Desafios femininos e saúde mental

Neste Dia Internacional da Mulher queremos refletir sobre como os esforços em prol de igualdade, paz e respeito impactam no bem-estar mental. E, claro, oferecer dicas do que é possível fazer para continuar avançando em suas conquistas sem tanto desgaste emocional.

Uma combinação específica de fatores torna as mulheres suscetíveis a desenvolver depressão, entre eles: o impacto de oscilações hormonais sobre o cérebro; o puerpério; a depressão pós-parto; e os acontecimentos negativos — podemos colocar, nessa conta, os problemas como assédio e violência moral ou sexual; as cobranças para atender os padrões estéticos e sociais; a demanda social para casar e ter filhos; os desafios de conciliar a vida profissional e familiar; e, eventualmente, a falta de apoio do companheiro, dos colegas de trabalho e dos familiares.

Diante de tantas pressões, é fundamental que você, mulher, cuide da saúde mental para seguir nessa luta diária e, se necessário, busque apoio de um profissional. Tudo para que as vitórias que estão por vir cheguem sem tanto sofrimento.

Confira alguns conselhos:

Invista no bem-estar psicológico e reserve um tempo para você. Essa medida favorece a tomada de atitudes assertivas e a manutenção da harmonia em todos os âmbitos da vida, além de evitar o surgimento de outros problemas de saúde. Saiba quais são as atividades importantes para a sua vida, priorize e garanta tempo para elas. Pode ser uma atividade física, um passeio, encontrar pessoas queridas, exercer a espiritualidade, adquirir novos conhecimentos, ler, dançar, ou ouvir música, por exemplo.

Utilize as tecnologias e as redes sociais como um recurso positivo. Saiba administrar o tempo e a energia que você emprega nelas para não prejudicar outras tarefas e atividades de lazer.

Preste atenção às suas necessidades e desejos. Isso favorece o bem-estar e ajuda a dar sentido à sua existência.

Consuma informações na medida certa. Quem já tem predisposição à depressão pode ver o quadro se agravar com tantas notícias negativas e com as expectativas impostas pela mídia e pelas redes sociais. Por isso, reflita até que ponto você deve consumir esses tipos de conteúdos.

Busque o autoconhecimento. Compreenda seu valor e reconheça a sua identidade para exercer sua autonomia e buscar as mudanças que achar necessárias. Assim, você poderá se enxergar como é realmente e como merece ser valorizada.

Reflita sobre as suas atitudes e motivações. Será que você anda trabalhando, bebendo ou gastando demais para camuflar algo que não vai bem? Além de indicarem descontrole emocional, os excessos podem, posteriormente, trazer arrependimento, culpa e frustração. Portanto, cuidado com os exageros e, caso eles aconteçam, procure avaliar qual é a real origem desse comportamento.

Estabeleça metas e prazos para alcançá-las. E, sempre que possível, avalie o propósito delas e mude o que for necessário.

Conheça os seus limites: saiba dizer não e respeitar suas limitações. Preste atenção aos sinais que seu próprio corpo lhe dá, por meio dos sintomas físicos.

Busque suporte em seu círculo social. Isso favorece o bem-estar psicológico, sua forma de pensar, sentir e agir, conferindo mais segurança para lidar com situações estressantes.

Pense positivo. Buscar o lado bom de uma situação ruim e alternar pensamentos negativos com pensamentos positivos ajuda a desenvolver a confiança e o otimismo.

Se, mesmo assim, a tristeza ou a angústia persistir, com pensamentos ruins frequentes, desânimo, ansiedade excessiva ou qualquer sintoma que afete seu dia a dia e a realização de suas atividades, não hesite em buscar ajuda profissional. Ninguém precisa (nem deve) enfrentar as dificuldades sozinho. Ok?

O que já podemos comemorar

Não podemos nos esquecer de que há muitos motivos para comemorar: o maior espaço adquirido em diversas esferas da sociedade, o fato de as mulheres serem ouvidas e poderem batalhar por seus direitos. Sua representatividade em nossa população é indiscutível. Veja só:

  • Elas cuidam mais da saúde e, por isso, vivem mais do que os homens: no Brasil, a expectativa de vida feminina é de 79,6 anos e a masculina, de 72,5, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2017.
  • Elas estão em maior número: em 1980, havia 753 mil mulheres a mais do que homens no Brasil. Em 2018, já eram 4,5 milhões a mais e, em 2060, serão 6,3 milhões, também segundo o IBGE.
  • Elas comandam os lares: embora a porcentagem ainda seja inferior à dos homens, o número de lares chefiados por mulheres, no Brasil, subiu de 23% para 40% em 20 anos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2015.

Fontes: Laisa Pessoa Botton, psiquiatra do grupo Americas Serviços Médicos; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).