É câncer. Mas, é grave?

O diagnóstico apavora, mas está longe de representar uma sentença única de morte. Em muitos casos, há grandes chances de recuperação. Entenda os critérios médicos para determinar a gravidade da doença.

Antes de se desesperar, tente se encher de coragem, manter o equilíbrio e ouvir o que o especialista tem a dizer. Por maior que seja o impacto emocional da descoberta, ajuda ter em mente que a presença de um tumor não é sinônimo de um futuro sombrio.

Antes de chegar a qualquer conclusão, o especialista analisa rigorosamente as características da lesão. “Primeiro, procuramos descobrir qual é o tipo do câncer, do ponto de vista de sua estrutura e genoma. Ao identificá-lo, é possível saber se ele responde bem ou não aos tratamentos disponíveis, se depende de hormônios para se desenvolver, entre outras variações”, explica a Dra. Clarissa Baldotto, diretora médica de cuidado integrado, do Americas Centro de Oncologia Integrado (RJ).

Em outras palavras, não basta saber que a doença tem origem na mama ou no pulmão, já que ela pode se apresentar de diversas formas em um mesmo órgão ou tecido. O que conta são as particularidades do tumor e as opções de terapia.

A providência seguinte é estabelecer o que os médicos chamam de estadiamento, que nada mais é do que um mapeamento do tumor. Para isso, eles lançam mão de exames de imagem, como o PET-CT — que reconhece o metabolismo acelerado das células tumorais — , a ressonância magnética e a tomografia. Nessa análise, é possível avaliar o tamanho do câncer e sua extensão pelo corpo — se está localizado em um único órgão ou se houve disseminação para outros tecidos, via sistema linfático, sanguíneo ou por proximidade.

Tem metástase?
Ainda que a resposta para esta pergunta seja sim, isso não é um aval para entrar desespero. “Há pacientes adultos, com câncer de pulmão e metástase no cérebro, que se recuperam bem, porque o tipo de tumor que apresentam têm uma excelente resposta a determinado tratamento”, exemplifica a Dra. Clarissa. Ela se refere aos efeitos positivos de técnicas de radioterapia e cirurgia modernas, bem como de drogas inovadoras, como as chamadas biológicas, que agem de forma focada, evitando prejuízos colaterais.

Questão de estatística
Quem teve câncer ou enfrentou o problema na família certamente já ouviu os termos “sobrevida global em cinco anos” e “tempo livre de progressão da doença”. E é sempre uma tensão ter de refletir sobre a probabilidade de viver ou de se ver livre de vez da enfermidade, sem ter de encarar a rotina de tratamento e a incerteza novamente.

No entanto, esses parâmetros ajudam os médicos a estimar as chances do paciente, o que, muitas vezes, traz bastante esperança e otimismo. Eles se baseiam em dados populacionais para fazer a estimativa. Ou seja, em grupos de mil pacientes, verificam quantos sobreviveram em cinco anos e quantos passaram ilesos, sem nenhuma recaída. Esse percentual é, não raro, superior a 80%, nos casos de tumores menos agressivos e de diagnóstico precoce.

A informação também não significa que o paciente viveu apenas mais cinco anos. Esse é somente o período de acompanhamento, porque, passada a fase crítica, é mais difícil que a doença volte a preocupar o mesmo indivíduo.
É importante ressaltar que se trata de uma média e que a perspectiva de melhora também depende das condições gerais do paciente.

Fatores como idade, tabagismo, álcool, obesidade, prática de atividade física, adesão ao tratamento e outras doenças crônicas, como as respiratórias ou cardíacas, também influenciam bastante no resultado do tratamento. Portanto, manter hábitos saudáveis é sempre fundamental.

Susto calculado
Um diagnóstico de câncer de pâncreas, de cérebro ou de pulmão cai como uma bomba sobre determinadas famílias, enquanto um de tireoide, por exemplo, pode não alarmar tanto. A dimensão do perigo se baseia, mais uma vez, em estatísticas, mas não pode ser generalizada.

“O que acontece é que, de fato, a maioria dos cânceres em certos órgãos é muito agressiva. Já em outros, só a menor parte preocupa. Mas há tipos específicos de tumores de pâncreas em que mais de 90% dos casos são resolvidos com uma retirada cirúrgica. De pulmão, idem. Da mesma forma, existem lesões de tireoide bastante severas, embora sejam a minoria”, compara a Dra. Clarissa.

Mais uma vez, vale a recomendação de nunca tirar conclusões precipitadas e, sim, esclarecer todas as angústias, perspectivas e possibilidades de tratamento com o oncologista. O que um paciente não deve, jamais, é perder a esperança. “Hoje, temos mais conhecimento sobre os tumores e as inovações terapêuticas chegam o tempo todo. Um prognóstico ruim, agora, pode ser melhor em um futuro próximo”, conclui a médica.

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