Marcapasso para o cérebro?

Aparelho semelhante a um marcapasso cardíaco ajuda a reduzir os sintomas de Parkinson em pacientes que não respondem ao tratamento convencional

Imagine que o cérebro funciona como um circuito elétrico. No espaço entre os neurônios, há substâncias químicas, chamadas de neurotransmissores, que conduzem os impulsos entre eles, garantindo uma boa comunicação. Em algumas doenças, como a de Parkinson, ocorre a morte das células nervosas responsáveis por produzir uma dessas substâncias, batizada de dopamina.

Aí, as informações chegam truncadas, afetando principalmente a região motora, o que desencadeia sintomas como tremores, instabilidade na postura, lentidão de movimentos e rigidez nas articulações. Distúrbios do sono, alterações intestinas e depressão são outras manifestações menos frequentes.

Habitualmente, o tratamento é feito com medicamentos, mas há situações em que o paciente não responde conforme o esperado. Felizmente, já existe uma alternativa eficaz para esse grupo. Trata-se da estimulação cerebral profunda, técnica que consiste na colocação de dois pequenos eletrodos na região cerebral afetada. Um equipamento semelhante ao marcapasso cardíaco é inserido, por meio de cirurgia, no tórax do paciente e emite pulsos elétricos para esses eletrodos.

Desta forma, um grupo de neurônios é estimulado, restabelecendo a comunicação entre eles e, consequentemente, reduzindo os sintomas. O tratamento vem sendo considerado uma técnica cirúrgica segura e eficaz, na neurologia, não só para certos indivíduos com Parkinson, mas para pessoas que apresentam movimentos involuntários, alguns tipos de tremor (como o tremor essencial), tics e a síndrome de Gilles de la Tourette, caracterizada por um disfunção motora e vocal.

Indicações

Em geral, devem ter transcorrido, no mínimo, quatro anos a partir do diagnóstico para se considerar o tratamento. O método também alivia as discinesias, que são movimentos involuntários secundários ao uso dos medicamentos, em especial o chamado levodopa.

Expectativa

Segundo o Dr. Rubens Cury, neurologista do Hospital Samaritano de São Paulo, “o principal objetivo da estimulação cerebral profunda é buscar um benefício terapêutico mais constante e previsível, de forma que os pacientes possam alcançar uma redução na gravidade dos sintomas e uma melhoria na qualidade de vida”.

Riscos

Vale lembrar que, por se tratar de um procedimento cirúrgico, a técnica não é isenta de riscos. Os pacientes podem apresentar formigamentos e contrações musculares, geralmente transitórios, que são aliviados com o ajuste da estimulação. Raramente, pode ocorrer sangramento cerebral e infecção. Portanto, todos os candidatos à terapia devem ser avaliados por uma equipe neurológica especializada, com o objetivo de selecionar, de forma adequada, aqueles cujo custo-benefício justifica a intervenção.

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