Candidíase, de novo?

Sensação de ardência, dor nas relações sexuais e uma coceira de tirar do prumo, na região genital. Aguentar um episódio desses já não é fácil. Pior ainda quando ele se torna recorrente. Felizmente, dá para prevenir

Além de proteger, lubrificar e manter o PH natural na mucosa da vagina, as secreções femininas também dão pistas sobre a saúde do aparelho genital. Em condições normais, elas se apresentam esbranquiçadas, levemente amareladas ou com aspecto de clara de ovo, na ocasião da ovulação.

Se essas substâncias assumem uma consistência mais firme, semelhante à do leite coalhado, justificam uma avaliação por um ginecologista, pois a mudança pode indicar um quadro de candidíase.

“Provocada por fungo, sendo o mais comum o chamado Candida albicans, a doença está relacionada à queda na imunidade no organismo e pode ser precipitada pelo estresse, o uso de antibióticos, a má alimentação e a prática sexual”, esclarece o Dr. Edilson Ogeda, ginecologista do Hospital Samaritano de São Paulo. A gravidez e o período pré-menstrual também favorecem sua ocorrência. “Em ambas as situações, há uma elevação significativa do hormônio progesterona, que altera o PH vaginal, predispondo à candidíase”, justifica o médico.

Trata-se de um quadro muito frequente, afetando até 75% das mulheres em alguma fase da vida, de acordo com uma revisão de estudos da Universidade Federal de Santa Catarina. Para 5% delas, o desconforto não se resume a alguns dias de extremo incômodo. As infecções se tornam bastante presentes, retornando de tempos em tempos, na frequência de quatro ou mais episódios por ano.

Guerra ao fungo

Quando se trata de um caso isolado, o ginecologista realiza um exame clínico, que, não raro, é suficiente para fechar o diagnóstico. “Se necessário, solicitamos exames complementares, como cultura de secreção vaginal e/ou bacterioscopia, na tentativa de identificar o agente causador do problema”, explica o Dr. Ogeda. Uma vez confirmada a candidíase, ele irá prescrever antifúngicos específicos para combatê-la.

De uma vez por todas

Nos casos de candidíase de repetição, o médico pode propor o uso prolongado de medicamentos, por um período de seis meses. Mas existe uma gama de precauções que você pode tomar para evitar a recorrência. Veja só:

  • Use sabonetes íntimos diariamente, com PH neutro, que garante a manutenção da flora natural da vagina.
  • Converse com seu médico sobre a necessidade de examinar seu parceiro sexual.
  • Evite calças apertadas, dando preferência a vestidos e calças largas.
  • Troque as calcinhas de tecido sintético pelas de algodão e dispense absorventes de uso diário. Dormir sem calcinha é outra dica valiosa.
  • Faça atividades de relaxamento, como caminhada e meditação, para combater o estresse — um dos algozes do sistema imunológico.
  • Valorize boas noites de sono.
  • Pratique atividade física aeróbica, como pedalada, caminhada e natação.
  • Invista em um cardápio equilibrado, que contemple alimentos naturais, incluindo carnes, frutas, grãos e verduras. Se a candidíase for persistente, evite o excesso de açúcar, a massa de tomate e as frutas cítricas. “O fungo pode colonizar o trato digestivo e, por fim, a região genital. Alimentos como esses, que propiciam o desenvolvimento do fungo no intestino, podem contribuir com o problema”, justifica o Dr. Ogeda.

Candidíase na boca?

Existe uma forma oral da doença, capaz de acometer desde os bebês, que ainda não têm suas defesas bem constituídas, até adultos debilitados por doenças, como a Aids, ou certos tratamentos — entre eles, antibióticos e radioterapia. Idosos que usam dentaduras também estão sujeitos.

Um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP) sugere que alimentos ricos em probióticos (bactérias benéficas), como certos iogurtes e produtos lácteos, ajudam a prevenir essas crises e ainda reforçam o sistema imunológico como um todo. “Ainda não dispomos de pesquisas específicas sobre os efeitos dos probióticos na infecção genital, mas, entende-se que, se o aparelho digestivo não apresentar o fungo, talvez a região vaginal seja poupada de agressões causadas por ele”, opina o Dr. Ogeda.

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