Já ouviu falar em disfunção temporomadibular?

O termo é complicado, mas o problema está longe de ser algo incomum. Relacionado a disfunções na mordida, ele pode provocar dor intensa, de cabeça, de ouvido e até no pescoço

A situação é clássica. A pessoa tem uma dor de cabeça que só aumenta de frequência. Procura um neurologista e não descobre a causa do incômodo. O ouvido doi, vive tampado e o otorrino não encontra sinais de inflamação. Ou então, é o pescoço que tira o paciente do prumo sem que ninguém consiga detectar nada de errado por ali. Aí, finalmente, ele resolve consultar um cirurgião bucomaxilofacial. “Sete em cada dez pacientes que chegam ao meu consultório apresentam desgaste na articulação temporomandibular”, estima o Dr. Luciano Del Santo, do Hospital Alvorada (SP), que atende essa especialidade.

O que acontece é que, de cada lado da mandíbula, há uma articulação. E elas se mexem simultaneamente, conforme os movimentos do osso. Mas, para que trabalhem em harmonia, é necessário que a mordida seja estável, ou seja, que todos os dentes se toquem ao mesmo tempo, em simetria.

O problema é que, nem sempre, as alterações na mordida são diagnosticadas na infância. Como resultado do mau posicionamento, uma das articulações é sobrecarregada. Com o passar do tempo, a tendência é que ocorra um desgaste dessa estrutura — especificamente, do disco articular, que serve como um amortecedor. E, como esse disco é envolvido por nervos, a consequência é uma dor muito forte e difusa, que frequentemente se confunde com dor de cabeça, no pescoço, no ouvido ou no fundo dos olhos.

Não raro, o desconforto vem acompanhado de dor ao mastigar, dificuldade de abrir a boca, ranger de dentes, estalo ou travamento da mandíbula. Isso pode surgir tanto aos 20 como aos 70 anos, de acordo com o grau de disfunção.

Quanto antes, melhor

Os danos às articulações são proporcionais ao tempo em que elas pernanecem mal posicionadas. Por isso, diante dos sintomas listados acima, vale a pena consultar um bucomaxilo para checar se está tudo em ordem.

Se a alteração for detectada, ele não só tomará providências para atenuar a dor, prescrevendo anti-inflamatórios, relaxantes musculares e/ou analgésicos, como precisará atuar no gatilho da crise.

Então, a partir de um exame de ressonância magnética, ele vai avaliar a gravidade das condições articulares.Nos casos mais leves, o uso de placas, para amortecer o impacto da mordida, e de aparelhos ortodônticos, para corrigi-la, pode ser suficiente.

Já nos mais severos, quando o disco se rompe, por exemplo, é preciso realizar uma cirurgia. “A boa notícia é que esses procedimentos são minimamente invasivos, no caso da chamada artroscopia, e tendem a devolver funcionalidade às articulações, diminuindo a dor, além de promover qualidade de vida e devolver autoestima aos pacientes”.

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