mercado com a maioria dos Androids.

Na caixa, a Moto envia os fones de ouvido, carregador TurboCharger 25, ejetor de SIM card, o aparelho e manuais. Ao contrário do Moto X Style — a empresa não envia o bumper de plástico, que era uma ótima característica, e que poderia muito bem ser somada ao modelo mais caro.

Dados do Review — Moto X Force

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