Infarto: corrida contra o tempo para salvar o coração

Em certos casos de ataque cardíaco, a agilidade no tratamento é determinante para poupar a vida do paciente e evitar sequelas graves

“Tempo é músculo”. Assim resume o Dr. Valter Furlan, diretor médico do Hospital Total Cor, em São Paulo, ao explicar por que cada minuto é precioso no atendimento a quem acaba de sofrer um infarto.

Funciona da seguinte maneira: por conta de uma série de fatores, como pressão e colesterol altos, tabagismo, diabetes e estresse, uma placa de gordura se forma na parede das artérias. Em algum momento, ela pode se romper, expondo seu conteúdo. Em contato com a circulação, forma-se um coágulo, capaz de bloquear subitamente o fluxo de sangue para o coração. Consequentemente, as células cardíacas começam a morrer. Está feito o estrago.

Quanto mais a circulação demorar para se restabelecer, maior será o dano causado ao músculo do coração. O pior é que as células prejudicadas se tornam instáveis, emitindo impulsos elétricos irregulares. Ou seja, o paciente pode apresentar arritimia, que é quando o coração bate em descompasso, o que representa um grande risco à vida dele, quando associado ao infarto.

Moral da história: agir rápido para que o sangue volte a fluir direitinho é a estratégia mais acertada para garantir a sobrevida e prevenir problemas futuros, como a insuficiência cardíaca.

Direto para o hospital

Se uma pessoa próxima manifestar dor ou desconforto no peito, podendo irradiar para os braços ou a mandíbula, ou então se relatar sudorese, náusea, falta de ar, desmaio ou um cansaço inexplicável, a primeira providência é levá-la ao PS ou acionar um serviço de socorro.Em seguida, caso esteja inconsciente, vale realizar a massagem cardíaca, desde que alguém próximo domine o procedimento e, se necessário, recorrer a um desfibrilador automático, disponível em locais de grande circulação de pessoas. Esse aparelho, muitas vezes, devolve o ritmo ao coração, poupando a vida do paciente.

Dê olho no relógio

Mas o que significa intervir rapidamente, afinal? Depende do caso. Seja qual for ele, porém, é importante otimizar o processo, que começa com a remoção do paciente ao hospital, passa pela priorização do atendimento no pronto-socorro, pelo momento do diagnóstico e termina com o tratamento.

Os hospitais do Americas Serviços Médicos adotam o chamado Protocolo de Dor Torácica, baseado nas diretrizes da American Heart Association, que nada mais são do que um conjunto de procedimentos padronizados para situações em que o indivíduo relata dor no peito.

“Todos os profissionais, incluindo enfermeiros, médicos, recepcionistas e seguranças, estão cientes de que esse sintoma exige atendimento prioritário. Entre a entrada no hospital e a realização de um eletrocardiograma, não deve transcorrer mais do que 10 minutos”, explica o Dr. Furlan.

Esse exame, que detecta oscilações elétricas nos pulsos do coração, é que vai ativar um novo cronômetro. Se ele acusar um infarto com supra — alteração que denota um comprometimento mais grave, de uma artéria importante — a equipe médica terá 90 minutos para agir. Caso contrário, o prazo para a realização de um cateterismo pode ser maior, de 24 ou até 48 horas, conforme esclarece o médico.

Em ação

Uma vez detectado o infarto do tipo mais grave, uma equipe médica especializada em hemodinâmica é acionada. Preferencialmente, eles realizam um cateterismo, procedimento em que um catéter com um balão percorre a artéria para localizar a origem do problema. Em seguida, o balão é inflado para fazer a desobstrução — método conhecido como angioplastia. Depois, pode ser colocado um stent, uma malha de aço que mantém a abertura adequada da artéria.

Se, eventualmente, não for possível realizar o cateterismo e a angioplastia, existe a opção de administrar um medicamento chamado de trombolítico, na veia do paciente. Esse tipo de remédio ajuda a dissolver o coágulo, recuperando a circulação sangúinea.

A adoção desse método deve ser avaliada caso a caso, já que há restrições, como pessoas submetidas a cirurgia recente ou com risco de sangramento. Para quem pode receber o medicamento, o prazo para administração é de 30 minutos, contando a partir da entrada no hospital.

Nos casos de infarto sem supra, menos agressivos, o tratamento costuma ser clínico, bastando o uso de medicamentos específicos e realização de cateterismo em até 48 horas, que irá definir, efetivamente, o tipo de tratamento mais adequado.

Manutenção da saúde

Passado o susto, você não pode abrir mão das precauções, pois o risco de um novo entupimento nas artérias ainda existe e é alto. Por isso, é fundamental seguir à risca o tratamento prescrito pelo médico, com adoção de hábitos saudáveis e uso correto de medicamentos, que podem incluir anticoagulantes e anti-hipertensivos, entre outros.

No fim das contas, a somatória de um esforço médico eficiente, da colaboração do paciente e dos recursos modernos disponíveis representa uma enorme chance de uma vida saudável e duradoura. Pode confiar!

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